Vasco

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sábado, 31 de dezembro de 2011

KLIKE BALL AND VASCO DA GAMA

This is a blog dedicated to the research of the history of Club de Regatas Vasco da Gama , founded in Rio de Janeiro , Brazil , on August 21, 1898 , four young practicing rowing - Henrique Ferreira Monteiro , Luís Antônio Rodrigues , José Alexandre D' Avelar Rodrigues and Manuel Teixeira de Sousa Júnior - in honor of the portuguese explorer discoverer of the sea route to India. Until 1915, Vasco da Gama only competed in rowing. From the following year when he joined the football, it became one of the most admired clubs in the country, for its stance against social injustice.
 
 Currently has one of the largest Brazilian twisted . Nacional champion on four occasions, the Vasco team also has win continental the title on two other occasions , and various international This is a blog dedicated to the research of the history of Club de Regatas Vasco da Gama , founded in Rio de Janeiro , Brazil, on August 21, 1898 , four young practicing rowing - Henrique Ferreira Monteiro, Luís Antônio Rodrigues, José Alexandre D' Avelar Rodrigues and Manuel Teixeira de Sousa Júnior - in honor of the portuguese explorer discoverer of the sea route to India.
Until 1915, Vasco da Gama only competed in rowing. From the following year when he joined the football, it became one of the most admired clubs in the country, for its stance against social injustice. Currently has one of the largest Brazilian twisted. Nacional champion on four occasions, the Vasco team also has won continentel the title on two other occasions , and various international tournaments. The Vasco da Gama uses stark white shirt, or black with a diagonal band (black or white).
 
It is the caravel of portuguese maritime chievements, bringing the Cross of the Order of Christ in red. The shorts and socks are also the shirt , white or black .Vasco da Gama has a stadium, located in General Almério de Moura , opened in 1927 , and was once the largest in Brazil . Kike Ball search to cruzmatina history since december 15, 20010 , having been visited by 120 000 "vasconautas" .The shield you see has been reproduced from the official website do clube - www.crvascodagama.comcombr - to which we appreciate. Besides being good at soccer, Vasco da Gama has dirty twisted in the most beautiful women on the planet. Just check the ones you see in the pictures above and below. Gives?  And you are welcome to Kike Ball. 













 








  



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CORREIO DA COLINA - GOIANOS

 "Quando foi o primeiro jogo do Goiás, o meu time, contra o Vasco?" Josélio Pimenta Rodrigues, de Luziânia-GO.
O seu Goiás Esporte Clube é um tradicional “freguês” vascaíno, Jô. Desde 12 de julho de 1958, data do primeiro pega, amistosamente, quando a “Turma da Colina” mandou 6 x 0. Dez anos depois, em 10 de outubro, houve um segundo amistoso, com 2 x 1 cruzmaltinos. Só a partir de 1973 começaram os jogos oficiais entre eles, pelo Campeonato Brasileiro.
O “Almirante” domina as estatísticas, mas o seu principal adversário na região Centro-Oeste lhe mandou 4 x 0, em 7 de outubro de 1995, pelo Brasileirão, no Serra Dourada, em Goiânia. Foi o maior vexame vascaíno nessa relação. Aconteceu em um sábado, diante de 9.096 almas que pagaram R$ 78 mil.630 cruzeiros (moeda da época) para verem o prejuízo carioca no placar, acrescido da expulsão de campo de Pimentel.
Treinado por seu ex-apoiador Carlos Aberto Zanata, o time vascaíno do dia foi: Carlos Germano; Pimentel, Cláudio Gomes, Alex Pinho e Jefferson; Luisinho Quintanilha, Cristiano, Juninho Pernambucano e Richardson (Bruno Carvalho); Valdir “Bigode” e Leonardo Pereira (Brener).

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ÁLBUM DA COLINA - TELÊMACO FRAZÃO - PÁGINA-1941

                                           O gaúcho Telêmaco Frazão de Lima foi um dos
                                                      comandantes do time cruzmaltino

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CORREIO DA COLINA - DEVEDOR

 1- "Um amigo diz que o Flamengo tem uma divida de 500 anos com o Vasco em 500. Do que se trata?” Evandro Ferreira, de Taguatinga-DF.
Prezado Vandão! O “Kike”nunca ouviu falar disso, mas imagina que deva ser algo relacionado aos 5 x 1 de 23 de abril de 2000, quando festejava-se os 500 anos do descobrimento do Brasil. Era dia de São Jorge, mas São Januário era o santo forte da paróquia. Naquele dia, a rapaziada sapecou 5 x 1 nos flamenguistas, com Romário (3), Felipe e Pedrinho arrancando as penas do 'Urubu', diante de 53.750 torcedores. A superioridade vascaína foi tão grande que valeu deboches. Pedrinho chegou a fazer embaixadinhas, o que o rival não gostou e partiu para a briga, que terminou com três expulsões de campo, de cada lado – Odvan, Viola, Alex Oliveira (Vsc), Luís Alberto, Beto 'Cachaça' e Fábio Baiano (Fla). Treinado por seu ex-zagueiro Abel Braga, o Vasco massacrou com: Helton; Paulo Miranda, Odvan, Mauro Galvão e Gilberto; Amaral, Nasa, Felipe e Pedrinho; Viola e Romário. Valeu?

