Vasco

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

60 ANOS DE ALMIR CRUZMALTINO


Reprodução de Revista do Esporte
 O Vasco vinha fazendo campanha irregular no Torneio Rio-São Paulo-1957 – 3 x 2 Botafogo; 1 x 1 Palmeiras; 1 x 0 Flamengo; 0 x 3 São Paulo; 5 x 2 Portuguesa e 0 x 2 Fluminense. Diante do América-RJ, quando  perdera dois jogadores, o treinador Martim Francisco recorreu a um garoto pernambucano que ainda tinha idade de juvenil. E, em 23 de maio daquele 1957, no segundo tempo lançou Almir Albuquerque de Morais, na vaga de Lierte, que já havia substituído Sabará. Diante de 6.825 pagantes e de 2.989 caronas, totalizando 9.814 almas, Almir estreou, ajudando o Vasco a vencer, por 3 x 0.
No jogo seguinte – Vasco 1 x 2 Corinthians – a irregularidade persistiu, mas Almir não jogou. Entrou no último compromisso do torneio – 01.06 - Vasco 3 x 2 Santos, na Vila Belmiro, a casa do “Peixe”. Daquela vez, Almir substituiu Sabará e o Santos trocou Del Vecchio por um outro garoto, Pelé, que prometia muito e até marcara um gol –  estava escrito que dois craques estavam surgindo.   
 
FICHAS DOS DOIS PRIMEIROS JOGOS OFICIAIS

25.03.1957 ´-Vasco 3 x 0 América. Torneio Rio-São Paulo. Estádio: Maracanã-RJ. Renda: 160.100,00. Publico: 6.825 pagantes e 2.989 não pagantes. Total: 9.814 presentes. Juiz: Frederico Lopes. Gols: Laerte, Livinho e Vavá. VASCO: Carlos Alberto Cavalheiro, Paulinho de Almeida, Bellini e Ortunho (Dario); Orlando Peçanha e Laerte; Sabará (Lierte/Almir), Livinho, Vavá, Valter e Pinga.
Técnico: Martin Francisco.

01.06.1957 – Vasco 3 x 2 Santos. Torneio Rio-São Paulo. Estádio: Urbano Calderia (Vila Belmiro), em Santos. Renda: 342.900,00. Juiz: Paulo Simões. Gols: Tite, Pelé (San), Valter Marciano, Livinho e Vavá (Vsc). VASCO: Carlos Alberto Cavalheiro, Paulinho e Bellini; Dario, Orlando e Laerte; Sabará (Almir), Livinho, Vavá (Wilson Moreira), Valter Marciano e Pinga (Roberto). Técnico: Martim Francisco. SANTOS: Manga, Getúlio e Mourão; Fioti, Brauner e Urubatão (Zito); Dorval, Álvaro, Pagão, Del Vecchio (Pelé) e Tite (Pepe).Técnico: Luís Alonso Peres, o  Lula.
 
Reprodução da revista Grandes Clubes
 ANO DOURADO – No início de 1958, o Vasco excursionou ao exterior, disputando doze amistosos, entre América Central, Estados Unidos e Europa. No penúltimo, em Moscou, Almir marcou um gol, diante do Dínamo Kiev. Foi um giro muito cansativo, mas  em que Almir pôde ver em ação jogadores que contribuíram para o seu futuro, exibindo-lhe experiência com as camisas de clubes tradicionais, como os espanhóis, Real Madrid, Atletic Bilbao, Valencia, Barcelona, Espanyol, o português Benfica e o soviético Dínamo Moscou, em nove vitórias vascaínas e três derrotas. De volta ao Brasil, Almir ajudou o Vasco conquistar o Torneio Rio-São Paulo, o seu primeiro título com a camisa cruzmaltina, atuando nos nove jogos – 2 x 4 Palmeiras;  3 x 1 Corinthians; 3 x 2 São Paulo;  6 x 1 Fluminense; 1 x 0 América; 1 x 0 Santos; 4 x 2 Botafogo; 1 x 1 Flamengo e 5 x 1 Portuguesa de Desportos.
 
