Vasco

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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - AZUMIR

 Seguramente, o emprego do camisa 9 de um time de futebol não é fácil. Se não marcar gols, ele terá a mãe mais xingada do que a do juiz. Sem falar que a porta da rua do clube estará aberta pra ir embora. De preferência, o quanto antes.
Caso vivido por um vascaíno. Mas por pouco tempo. Chamava-se Azumir Luís Casemiro Veríssimo, era carioca e viveu entre 7 de junho de 1935 e 2 de dezembro de 2012, por 77 temporadas.
Cria do Madureira, o atacante chegou a São Januário, em 1961, depois de ter sido convidado a se retirar de Bangu, Flamengo Botafogo e Fluminense. Sorte dele que a sorte o estava esperando numa curva portuguesa, com certeza.
Negociado, com o Futebol Clube do Porto, no mesmo ano em que tornou-se vascaíno, Azumir, finalmente, conseguiu garantir o seu emprego de centroavante, tornando-se o principal “matador” do Campeonato Português da temporada 1961/1962. Mandou 23 bolas ao filó.  De quebra, foi o primeiro atleta do clube a ganhar a “Bola de Prata”, importante troféu do futebol europeu da época. 
Na sua segunda temporada pelos "Dragões", Azumir voltou a ser o principal "matador" da equipe, com 17 tentos. Na terceira, apenas três, em cinco partidas.
 Para os torcedores do Porto, era “inintendível” com o Vasco da Gama pudera dispensar um artilheiro daqueles. “Coisa de brasilairo!”, diziam. Azumir foi ídolo da torcida do Porto até 1964. Depois,  ciganou por Covilhã, Barreirense, Beja e Tirsense. 

Fotos reproduzidas de www.esrtrelasdofcporto.blogspo.com.br 

LENDAS DA COLINA - RAMALHO


Ramalho clarinando no meio da galera, junto a Dulce Rosalina
O primeiro grande jornalista esportivo brasileiro, Mário Filho, dizia ter o Maracanã sumido com com a figura do torcedor. Fora trocado pela "multidão compacta".
Mário sentia saudade do tempo em que os torcedores eram conhecidos nos pequenos estádios, tinham a sua voz ouvida. No Maracanã, só um era ouvido: Domingos do Espírito Santo Ramalho.
Quando o Vasco da Gama jogava, Ramalho ia ao Jardim Gramacho, em Caxias, e cortava talos de mamão, para transformá-los em clarins. Levava, sempre, dois, para não passar por apertos, caso um dos seus "instrumentos" falhasse.
As clarinadas do Ramalho eram sagradas. Até o dia em que o glorioso Club de Regatas Vasco da Gama expediu-lhe uma carta, comunicando-lhe de que ele estava banido do seu quadro associativo, po falta de pagamento.
Ele só não passara por tal vergonha, antes, porque o diretor de futebol cruzmaltino, Antônio Calçada, pagara um ano inteiro de suas mensalidades.
 Vencida a benesse, Ramalho não tinha como honrar o compromisso, pois a sua renda – era estivador no cais do porto do Rio de Janeiro –, malmente, dava para alimentar a família, de cinco filhos. 
Devido ao inesperado sucedido, o desolado Ramalho foi ao Calçada e mostrou-lhe o 'memorandum' do clube. Que horror! Logo com ele? Tudo o que sempre mais quisera daquela sua vidinha de trabalhador e torcedor era dizer: "Sou sócio do Vasco!" E exibir a sua carteirinha.
Por aqueles dias em estivera banido do Vasco que tanto amava, o abatido Ramalho não compareceu ao Maracanã, para expandir as suas clarinadas durante os jogos contra o América (1 x 1, em 02.10.1954) o Flamengo (1 x 2, em 17.10.1954), pelo Campeonato Carioca. Pior para a "Turma da Colina". A rapaziada perdeu altura no voo do "Urubu" e enganchou nos chifres "Diabo".
 Para os craques vascaínos, o motivo daqueles dois insucessos não seria outro. Seguramente, a falta que haviam sentido do som do Ramalho. E foram se queixar ao Calçada.
Motivo mais do que definido para os dois tropeços cruzmaltinos, o Calçada pressentiu que era preciso encontrar o Ramalho, rápido. Se possível, pra ontem! Caso contrário, os jogadores iriam ficar esperando pela suas clarinadas, que não ouviam mais, e poderiam complicar a vida do time no campeonato.
Imediatamente, Calçada chamou o presidente Artur Pires e o diretor José Rodrigues, e se mandaram, em busca do Ramalho. O Pires, por sinal, fizera questão, absoluta, de integrar a comitiva. Eles  vasculharam as fichas dos sócios e localizaram a casa do Ramallho, em Barreira do Vasco, pertinho de São Januário. Mas o carinha não morava mais por lá. Mudara-se, para Bonsucesso. Foiram-se, então, os três para a Zona Norte carioca. Pergunta daqui, dali, dacolá, de repente, ficaram sabendo do que queriam e até que o procurado havia passado por uma cirurgia.
Enfim, o trio de cartolas encontrou a casa do Ramalho. Quando o Cadillac do presidente Arthur Pires parou diante de uma humilde casinha, Calçada bateu à porta, foi atendido por um garoto, mas quem apresentou-se foi Artur Pires. No ato, um garoto gritou: "Mãe! É o presidente do Vasco!"
O "músico mamoneiro" Ramalho não estava. Naquele instante, trabalhava no cais do porto. Mas não estava operado? Calçada esperava encontrá-lo acamado.
A mulher do Ramalho, no entanto, deu-lhes uma boa nova: o seu marido vinha tendo uma bela recuperação – da cirurgia em um calo na boca, provocado pelas suas clarinadas. "Graças a Deus, está melhor", disse ela.
Diante da boa notícia, Calçada e Pires enfiaram as suas mãos nos bolsos das suas respectivas calças e avisaram que o Vasco pagaria todas as despesas da operação que tirara o Ramalho de combate. Se este achava que as suas clarinadas davam sorte ao time, eles também. E Calçada fez mais: pagou toda a dívida do sócio banido, por mais um ano. Deixou o Ramalho recuperado, associativamente, pronto para voltar a exibir a sua carteirinha. O Vasco precisaria das suas clarinadas, no domingo. Que estivesse, sempre, com a saúde em dia.
                FOTO REPRODUZIDA DE MANCHETE ESPORTIVA