2 - "E verdade que os mais de mil gols de Pelé e de Romário são fictícios?" Jovino Dantas, de Propriá, em Sergipe.
Seguinte, grande Jove! Quem patrocina esta tese é a revista paulista “Placar”, a principal do setor esportivo brasileiro. Para aos seus pesquisadores, nem o “Rei Pelé” milesimou. A publicação da Editora Abril só considera jogos oficiais, o que “desmilha” o “Camisa 10”, deixando-o bem longe das 1.283 bolas no filó lhe atribuídas. Com relação a Romário, "Placar" confisca 106 tentos do "Baixinho", principalmente, porque 77 foram em jogos infantis e juvenis e 29 em partidas festivas. No entanto, para o“Kike”, se a bola rolou, passou pelo goleiro e bateu na rede, é gol! Ou não é? A torcida vibra. Antes de ser profissional, Romário não disputa campeonatos federados das categorias de bases? Porque tais jogos e os amistosos não devem valer na contagem do placar?
Metodologias à parte, o “Baixinho” superou o “Rei” em gols oficiais. Se, entre 1957 e 1977, Pelé marcou 720, como quer “Placar”, Romário chegou a 722, de 1985 a 2007. O ídolo vascaíno ganha em um outro lance: maior número de “artilharias”. São 27 comandos de pelotões, em 87 competições oficiais, contra 24 de Pelé, em 63 disputas do mesmo nível. O cruzmaltino teve, ainda, a ponta do Campeonato Brasileiro-2000, ganho pelo Vasco, e que uma briga entre cartolas terminou por transformá-lo em Copa João Havelange.


3 - "Por onde anda o antigo atacante Amarildo, que encerrou a carreira no Vasco?” Jovino Alves, de Pires do Rio-GO
O glorioso Amarildo Tavares Silveira, nascido em Campos-RJ, está aposentado e residindo no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Diariamente, pela manhã, ele sai a passear com os seus cachorros e passe pela frente do Maracanã, do qual é vizinho. Amarildo foi vascaíno de 1973 e 1974. Antes, passou por Goytacaz-RJ (1956/57); Flamengo (1958); Botafogo (1959/63); Milan-ITA (1963/67); Fiorentina-ITA (1967/71) e Roma-ITA (1971/72). Seu grande momento foi a Copa do Mundo-1962, no Chile, substituindo o contundido Pelé, em quatro jogos, com 3 gols, dois nos 2 x 1 sobre a Espanha e um nos 3 x 1 contra a então Techecoeslováquia. Amarildo totalizou 25 jogos pela Seleção Brasileira – 17 vitórias, 3 empates e 5 derrotas –, com 9 tentos, em 22 partidas contra seleções nacionais – 15 vitórias, 3 empates, 4 derrotas e 7 gols. Diante de clubes e combinados teve mais três duelos. Venceu dois, perdeu um e mandou duas bolas nas redes. Seus títulos pela Seleção: Taça Oswaldo Cruz-1961/62; Taça Bernardo O'Higgins-1961 e Copa do Mundo-1962, a única que disputou. Ele tinha o apelido de “Possesso”, por ser muito agitado durante as partidas. 

 
 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

VASCO JÁ JOGOU NO DIA DO NATAL




 





 







 
 


 



Em 10 de abril de 1938, pelo Torneio Início,  nas Laranjeiras, a rapaziada venceu o Madureira, por 3 x 0, mas foi eliminado, no jogo seguinte, pelo Botafogo. Entre 21 de abril e 14 de agosto, rolou Tornei Municipal, sobrando om terceiro lugar. No Campeonato Carioca,   a moçada estreou estragando a festa do Flamengo, que inaugurava o seu estádio. Mandou 2 x 0 no mairo rival, em quatro de setembro.

 Você é, realmente, um grande conhecedor da história do glorioso Club de Regatas Vasco da Gama? Então, prove. Diga quem é o goleiro que está entre Brito e Oldair, ao lado de Fontana. Diga, também, quem são os dois primeiros à esquerda, em pé. Pra fechar o teste, quem são os pontas-direita e esquerda?  Eles ladeiam Bianchini, Nei Oliveira e Danilo Menezes. E de que ano foi esta formação?

You are really a great connoisseur of the glorious history of Club de Regatas Vasco da Gama? Then prove. Tell me who is the goalkeeper who is between Brito and Oldair, standing next to the Fontana. Say, also, who are the first two left standing. To end the test, who are the right and left ends? They flank Bianchini, Nei Oliveira and Danilo Menezes. And what year was this training?
  