CRUZMALTINO -  Havia um empresário, em Recife, um tal de Cier Barbosa, que tinha por “esporte predileto” indicar, ao Vasco da Gama, craques revelados pelo Sport Club do Recife, que já dera Ademir Menezes à “Turma da Colina”, mas sem ele nada ter a ver com a transação. Mas presenteou os cruzmaltinos com dois grandes “matadores”, Vavá – Edvaldo Izídio Neto – e  Almir Morais de Albuquerque. 
Almir aconteceu muito rápido em São Januário. Até poderia ter disputado a Copa do Mundo-58. Fora convocado para os treinamentos, depois dispensado do grupo, mas esteve perto de voltar a integrá-lo, quando a comissão técnica vivia a dúvida de manter, ou dispensar, o contundido garoto Pelé.
Cracaço do time do Vasco, que o recebera, aos 19 anos de idade, com cara de garotão – nasceu, em 28 de outubro de 1937 – Almir foi integrado ao time juvenil vascaíno, demorando-se pouco nele, para sagrar-se, no dourado 1958,  “super-super-campeão carioca” e do Torneio Rio-São Paulo, jogando barbaridades.
Com Valdemar e Pinga, na reprodução de foto da Manchete Esportiva
colorizada por  www.netvasco.com.br
Em 1960, o Corinthians, que não era campeão paulista, desde 1954, chorava o sucesso do Santos, principalmente, por ter a maior torcida do seu estado e não contar com um craque como Pelé. Então, abriu o cofre e levou Almir, por uma  fortuna. Ele não queria ir embora e nem ser o “Pelé Branco” , como lhe chamaram os corintianos, cansados de assistir às diabruras do camisa 10 santista diante deles.
 
Por capricho do futebol, Almir, durante as suas duas temporadas corintianas – 29 jogos, 13 vitórias, 7 empates, 9 derrotas e 5 gols, entre 1960 e 1961 – , jamais enfrentou Pelé. Isso só aconteceu quando ele era um vascaíno. E ganhou o duelo, por 1 x 0, marcando o tento da vitória, em 22 de março de 1958, no Maracanã, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, também chamado de Rio-São Paulo. O gol saiu aos 67 minutos, ou aos 22 do segundo tempo do prélio apitado por João Etzel Filho, da Federação Paulista de Futebol, com a refrega levando 37.455 almas ao estádio, das quais 32.978 foram pagantes e 4.477 caronas.

Almir, o “Pelé Branco” venceu o  “Pelé Preto” integrando esta patota: Hélio, Paulinho de Almeida e Bellini (Viana); Écio, Orlando e Coronel; Sabará, Almir, Vavá, Rubens (Roberto) e Quincas (Wilson Moreira). Técnico: Francisco de Souza Ferreira, o Gradim. O Santos teve: Manga, Fiotti, Ramiro e Dalmo; Urubatão e Zito; Dorval, Jair da Rosa Pinto (Guerra), Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe. Técnico: Lula.
Aqueles jogos do Torneio Rio-São Paulo es “SS-RJ” da mesma temporada-1958, foram os dois grandes momentos de Almir no Vasco da Gama. Durante a disputa interestadual, ficou muito marcada, principalmente, a sua atuação nos 5 x 1 Portuguesa de Desportos –  06.04 – no Pacaembu, em São Paulo, quando ele fez três dos cinco gols que garantiram o título ao “Almirante” – antes, havia batido na rede em: 01.03 – Vasco 2 x 4 Palmeiras (1 gol); 08.03 – 3 x 2 São Paulo (1); 13.03 – 6 x 1 Fluminense (1); 22.03 – 1 x 0 Santos (1); 26.03 – 4 x 2 Botafogo (1).
 
TROCA DA COLINA PELO PARQUE -  Por Cr$ 3,5 milhões de cruzeiros e um automóvel, por dois anos de contrato,  Almir deixou São Januário e levou o seu aguerrido futebol para o Corinthians, em 1960. Bom para os dois lados? Financeiramente, sim, para os cartolas; sentimentalmente, não, para o atleta.

Mesmo faturando Cr$ 30 mil mensais – entre salários, gratificações e prestações das luvas, tiraria perto de Cr$ 200 mil mensais, valores que faziam daquele um dos maiores contratos do futebol brasileiro –, o jogador preferia continuar cruzmaltino, por sentir-se muito bem como um grande ídolo das torcida. Por isso,  dificultou o negócio. O que o deixou mais magoado foi saber que um dirigente vascaíno  teria dito não haver mais ambiente para ele no Vasco. Aquilo levou-o a uma crise de nervos.
Almir abraça os ex-companheiros Miguel e Pinga.
 