 Embora o “Initium”, como a imprensa escrevia, tivesse sido jogado quase cinco meses antes, o campeonato estadual demorou a começar devido a Copa do Mundo, torneio em que o time brasileiro ficou em terceiro lugar e consagrou o atacante Leônidas da Silva, o principal artilheiro da competição e que motivou a galera. 
 Depois de bater no "Urubu", o "Almirante" seguiu invicto: 4 x 1 Madureira; 2 x 2 Bonsucesso; 3 x 3 São Cristóvão; 0 x 0 Botafogo; 3 x 0 América; 2 x 0 Bangu e 1 x 1 Fluminense. Era uma campanha de candidato ao título. Veio o segundo turno e a invencibilidade prosseguiu: 2 x 1 Flamengo; 2 x 1 Madureira e 2 x 2 Bonsucesso.  Só em 11 e 18 de dezembro o time escorregou ante Botafogo e América. E quem esperava bola de recesso pela noite do Natal enganou-se. O Vasco foi ao gramado de São Januário e voltou a capotar, desta vez diante do Bangu, por 4 x 1.
 Este foi o único jogo do Vasco nos 25 de dezembro.  Depois dele, recuperou-se goleando o São Cristóvão, por 7 x 1, e  voltou a cair – ante os tricolores – –, o que lhe deixou em quarto lugar, com 19 pontos em 16 jogos, com sete vitórias e cinco empates, marcando 37 tentos.
VASCO 4 X 1 BANGU -  O único jogo dos 25 de dezembro, naquele 1938, teve apito de Sahcnez Diaz e o gol vascaíno marcado por Fantoni. O time alinhou: Joel, Jaú e Florindo; Aguirre, Aziz e Marcelino; Lindo, Alfredo, Fantoni, Villadoniga e Luna.
 (Foto de Leônidas da Silva, quando defendeu o Vasco, em 1934, reproduzida de http://www.crvascodagama.com.br/. Agradecimentos.


A estreia de Roberto Dinamite, em um domingo, marcando os dois gols da vitória do Barcelona, sobre o Almeria, por 2 x 1, foi saudada pela imprensa espanhola. O jornal "AS" estampou, em sua primeira página: "Chegou, viu e marcou". E acrescentou que " a boa técnica e o desejo de agradar, por parte de Roberto, foi prejudicado pelo desconhecimento dos seus companheiros de jogo e pela pobreza do conjunto da equipe".   

De sua parte, o diário  "Marca" chamou o atacante contratado junto ao Vasco da Gama de "Roberto Salva-vidas". E disse mais: "Não é de se estranhar que "Dinamite", vindo do Rio de Janeiro, onde joga um futebol inteligente e técnico, fizesse o que fez domingo".

O jogo foi no estádio do "Barça" e o Dinamite marcou o seu primeiro tento, a 11 minutos do final, cobrando pênalti. O segundo saiu aos 90 minutos. "Ficando livre, por alguns segundos, da vigilância de Maxi, Roberto aproveitou-se de descuido do seu marcador para controlar a bola na entrada da área e desferir um chute cruzado que, roçando em um defensor, vazou a meta do Almeria, batendo, antes, em uma das traves. "Não poderia ter sido melhor a estreia do brasileiro, mesmo não tendo realizado muita coisa", concluiu o "Marca".


A estreia de Roberto Dinamite, em um domingo, marcando os dois gols da vitória do Barcelona, sobre o Almeria, por 2 x 1, foi saudada pela imprensa espanhola. O jornal "AS" estampou, em sua primeira página: "Chegou, viu e marcou". E acrescentou que " a boa técnica e o desejo de agradar, por parte de Roberto, foi prejudicado pelo desconhecimento dos seus companheiros de jogo e pela pobreza do conjunto da equipe".   

De sua parte, o diário  "Marca" chamou o atacante contratado junto ao Vasco da Gama de "Roberto Salva-vidas". E disse mais: "Não é de se estranhar que "Dinamite", vindo do Rio de Janeiro, onde joga um futebol inteligente e técnico, fizesse o que fez domingo".

O jogo foi no estádio do "Barça" e o Dinamite marcou o seu primeiro tento, a 11 minutos do final, cobrando pênalti. O segundo saiu aos 90 minutos. "Ficando livre, por alguns segundos, da vigilância de Maxi, Roberto aproveitou-se de descuido do seu marcador para controlar a bola na entrada da área e desferir um chute cruzado que, roçando em um defensor, vazou a meta do Almeria, batendo, antes, em uma das traves. "Não poderia ter sido melhor a estreia do brasileiro, mesmo não tendo realizado muita coisa", concluiu o "Marca".


Isso é o que se chama de "tá mais do que na cara". "Almirante" fica em cima do muro do "Placar", observando a "Estrela Solitária": 1 x 1. É o que conta a chamada de capa da revista paulistana que tem o nome das antigas tabuletas que marcavam os escores das partidas em andamento. Confere?


Pelas décadas-1980/1990, a revista “Placar”, da Editora Abril, tinha um gato como personagem humorístico. Quem quisesse participar  de sua seção deveria escrever para  “A Cesta do Gato”, Caixa Postal 2372, CEP 01051,São Paulo-SP. O espaço era o do tradicional  cartas do leitores, que vem atravessando a história das revistas brasileiras. Em duas páginas, a primeira trazia o nome ‘CARTAS, em  letas maiúsculas, e o desenho do “bichano”, usando aquelas antigas máquinas de datilografia, para responder às “missivas”.  Era algo muito engraçado, bem divertido, como sempre fora a seção, desde o início da revista, em 1970, com leitores trocando farpas e caçoando com os times adversários

Pelo Nº  1036, de 27 de abril de 1990, os leitores vascaínos ocuparam o balaio do gato. Caso de Sonfirere S. de Oliveira, de Açailândia-MA. Ele queria  se corresponder com torcedoras do Vasco, de 15 a 20 anos, para falar de suas vidas particulares. E avisava não ter preconceitos de cor e nem de raça.

Desenhado sentado em uma bola (foto), com cara de injuriado, o gato pensava: Tem gente que não se enxerga”. E classificava o sujeito de nome esquisito de “O pentelho da semana”.
Enquanto isso, Nei.M.M.Filho, do RJ, mandava dizer que o Vasco jamais conquistaria a Taça Libertadores enquanto fosse treinado por Alcir Portella, o qual via entendendo tanto de futebol quanto um astronauta norte-americano de feijoada. Sob o título “Um técnico fora de órbitas”, o gato respondia: “Sei não, mas acho que estão querendo mandar o Alcir para o espaço” – em cima do lance!  
Do lado carioca, Amarildo Alves do Carmo, da tocantinense Araguaína, mexia com os flamenguistas, dizendo-se com um problema: faltava-lhe espaço para colocar tantos "posters" do Vasco campeão na parede. E sugeria que os rubro-negros vendessem os deles para um museu. Abaixo do título “ANTIGUIDADES”, a resposta: “...do jeito que a coisa vai na Libertadores e no Carioca, acho melhor vocês se unirem  para montar um grande museu. Convidem Zico e Dinamite para prestigiar a festas e lembrar dos bons tempos”.
Seguinte: o vascaíno Amarildo cartava a conquista de sete títulos, entre 1987 e 1989 (uma Copa Ouro/EUA; um Brasileirão; bi carioca e tri do espanhol Torneio Ramón de Carranza), enquanto o Flamengo estava há quatro anos sem "canecos" estaduais e há sete sem nacionais. Quando o gato, sugeriu convidar os grandes goleadores dos dois times para relembrar velhos tempos, era porque, naquela temporada-1990, os dois times andavam pisando na bola.
Mais uma? De Campo Grande-MS, Aristeu F. Gonzaga pedia ao gato para tirar uma dúvida, que valia uma "APOSTA" (título). Ele jurava que não, mas um amigo  dizia que o zagueiro Fontana era vascaíno quando disputara a Copa do Mundo-1970, no México. O gato informava que o capixaba José de Anchieta Fontana já era um cruzeirense.   

Quando o Vasco negociou o passe (sistemática antiga de transferência de atletas, abolida pela Lei Pelé), o carinha saiu destas plagas batendo nos cartolas mais do que nas suas maiores vítimas, os goleiros. Como você pode ler no balão da charge, ele considerava o futebol brasileiro desorganizado e repleto de dirigentes desonestos.
A charge do Romário no auge da juventude foi criada por Orlando, para a edição de Nº 959  da revista "Placar", que circulou com data de 21 de outubro de 1988, dentro da seção "A Semana".
 Capilarmente, bons tempos aquele  em que o hoje quase careca senador eleito pelo Rio de Janeiro, com 60 milhões de votos, ainda era da turma dos cabeludos. Enfim, tudo em casa. Romário deixava a vida dos camisas 1 cabeluda, ficando careca de fazer gols.
Como politico, deve ter achado, também, o caminho do gol, pois ganhou elogios atrás de elogios, sem falar, é claro, da resposta  dos "peixes" na rede, isto é, na urna.

When Vasco negotiated the pass Romario (formerly systematic transfer of athletes, abolished by Pelé Law), the guy left these shores hitting the top hats, more than in its main victims, goalkeepers. As you can read in the cartoon balloon, he considered the Brazilian football disorganized and full of dishonest leaders.
The Romario of charge in the prime of youth was created by Orlando for editing # 959 of "Score" magazine, which circulated dated October 21, 1988.
  Capillary, good times that in which the balding senator elected today by Rio de Janeiro, with 60 million votes, was still the class of hairy. Anyway, all at home. Romario made life shirts 1 hairy, balding to score goals.
As political, must have thought, too, the way the game because won praise after praise, not to mention, of course, the response of "fish" in the network, that is, in the ballot box.

“Sou fã de remo e gosto de acompanhar o seu blog. Moro no Rio de Janeiro e cheguei atrasado ao calçadão, por problemas no carro. Não peguei mais nenhuma regata. Mas comemorei o tri do Trofeu Brasil, há cinco anos”. “Bruno Rezende.
Brunão! Da próxima vez, arreie umas cervejinhas a menos, nas baladas do sabadão, para não culpar o carro. Você acha que me engana? Vascaíno conhece todos os golpes possíveis e imagináveis. Mas, tudo bem!  O que importa é o caneco.
O Vasco sagrou-se tri do Troféu Brasil de Remo, em 6 de dezembro de 2009, após ganhá-lo, também, em 2008 e em 2007, evidentemente. Foram cinco vitórias nas 12 finais do tri, em uma manhã de domingo de sol escaldante na Lagoa Rodrigo de Freitas. Na realidade, a rapaziada só comprovou que não dava para ninguém lhe tirar as faixas. Antes de sair no braço, estava na ponta, com quatro triunfos, contra dois do concorrente mais próximo.
O Vasco levou aquela no single skiff feminino (leve), com Camila Carvalho; four skiff feminino, com Dayane, Natasha, Kissya e Camila; double skiff masculino (leve), com Henrique Motta e Alexis Mestre; single skiff feminino (sênior), com Camila Carvalho; e o oito, remado por Renato, João, Gustavo, Alexis, Rangel, Marco, Thiago, Felipe e Castro (patrão). Abração, Bruinão. No próximo título, guarde umas cervejinhas pra gente também.
O "Kike da Bola" procura, para compra, este CD, gravado por Tim Maia, contando o hino do Vasco, em forma de "dance music". Caso você o tenha, ou saiba de alguém que o tem e queira vendê-lo, informe, que uma eventual compra seria para o arquivo do blog. Combinado?


















sábado, 24 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL, GALERA VASCAÍNA!