Para encerrar a queda-de-braço entre Almir e o clube carioca, o presidente do clube paulistano, Vicente Matheus, topou pagar Cr$ 6, 5 milhões de cruzeiros, à vista; acertou um amistoso, em 5 de abril, com renda dividida, no Pacaembu, e ceder a sua parte na renda do jogo Vasco x Corinthians, em 16 de abril de 1960, na capital paulista, pelo Torneio Rio-São Paulo, a grande disputa da época. Com isso, os cofres da Colina deveriam receber cerca de Cr$ 8 milhões. Um dinheiraço! O maior negócio do futebol brasileiro. Segundo falava, com a grana saindo do bolso de Matheus.
 
DO LADO DE LÁ – Almir havia disputado a sua última partida com a jaqueta curzmaltina em 16 de janeiro daquele 1960, no amistoso em que a “Turma da Colina” goleara o Atlético-MG, por 6 x 3, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Marcou dois gols, aos 9 e aos 50 minutos – Delém, aos 16, aos 46 e aos 49, além de Cabrita, aos 77 minutos, fizeram os demais – e foi substituído, no segundo tempo.
O último Almir vascaíno entrou nesta formação escalada pelo treinador Dorival Knipel, o Yustrich: Barbosa (Ita); Paulinho de Almeida, Bellini (Viana), Orlando Peçanha e Coronel; Barbosinha e Roberto Pinto (Waldemar); Teotônio (Wanderley), Almir (Cabrita), Delém e Roberto Peniche (Dominguinhos) – Ernani, aos 36 do 1º e aos  88, e William, aos 27 minutos, marcaram para o “Galo”. 

O que Almir não desejava, aconteceu na noite da terça-feira 5 de abril de 1960, no Pacaembu. Ele estreou como corintiano diante do Vasco, e abriu o placar, aos 6 minutos, para a partida terminar  em “Timão” 3 x 0. A renda? Cr$ 1 milhão, 76 mil e 900 cruzeiros, quase igual à de 11 dias depois, no mesmo estádio, quando o placar ficou no 1 x 1 e as bilheterias da casa arrecadaram Cr$ 1 milhão, 75 mil e 900 cruzeiros. 

O "PERNAMBUQUINHO" DO OUTRO LADO DO BALCÃO
Com Orlando e Gilmar
O primeiro Vasco contra Almir foi escalado pelo técnico argentino Filpo Nuñes com: Miguel; Paulinho de Almeida (Dario) e Bellini; Écio (Russo), Orlando (Barbosinha) e Coronel; Sabará, Pinga (Pacoti), Teotônio, Roberto Pinto (Valdemar)  e Roberto Peniche. A nova turma do “Pernambuquinho”, treinada por Alfredo Ramos,  era: Gilmar (Cabeção); Egídio, Olavo (Marcos) e Ari Clemente; Benedito (Sidnei) e Oreco; Lanzoninho, Almir (Luizinho), Higino (Bataglia), Rafael e Evanir.   
 No jogo oficial, pelo Rio-São Paulo, Almir não encarou o Vasco, Que teve seu tento marcado por Delém, igualando o placar, aos 56 minutos. O time armado, pelo mesmo Filpo Nuñes, teve: Barbosa; Paulinho de Almeida, Bellini e Coronel; Écio e Orlando Peçanha; Sabará, Roberto Pinto, Delém, Pinga e Roberto Peniche. 
 
MARCADO -  Capa do Nº 30 da “Revista do Esporte” datada de 3 de outubro de 1959, Almir começou a ficar marcado pelas torcidas adversárias do Vasco, devido as confusões em que se envolvia. A pior delas rolou, em 9 de agosto daquele 59, pelo Campeanto Carioca, quando ele disputou um lance e deixou o lateral-esquerdo Hélio, do América, com uma das pernas fraturadas. Xingado pela torcida americana, Almir jurou à “RE” que não tivera a intenção de encerar a carreira do colega de profosissão. “Nunca...tive o espírito de carrasco”, garantiu. Disse mais:” Os gritos de ‘assassino’ que me dirigiram...foram como...setas me perfurando todo o corpo”.