 


 
   O Kike  gosta do espírito natalino, mas não estabelece limites para credos. Aceita todas as tendências que preguem o bem, ensinem o crescimento do homem. Então, diante da multiplicidade  de opções religiosas, pra você que é cristão, um Natal bola na rede. De placa!
 (Foto reproduzia de www.crvascodagama.com.br .

The Kike like the Christmas spirit, but sets no limits on creeds. It supports all tendencies that preach good, teach man's growth. So, given the multiplicity of religious options, for you who are Christian, a Christmas ball in the net. Card!
  (Photo reproduced from www.crvascodagama.com.br.





sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A BELA DO DIA - JANE


A homenageada de hoje é a gloriosa Dona Jane, a mulher um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, o meia Zizinho, que disputou dois amistosos com a camisa do Vasco e era o ídolo do "Rei Pelé". Jane foi uma das morenas cariocas mais lindas de sua época. A foto mostras isso. Neste abraço ao "Mestre Ziza", como a imprensa chamava o craque, maior nome da Copa do Mundo-1950, ela despedia-se  dele, que partia para um compromisso da Seleção Brasileira no exterior
.
The honoree today is the glorious Mrs. Jane, the wife of one of the best players in the history of brazilian football, Zizinho half, the idol of "King Pelé". Jane was one of Rio's most beautiful brunettes of his time. The photo shows it. In this embrace of the "Master Ziza," as the press called the ace, biggest name World Cup-1950, she said goodbye to him leaving for a commitment from the Brazilian National Team abroad. (foto reproduzida de Manchete Esportiva).

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ÁLBUM DA COLINA - EXPRESSO DA VITÓRIA



A foto era dos tempos do "Expresso da Vitória", quando o Vasco tinha um dos times mais fortes do planeta, entre as décadas-1940/1950. Em conquista de títulos, merecia edição especial, caso desta, de "Esporte Ilustrado". Da esquerda para a direita, em pé, você vê: Barbosa, Augusto, Laerte, Jorge, Danilo e Ely do Amparo; agachados, na mesma ordem: Mário Américo (massagista), Alfredo II, Ipojucan, Ademir Menezes, Maneca e Djayr.
The photo is of the times the "Expresso da Vitória" when Vasco had one of the strongest teams on the planet, between décadas-1940/1950. In winning titles, deserve special issue, this case of "Sports Illustrated." From left to right standing, you see: Barbosa, Augusto, Laertes, Jorge, Danilo and Ely do Amparo; crouched in the same order: Mario Américo (masseur), Alfredo II, Ipojucan, Ademir Menezes, Maneca and Djayr.

sábado, 17 de dezembro de 2011

CORREIO DA COLINA - TATO NA COLINA

 "Apostei com um amigo (vascaíno), que o ponta-esquerda Tato não jogava em nosso time campeão brasileiro em 1989". Everaldo Antônio da Silva Filho, de São Sebastião do Passé-BA.

Everaldo! Pague a aposta, pois, naquela campanha de 9 vitórias, 8 empates e duas quedas, Tato não só jogou, como marcou um dos 27 gols da rapaziada (16 contra). Não se lembra que a imprensa sacaneava, dizendo que o Vasco tinha a dupla caipira Tita e Tato? Pois tinha mesmo. O treinador Nelsinho Rosa armava este time-base: Acácio; Luis Carlos Winck, Marco Aurélio, Quiñones (Célio Silva) e Mazinho (Cássio); Zé do Carmo, Marco Antônio Boiadeiro (Andrade) e William (Tato); Bebeto (Vivinho), Sorato (Tita) e Bismarck.
Agora, anote os números da campanha: 07.09.1989 - Vasco 1 x 0 Cruzeiro. Gol de Vivinho; 10.09 - 1 x 1 Coritiba (Vivinho); 17,09 - 2 x 1 Santos (Bebeto e Marco Antônio "Boiadeiro"); 24.09 - 2 x 2 Bahia ( Bismarck (2); 01.10 0 x 0 Fluminense; 04.10 4 x 1 Goiás (Mazinho, Bebeto, Célio Silva e Bismarck); 08.10- 3 x 1 Grêmio-RS (Bismarck (2) e William): 18.10 - 0 x 1 Palmeiras; 21.10 - 0 x 0 Portuguesa-SP; 25.10 - 1 x 0 Sport (Tato); 29.10 - 0 x 0 São Paulo; 05.11 - 0 x 2 Flamengo; 11.11 - 2 x 2 Inter de Limeira-SP (Tita e Bismarck); 19.11 - 4 x 2 Náutico-PE (Cássio, Bebeto (2) e Bismarck); 26.11 - 1 x 1 Atlético-MG (Bismarck); 29.11 - 2 x 2 Botafogo (Tita e Sorato); 03.12- 1 x 0 Corinthians (Sorato); 10.12 - 2 x 0 Internacional-RS (Bebeto (2); 16.12 - 1 x 0 São Paul (Sorato).

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

FOTO DO DIA - SELEVASCO-1989




Em pé, da esquerda para a direita, Mazinho, Luís
Carlos Winck, Zé do Carmo, Quiñones, Odvan e Acácio; agachados na mesma ordem, William, Sorato, Marco Antônio Boiadeiro, Bebeto e Bismarck.   

Na tarde de 16 de dezembro de 1989, o Vasco foi ao estádio do Morumbi e venceu o São Paulo, por 1 x 0, com gol marcado por Sorato, e conquistu o seu segundo título de campeão do futebol brasileiro. 
 
).


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

KIKE FECHA PRIMEIRA TEMPORADA

http://www.kikedabola.blogspot.com/ faz, hoje, uma temporada no ar. Foi criado, em 15 de dezembro de 2010, pelo programador de informática Romulo Bello, para o jornalista Gustavo Mariani, que pesquisa, redige e o edita. Neste primeiro giro pelo calendário, foram colocadas na tela 14 matérias, em 2010, e 705, até este momento, 15h15, de 15 de dezembro de 2011. Todas envolvem a história do Club de Regatas Vasco da Gama e foram lidas por 16.398 internautas.
 Continue ligado no "Kike", que mais emoções virão por aí. Ah! Observe que a foto de abertura mudou. A anterior homenageava o Combinado Vasco-Santos, que disputou o Torneio Morumbi, em 1956, e conquistou o primeiro título da carreira do "Camisa 10", fato já destacado por ele. Esta nova é do time campeão carioca de 1952, no último ano da máquina cruzmaltina chamada "Expresso da Vitória", que foi uma das mais fortes do planeta durante oito anos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

AS BELAS (ANTIGONAS) DO DIA



Saca só, cara! Você q vê lobas de Copa; gatas do Farol e moreníssimas dengosas, em Ponta Negra, na deliciosa Natal-RN (para citar poucos pedaços), saiba que,  no passadão,  as  brasileiras já eram bonitas e gostosas. Várias décadas antes, andaram inspirando "As Frenéticas” a cantarem “Perigosa”, aquele pop composto por Nélson Mota.

Voltando mais no túnel tempo, se você olhar nas telas daqueles grandes pintores dos séculos 13, 14, 15, achará as mulheres tão feias, que até pensará estar precisando trocar de óculos, caso os use. Mais pareciam terem saído de um curral de vacas atoladas. Malandros, os editores do suplemento da revista carioca “A Noite”, do mesmo grupo que editava a “Noite Ilustrada” , do empresário baiano Geraldo Rocha, já estampavam a beleza morena na capa. Ainda não havia fotos coloridas naquelas revistas, mas convenhamos que a sépia caía muito bem nas meninas, não é mesmo?   Principalmente nas morenas. Sépia nasceu para morenar mais as brasileiras. Confira e curta as belas feras da década de 1930 e 1940.
Check it out, man! Q You see wolves Cup; cats Lighthouse and dengosas moreníssimas in Ponta Negra, the delicious Christmas-RN (to name a few pieces), be aware that the passadão, Brazilian were already beautiful and tasty. Several decades before, they walked inspiring "The Frantic" to sing "Dangerous" that pop composed of Nélson Mota.Going back over the tunnel time, if you look on the screens of those great painters of the ages 13, 14, 15, find women so ugly that even think be needing change glasses if the use. Most seemed to have come out of a corral of cows jammed. Tricksters, the supplement editors of Rio's magazine "The Night", the same group that edited the "Night Illustrated" the Bahian entrepreneur Geraldo Rocha, already stamped the brunette beauty on the cover. I had not yet colorful pictures in those magazines, but admit that the sepia fell very well in girls, is not it? Especially in brunettes. Sepia was born for more morenar Brazilian. Check out and enjoy the beautiful beasts of the 1930s and 1940s

sábado, 10 de dezembro de 2011

VASCO OFERECE AVIÃO AO BRASIL

Por intermédio dos presidentes Joaquim Pereira Ramos e Cyro Aranha, o Club de Regatas Vasco da Gama ofereceu, respectivamente, um telescópio de grande alcance à Marinha e um avião Pax à Força Aérea Brasileira.
Para o segundo caso, criou-se a comissão constituída pelos vascaínos Castro Filho, Eurico Serzedelo, Rufino Ferreira, Arthur da Fonseca Soares (Cordinha), Lauro da Costa Rebelo, Bernadino Buentes, José Teixeira, Moacyr Siqueira Queiroz, José Ribeiro de Paiva (Almirante) e João Lamosa, presididos "Almirante". Este, "Cordinha" e Lamosa providenciaram a feitura de distintivos de lapela com a inscrição "Avião Vasco da Gama", ofertada aos contribuintes. Em 20 dias, o projeto era real, com entrega no dia 10 de dezembro de 1942, no estádio São Januário, a 10 de dezembro de 1942, na preliminar da final do campeonato brasileiro de seleções, entre o Distrito Federal e São Paulo.
O  Ministério da Aeronáutica foi representado na entrega por Pedro Calmon, representando o ministro, que designou a oferta para o baiano Aeroclube de Salvador, a fim de servir de instrução a novos pilotos. O batismo do aparelho ficou a cargo de o vascaíno Joaquim Fagundes Leal. (foto).
José da Silva Rocha (Rochinha), ex-presidente e historiador vascaíno, registrado assim, pelo jornal “A Noite”, o discurso do chamado “Professor” Castro Filho sobre o fato:

Joaquim Fagundes Leal batiza o avião oferecido à Força Aérea Brasileira 
"Eu me sentia desligado daquela praça verde, palco de lutas desportivas gigantescas. O meu pensamento vagueava por outras paragens: o campo de lutas sangrentas e irreparáveis em que, naquela hora, por certo, preliavam, como heróis, muitos dos nossos atletas, tantos dos moços que ali receberam as primeiras lições de coragem e de civismo. O meu olhar turvado de lágrimas, estava preso aos graciosos movimentos do Pavilhão Nacional do grande mastro. Parecia-me ver nesse ondular de verde e ouro o aceno protetor e amigo do reconhecimento; eu via a Bandeira do Brasil a acenar para todos, como se lhes dissesse comovida: - Obrigada, Vasco, muito obrigada vascaínos; Deus vos conserve esse grande, esse imenso coração!"
Pesquisa e foto do Centro de Memória do Vasco da Gama. AGRADECIMENTO.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

MUSA VASCAÍNA DO DIA - JESSICA

 Nesta foto de papel de parede, reproduzida do site www.musasgatasfc.com.br, você curte a beleza total da jovem torcedora vascaína. Beleza e inteligência. A mulher vascaína tem estas duas qualidades, indiscutivelmente. Jessica Lopes é, também, uma das modelos mais bonitas destas plagas verde-e-amarelo. 
 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

MÃO BRANCA NA GALERA DA COLINA?

 Falei na faculdade que eu era torcedor do Vasco e desejava ser jornalista esportivo, para fazer cobertura do clube. Então, o professor perguntou seu e sabia que o bandido ‘Mão Branca’ fora criado por um jornalista cruzmaltino, em uma tarde, em São Januário, quando o goleiro Hélcio jogava com luvas escandalosamente brancas. Verdade?” Gustavo Osires, do Meier-RJ.

Xará! Com certeza, é mais uma das tantas lendas que o torcedor inventa. Coisas daqueles vascaínos que colocam Deus e o Diabo compadres na mesa do boteco. Se isso não tem no site do Mauro Prais (maior pesquisador vascaíno), não deve ser verdade. Verdade só uma: o “Mão Branca” foi uma invenção do repórter Jorge Elias, no diário carioca "Última Hora", para pressionar as autoridades a atuar mais forte no combate ao crime. Só que o personagem caiu no gosto popular e virou herói da Baixadas Fluminense. É disso que a imprensa gosta. Então, rádio, jornal e televisão não perdeu tempo. Só dava o “Mão Branca” nas bancas e na telinha da TV, tornando-se o maior vendedor de jornais e o dono das maiores audiências do JR.
Segundo o maior repórter policial já surgido nesse país, Amado Ribeiro, com quem trabalhei na “Última Hora de Brasília”, o Jorge Elias iria chamar o bandido-personagem de “Mão Pelada”. Mas no momento em que iria entregar a matéria ao chefe de repotagem, trocou o nome, para “Mão Branca”, por ter olhado para um cartaz cartaz publicitário apregado na parede atrás de onde ele sentava-se.
O CARA - Élcio, ele era o terceiro goleiro do Vasco. O técnico Elba de Pádua Lima, o glorioso “Tim”, tinha o argentino Edgardo Norberto Andrada, em grande forma, e Valdir Appel, que havia sido titular, como reserva imediata. No entanto, quis o destino que o Élcio Araújo fosse o camisa 1 vascaíno no jogo em que o Vasco quebrou o tabu, de 11 anos e 8 meses, sem ser campeão carioca, vencendo o Botafogo, em 17 de setembro de 1970, no Maracanã, por 2 x 1. Oficialmente, Andrada estava contundido, enquanto surgiam fofocas de que ele estaria “vendido”, coisa de botafoguense, com certeza, para desestabilizar o time vascaíno. Já que Valdir andou pisando na bola, após ter feito defesas milagrosas, em muitas partidas, Tim resolveu escalar Élcio, nos dois jogos que fecharam a campanha.
DETALHE: Élcio; Fidélis, Moacir, Renê e Eberval; Alcir e Buglê; Luís Carlos (Ademir), Valfrido, Silva e Gilson Nunes foi a escalação vascaína da penúltima e da última rodadas do Cariocão-1970. No entanto, em todas as fotos do time campeão as revistas usaram uma antiga, na qual aparece na Andrada, com esta que você vê. Do esquecido Élcio, nem o site oficial do Vasco (www.crvascodagama.com.br) fez menção. Cá pra nós: o “Mão Branca” estava “éfe” e mal pago, se tivesse sido inspirado em um goleiro que, quando teve a chance de atuar, levou três gols em dois jogos. Ainda bem que ele nasceu dez anos após Élcio ter sido goleiro do Vasco! (foto do arquivo de Amado Ribeiro, segundo o qual, lhe fora dada por Gil Pinheiro, que taalhava para as revsitas Fatos&Fotos e Manchete)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