Suspenso, pelo Tribunal de Justiça da Federação Carioca de Futebol, o “Pernambuquinho” – seu apelido – viu no castigo até uma ajuda. Segundo avaliou, poderia não render mais nada para o ataque vascaíno, caso saísse impune do acontecido, devido a tensão que passara a viver. Para ele, os que o atacaram poderiam raciocinar melhor e concluir que, sendo tão jovem, ele não poderia seria burro ao ponto de liquidar a sua carreira em apenas um jogo.  Almir disse, ainda, à revista que o lateral Hélio era um dos seus “melhores amigos” no time do América e que vinha rezando pelo seu restabelecimento, pois não compreendia aquele “incidente”.  E prometeu mostrar a sua classe, “sem precisar usar da deslealdade, já que todos me julgam um carrasco, coisa que nunca fui”, garantiu.
Nesse jogo em que Almir virou “bandidão”, o Vasco caiu,  por 1 x 3, diante de 59.317 pagantes, e ele marcou o chamado “gol de honra” cruzmaltino. O juiz Cláudio Magalhães  e a “Turma da Colina” do dia era dirigida pelo treiandor Francisco de Sousa Ferreira, o Gradim, queescalou: Barbosa, Paulinho de Almeida, Bellini e Orlando; Écio e Coronel; Sabará, Almir, Roberto Pinto, Rubens e Pinga.  
 
O CARA - Almir era visto como um jogador encrenqueiro. Muitos cobravam do treinador Gradim (Francisco de Souza Ferreira) dar um jeito no seu pupilo. Mas o comandante do time vascaíno discordava de quem via um moleque em lugar de um homem. E dizia não admitir brincar coma personalidade de seus atletas. Preferia um Almir bravo,  valente, “que entra no fogo com o maior desprendimento, só cuidando do Vasco”, do que um Almir apático, sem vontade de lutar e sem alma, como falou à revista “Manchete Esportiva” de Nº 126, de 19de abril de 1958.
 Gradim via Almir como um jogador que precedia, em campo, como homem que não aceitava, impassível, um insulto, uma agressão. E apontava-lhe uma grande virtude: não ser mascarado (termo da época para pessoa antipática). Acreditava que o pernambucano, quando tivesse mais experiência, poderia ser tão grande o quanto fora o Leônidas da Silva do Campeonato Sul-Americano de 1932. 
 
 
 

HISTORI&LENDAS DA COLINA - REMOU

1 - Para começar a disputar as provas do remo carioca, o Vasco comprou três barcos: Zoca, canoa de 4 remos; Vaidosa, baleeira de 4 remos, e Volúvel, baleeira de 6 remos. Todas eram de cedro e ficavam guardadas num barracão na Ilha das Moças. A estrEia oficial em competições foi em 13.11.1898. A primeira vitória foi em 4.6.1899, com Volúvel e equipe formada por 7 remadores (Adriano Vieira (patrão), José Freitas, José Cunha, José Pereira, Joaquim Campos, Antônio Frazão e Carlos Rodrigues).COM CANOAS DE CEDRO, o Vasco foi madeira de dar em doido. O barraco que guardava Vaidosa, Volúvel e Zoca ficava na Ilha das Moças.
 
 
2 - O tiro foi a segunda modalidade praticada pelos vascaínos. A partir da década de 1910, ao clube conquistou-se vários títulos. O remo foi tri em 1912, 1913 e 1914, após o bi de 1905/1906. Depois, venceu o Campeonato Carioca de 1919. O futebol chegou em 26.11.1915, após a fusão com o Lusitânia FC. Para se filiar à Liga Metropolitana de Sports Athléticos, o clube promoveu uma coleta entre seus associados para juntar os 500 mil-réis necessários à inscrição.
O BACALHAU era chegado em uma vaquinha.

3 - O primeiro jogo de futebol do Vasco, na Terceira Divisão, foi em 03.06.1916, derrotado, por 10 x 1, pelo Paladino FC. Adão Antônio Brandão marcou o 1º gol. A primeira vitória aconteceu em 29.10.1916, por 2 x 1 sobre a Associação Atlética River São Bento, ainda pela Terceirona.
DAQUELA VEZ, ADÃO não marcou o gol com uma costela.

4 - - O lateral-direito Augusto da Costa foi o capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo-1950. Vascaíno, entre 1945/1954, era carioca, nascido em 22 de outubro de 1922. Em 20 jogos pelo selecionado, obteve 14 vitórias, três empates e três derrotas, tendo sido campeão da Copa Rio Branco-1947 e do Campeonato Sul-Americano-1949. Marcou só um gol nessa sua história selecional.
UM CAPITÃO MUITO ECONÔMICO NOS GASTOS COM AS REDES.

5 - 24 de março de 1931 - O Vasco encarou o uruguaio Sudamérica, amistosamente, em São Januário, com dois árbitros. Começou com Jorge Marinho, ligado ao Fluminense, e terminou com Carlos Scapinachis, atleta e jornalista no Uruguai. Na época, o futebol uruguaio, campeão da primeira Copa do Mundo-1930, e da Olimpíada-1928, era fortíssimo. Até clube sem expressão, como o Sudamérica, que não era da primeira divisão, despertava a atenção dos brasileiros. Reforçado por atletas de Wanderers, Olympia Club, Peñarol e Nacional, aquela galera veio excursionar ao Brasil. O Vasco mandou-lhe 4 x 2, com gols de Mattos (2) e Paes (2), jogando com: Jaguaré, Brilhante e Itália; Tinoco, Fausto e Molla (Nevi); Bahianinho, Paes, Waldemar, Mattos e Sant’Anna.
NOME DO FILME: DOIS APITOS E SEIS GRITOS (DE GOL).

6 - Em 1993, o Vasco foi indiscutível durante a campanha do título da Taça Rio. Nas finais, mandou 2 x 0 e 2 x 1, além de um 0 x 0, com no Fluminense. Foram 16 vitórias, cinco empates e quatro quedas, marcando 47 gols e sofrendo 19. A “Turma da Colina” ainda teve o artilheiro, Valdir, com 19 bolas nas redes.
VALDIR 'BIGODE" FEZ CABELO E BARBA, EM DUAS SESSÕES SEGUIDAS.

7 - 13 de junho de 1976 – O Vasco decidia a Taça Guanabara, com o Flamengo, e a carregou, na decisão por pênaltis, com Zico e Geraldo batendo, para Mazaropi defender. Era dia de Santo Antônio, português nascido em Lisboa. Em um outro jogo, o Vasco perdia, do Fluminense, por 2 X 1. No segundo tempo, Toninho entrou, com a camisa 13, e empatou: 2 x 2.
NA COLINA, rolavam milagres diferentes. SANTO ANTÔNIO não era só casamenteiro.

8  -  O Vasco era favorito absoluto para eliminar o “freguês” Bonsucesso do Torneio Início do Campeonato Carioca de 1934, na tarde de 25 de março. Favoritismo mais do que lógico, pois tinha mais time e a vantagem de oito vitórias, um empate e só duas escorregadas, a partir de 30 de novembro de 1924, no duelo com os rubro-anis. E rolou a bola. Assim que o juiz Jorge Marinho apitou, a torcida cruzmaltina concentrou-se na expectativa dos gols de Leônidas e de Russinho, os seus mais temíveis “matadores”s. Mas quem chegou à rede foi Miro. E o “Bonsuça” foi o classificado, às custas de jogadores com os apelidos de Cozinheiro, Alfinete, e Rebolo. Já o Vasco pisou na bola com: Quarenta; Oswaldo e Itália; Lino, Jucá e Gringo; Eloy, Leônidas, Quarenta, Russinho e Nena.

9 - 6 de janeiro de 1963 - O Vasco iniciou excursão pelo continente americano, goleando o Alajuelense, da Costa Rica, por 4 x 0. Quatro dias depois, iniciava a disputa do Torneio Pentagonal do México, batendo América da capital mexicana, por 1 x 0. Passados mais sete dias, goleou o El Oro, por 5 x 0. Veio, então, o jogo do dia 20, contra o Guadalajara. Este abriu o placar e, lá pelas tantas, o atacante Reyes atingiu, sem bola, o lateral-direito Joel, pelas costas. Recebeu o revide. O árbitro, no entanto, expulsou de campo somente o jogador vascaíno. Brito reclamou e, também, foi excluído da partida. Além disso, o apitador chamou a polícia para retirar os dois punidos do gramado, o que gerou várias interrupções da pugna. Quando nada, o Vasco empatou depois de tanto rebu: 1 x 1. Mas, por causa das baixarias, a imprensa mexicana criticou, fortemente, a “Turma da Colina”, e a Federação Mexicana de Futebol aplicou-lhepesadas multas.

10 - O time vascaíno treinava para o clássico de 2 de dezembro de 1962, pelo returno do Campeonato Carioca, contra o Fluminense. Durante um exercício de dois toques na bola, o ponteiro Da Silva viu os seus meniscos internos do joelho direito estourarem, em lance isolado. Resultado: além da derrota cruzmaltina, por 0 x 2, dois meses depois ele teve de “cair na faca”, em 16 de fevereiro de 1963, quando foi operado, na Casa de Saúde Portugal. O médico vascaíno Jorge de Castro gastou apenas 20 minutos para fazer a cirurgia, que fez o atacante perder uma boa grana. Por causa do problema, Da Silva deixou de participar da excursão vascaína pelo México e Chile, onde a rapaziada conquistou torneios e “bichos gordos”. Foi a segunda vez que ele caiu no bisturi. Anteriormente, havia passado por uma cirurgia de amígdalas

quarta-feira, 24 de maio de 2017

KIKE EDITORIAL, OU O VENENO DO ESCORPIÃO - TÉCNICO BELLE ÉPOQUE

Quando você vê fotos das primeiras décadas do século 20, depara-se com homens usando terno, gravata, chapéu e bengala, quase sempre. Era a “brasucada” vivendo os ares da francesa “Belle Époque”,  que ditou moda, entre 1871 e 1914. 
Milton Mendes não usa terno e gravata para treinar o time....
Pelo Rio de Janeiro, a capital do país, porto de entrada das ideias e modismos europeus, a bossa rolou  por volta de 1889, com a chegada de tempos republicanos, e mandou ver, até, e durou até 1922.
A “Belle Époque”, além da moda de estilistas que a realçariam, também (é claro!) a beleza feminina, trouxe muitas (felizmente) e belas novidades tecnológicos,  artísticos e fez o homem ir pelos ares (leia-se Alberto Santos Dumont).
  A então sociedade patriarcal, machista e preconceituosa, ainda era fortíssima, mas as mulheres conquistavam espaços.
Como se vê, a  “Belle Époque” foi pré-modernista, o que significa que o glorioso Clube de Regatas Vasco da Gama não tem um treinador pós-moderno em sua equipe de futebol. Está 95 anos atrasado, comparecendo ao trabalho trajado como naquela época, inexplicavelmente, em um país de clima tropical que não recomenda paletó e gravata durante prélios do ludopédio.
... mas usa nos dias de jogos, demonstrando faltas de espírito de equipe
 Não há fotografias de nenhum treinador vascaíno trajado à beira do gramado, como durante a “Belle Époque”. Um comandante de grupo que não se veste com o uniforme do clube, quando todos os atletas estão trabalhando como mandam os padrões desportivos, demonstra total falta de espírito de equipe. Idiota imitação de treinadores europeus, que convivem com o clima frio.
Quem trouxe esta idiota imitação para o Brasil foi Zezé Moreira, que não ganhou nada de importante, a não ser torneio regional. Pela década-1950, ele acompanhava o jogo, do túnel, elegantemente vestido, quando o seu Fluminense ganhava por 1 x 0, se muito. A partir de 1978, com a TV mostrando o técnico Cesar Menotti todo produzido “a lá europeus”, começaram a surgir “imitadores  tupiniquins”. 
Durante os anos-1990, após o papelão do futebol brasileiro do Mundial da Itália, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, achava o antigo meio-campista (do Internacional-RS, da Roma-ITA e do São Paulo), Paulo Roberto Falcão tão elegante quanto o alemão Franz Beckenbauer, hábito adquirido (por Falcão, é claro!) em seus tempos de futebol italiano. E o contratou para dirigir o time canarinho. 
Falcão foi um extraordinário jogador de bola. Mas, com treinador engravatado, jamais deu certo, em lugar algum. Veja fotos dos treinadores campeões mundiais pelo Brasil –Vicente Feola, Aymoré Moreira, Mário Jorge Lobo Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Luís Felipe Scolari – e observe que todos estão à beira do gramado usando o uniforme do escrete nacional, exercitando o espírito de equipe. O engravatado Wanderley Luxemburgo, que, também, teve o selecionado nacional sob o comando, só ganhou torneios caseiros, por clubes. Luís Alonso Peres, o santistas Lula; o gremista Waldyr Espinosa; o rubro-negro PC Carpegiani, os são-paulinos Telê Santana e Paulo Autuori e o colorado Abel Braga foram campeões continentais e mundiais interclubes, tabelando na indumentária  com a instituição representada.
O engravatado Milton Mendes, com um terno que lembra um “lambe-lambe” (nada contra a extinta profissão), empatou com o Macaé, que havia perdido os cinco jogos pela Taça Guanabara, e com o Flamengo, por conta de um pênalti, escandalosamente, inexistente, aos 47 minutos do segundo tempo. Venceu, por 1 x 0, Madureira e Boa Vista, por absoluto demérito dos oponentes. Foi às semifinais do Estadual ser a alegria do Fluminense, que mandou-lhe 3 x 0. De nada adiantou o engravatado treinador (como os árbitros de futebol dos inícios do futebol no Brasil) tirar o terço do bolso e pedir ao seu Deus para ajuda-lo – e prejudicar o adversário.  ele não o ajudou, também, diante do Palmeiras, que mandou-lhe 4 x 0, na estreia vascaína no Brasileirão. Só ajudou nos 2 x 1 sobre meio-time reserva do Bahia, no domingo passado.  

HISTORI&LENDAS DA COLINA - DATAS

1 - O Club de Regatas Vasco da Gama, que chegou ao futebol, em 1916, só não pisou no gamado na data 25 de dezembro. Justificável! Afinal, os atletas estão em férias, além de o Brasil ser o país mais católico do planeta. Está celebrando o Natal, o nascimento de Jesus Cristo, segundo a Igreja Católica

2 -  O número de jogos vascaínos nos inícios de janeiro coincide com as datas: um prélio, no dia primeiro, e dois no dia dois. Abrindo a temporada-1954, ficou no 1 x 1 América, em uma sexta-feira, no Maracanã, pelo terceiro turno do Campeonato Carioca. No dois de janeiro, foi ao gramado, em 1921, para vencer 3 x 1 River-RJ, na casa do rival, no bairro carioca da Piedade, em um domingo, com gols de Lamego (2) e Pederneiras. Foi o único amistoso entre os dois clubes. No outro jogo na data, Vasco 2 x 3 Portuguesa-RJ, também, dominical, no estádio da Rua Campos Sales, pelo Campeonato Carioca-1955, com Sabará e Pinga na rede, para a "Turma da Colina". 

3 - Nos 3 de janeiro, foram mais dois jogos, com a balaiada noturna 7 X 0 Seleção da Argélia, em uma segunda-feira do ano 2.000, em São Januário, com entrada franqueada a 10 mil presentes, que assistiram os gols marcados por Donizete (2), Juninho Pernambucano, Romário, Felipe, Dedé  e Viola.
Carlos Jorge Lopes Fernandes Moreira (RJ) apitou e o técnico Antônio Lopes escalou estes feras: Helton; Jorginho (Paulo Miranda), Júnior Baiano (Odvan), Mauro Galvão (Valkmar) e Gilberto (Possato); Amaral (Nasa), Juninho Pernambucano, (Alex Oliveira), Felipe (Helder) e Ramon; DonIzete (Viola), Romário e Dedé.  No outro pega do dia, Vasco 4 X 1 Bonsucesso, em 1953, em um sábado, no Maracanã, pelo Campeonato Carioca. Na rede, as visitas foram de Edmur (2) e Ipojucan (2). O time era dirigido por Flávio Costa e era: Barbosa, Augusto e Haroldo; Ely do Amparo, Danilo Alvim e Jorge Sacramento; Sabará,  Alfredo II, Edmur, Ipojucan e Chico.

75 ANOS DO 1º GOL DO ADEMIR VASCAÍNO

Era um domingo. A torcida cruzmaltina vivia a expectativa de assistir Ademir Menezes balançar a rede. E foi, para o estádio da Rua Conselheiro Galvão, acompanhar a quarta partida vascaína do atleta pernambucano, que não marcara gol durante a estreia e os dois jogos seguintes – 05.04.1942: Vasco 0 x 0 América; 12.04: 1 x 5 Madureira e 26.04: 1 x 1  Flamengo. 
Ademir Marques de Menezes encantara aos vascaínos durante excursão do selecionado pernambucano, pelo sul/sudeste do país, com 11 titulares e vários reservas do Sport Recife, razão de a imprensa noticiar os amistosos como sendo do "Leão da Ilha". Foram 10, vitórias, dois empates, duas derrotas, 46 tentos marcados e 29 levados. 
No 1º de maio, aproveitando o feriado do “Dia do Trabalho”, o Vasco convidou a equipe pernambucana a encará-lo, no estádio da Rua Campos Sales. O treinador uruguaio Ondino Viera ainda estava desenhando a engrenagem do assombroso “Expresso da Vitória”, que começaria a entrar nos trilhos, em 1944, para tornar-se uma das máquinas mais poderosas do futebol mundial, pelos próximos oito anos. 

ROLOU A PELOTA  – Era normal, para o torcedor vascaíno, a sua patota abrir 3 x 0 de frente – Villadoniga (2) e Nino – sobre adversários nordestinos.  Não fazia mais do que a sua obrigação. No entanto, aos 30 minutos do primeiro tempo, um rapaz magrinho, com uma cabeleira invocada,  repartida do lado esquerdo, foi lançado e,  como se tivesse um motor a propulsão a jato, diminuiu o placar do primeiro tempo: Vasco 3 x 1.

A segunda parte da surpresa veio durante a etapa final. Aos dois minutos, Valfredo encostou o visitante no escore da partida: 2 x 3. Aos 6 e aos 7, em outros dois grandes lances, Ademir virou a história, para 4 x 3. Surpreendente? Aos 18, Nino colocou a casa em ordem: 4 x 4. Ninguém, n entanto, esperava que Pirombá derrubasse os anfitriões: 5 x 4, aos 27 minutos. Incrível!
Surpresa acontecida, foi a vez de o Flamengo, também, desafiar os pernambucanos. Três dias depois, levou  3 x 1, no mesmo estádio, sem Ademir visitando o barbante, mas fazendo outra boa atuação – Pirombá (2) e Beressi marcaram os gols dos vitoriosos. 

CORRIDA PELO CRAQUE – Quem vira, quisera ter Ademir em seu time. Menos a mãe dele, a inegociável Dona Otília Menezes, que não abria mão de ter o filho usando o anel de dentista – era estudante universitário, em Recife. Só concordaria com uma eventual saída do rapaz de casa se o clube que o levasse  garantisse a sua matrícula em uma faculdade de sua cidade. Não queria vê-lo só “doutor em gols”.

Já que ter Ademir em seu ataque dependia de transferência escolar, ficou fácil, para o Vasco. Afinal, o seu presidente, Cyro Aranha, era irmão do ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha. Então, os cartolas vascaínos colocaram 40 contos de reis na mão do “Coronel” Menezes – primeiras luvas pagas pelo futebol brasileiro – e mais 800 ao Sport, e levaram o craque, que tinha o Fluminense como o mais duro pretendente a ser batido.                                                                                             Voltemos ao parágrafo lá de cima. Nele, a galera vascaína estava nas arquibancadas do estadinho da Rua Conselheiro Galvão à espera do primeiro gol de Ademir. Confere? Pois bem! O juiz Rubem Pereira Leite mandou a bola rolar e a rapaziada cruzmaltina abriu dois gols de frente, marcados por Nino. O “Bonsuça” apertou e diminuiu, mas Villadoniga voltou a folgar o Vasco no placar. E, até que, enfim, Ademir saiu para o abraço: 4 x 1 e o seu primeiro dos 301 gols marcados em 429 partidas pelo time da Colina – Valter, Florindo e Oswaldo; Figliola, Zarzur e Dacunto; Alfredo, Ademir, Nino, Viladoniga e Orlando  foi o Vasco do seu primeiro tento. Depois, ele o ajudou a ser campeão carioca-1947/49/50/52/56 e sul-americano-1948, no Chile, primeiro título de um clube brasileiro no exterior.