time do postal - montar

 
                                                 O TIME DO POSTAL

 No dia 30 de março de 1969, o treinador Gérson dos Santos mandou ao gamado do Mineirão, pela primeira vez, uma equipe repetida para iniciar as cinco partidas seguintes – Raul; Pedro Paulo, Mário Tito, Fontana e Wanderley;  Wilson Piazza e Zé Carlos; Natal, Dirceu Lopes, Tostão e Rodrigues. No decorrer desses jogos, o comandante fez três modificações, lançando o zagueiro Raul Fernandes e os atacantes Evaldo e Hílton Oliveira, sem que o nível técnico da equipe caísse. Com esta rapaziada, o Cruzeiro venceu os seis compromissos, marcando 13 vezes e não levando gols.
 A formação levou o Cruzeiro ao tetracampeonato mineiro, feito inédito em sua história, antes das últimas três rodadas, além de bater o recorde de invencibilidade do futebol brasileiro – 35 jogos oficiais –, tirando-o do Corinthians (33) e fechando o Estadual como o maior, também, em arrecadação, ataque mais positivo e defesa menos vazada. 
 Depois do tetra, circulou pelas bancas de revista de Belo Horizonte um cartão postal com o time dos seis jogos posados. Turma que, ainda, conquistou o segundo título estadual cruzeirense invicto. Muito provavelmente, a foto foi batida antes do clássico contra o “Galo”, em 4 de maio daquele 1969, quando ainda não era costume dar crédito aos fotógrafos, razão de ele não ter o seu nome aqui citado.
 Depois do Cruzeiro, vários outros times brasileiros foram expostos em cartões postais, como o Vasco da Gama campeão da Taça Libertadores-1998, o Internacional e até a Seleção Brasileira. 
 Dos 11 atletas posados no postal cruzeirense, quatro ainda estão no grupo dos que mais atuaram com a camisa etrelada –  Zé Carlos (619); Dirceu Lopes (601); Wilson Piazza (556) e Raul (549). Dificilmente, eles serão ultrapassados, devido a altíssima rotatividade dos atletas de hoje. Os sete restantes  – os laterais Wanderley (526) e Pedro Paulo (393) são sexto e 15º, respectivamente. Tostão (373) é o 18º e Natal (245) o 44º– figuram entre os 20 mais escalados. Há, ainda, os zagueiros Fontana e Mário Tito, respectivamente, com 158 e 64 partidas, e o ponteiro-esquerdo Rodrigues, com 172.  O líder da estatística das atuações cruzeirenses, hoje, é o goleiro Fabio, que já tem 743 partidas (até 15.11.2017).
Encerrado o ciclo do maravilhoso time que chegou a pentacampeão mineiro, o grupo que o sucedeu teve o atacante Eduardo Amorim disputando 544 partidas e ficando como o quinto mais + mais raposeiro. Ele, no entanto, representa já uma fase em que o Cruzeiro passou a disputar muito mais compromissos. Antes da ser campeão da Taça Brasil, em 1966, excursões e jogos pelo exterior não se escrevia na história da "Raposa" – símbolo do clube, criado pelo chargista Otávio (? ver) Pieruceti, o Mangabeira.
Outros três atletas pós-time do postal completam os 11 mais gritados pela torcida cruzeirense: Joãozinho (João Soares Almeida Filho), ponta-esquerda driblador, que explodiu a partir da metade de década-1970. Tem 471 atuações; Ademir Roque Kaefler, apoiador gaúcho, com 440, e Ricardinho, (Ricardo Alexandre Santos), totalizando 415. O 11º é o zagueiro Vavá, que participou do grupo do penta.
 Embora Tostão, o maior ítolo do “time do postal” fique com a modesta 13º posição no "ranking" dos mais atuantes, ele é o maior goleador da história cruzeirense, com 242 tentos, seguido pelo colega de época Dirceu Lopes, com  223. Zé Carlos, que atuava pela meia, mas podia ser volante, fica em 20º, mandando 83 bolas  às redes, enquanto Natal está em 25º, com 71. De sua parte, Rodrigues não aparece na relação dos que saíram para o abraço acima de 50 vezes .
A turma da "sucessão" tem, ainda,  Palhinha (Vanderley Eustáquio Oliveira), autor de 145 tentos, em sétimo lugar. Marcou menos do que Niginho (Leonízio Fantoni), com 207, entre 1929 e 1947; Bengala (Ítalo Frattesi) , 168 gols, de 1927 a 1939; Marcelo Ramos, 162, entre 1995 a 2003, e Ninão (João Fantoni), 156, de 1923 a 1938.
                                                               OS CARAS DO POSTAL
 
RAUL – Alto – 1m82cm –, aloirado, com olhos verde garrafa,  sempre sorridente, ele era o galã do melhor time cruzeirense de todos os tempos. Por ser o goleiro mais cabeludo do futebol brasileiro, era comparado aos astros dos tempos do “iê-iê-iê”, a brasa musical dadécada-1960. Questionado sobre os cabelos longos, garantia não lhe atrapalharem em campo. Ao contrário, jurava ajudarem a aumentar os aplausos femininos e o seu entusiasmo durante as partidas. “Sou cabeludo conscientemente e o serei até o dia em que os cabelos longos estiverem na moda. Quando ela passar...verão o goleiro do Cruzeiro sentado...na cadeira do barbeiro...”, prometeu à Revista do Esporte de Nº 415, de 18.02.1967.
 Aproveitando da idolatria de Raul entre as torcedoras cruzeirenses, uma fábrica de discos o convidou a gravar uma música. Ele topou e foi badalado pelas emissoras de rádio, interpretando a canção-poema “I love you”, que já vinha fazendo sucesso na voz do ator Anthony Quin. Com Raul, o sucesso dobrou, em Belo Horizonte, principalmente após o Cruzeiro conquistar o tricampeonato mineiro de futebol. Também, a Lux Filmes, do Rio de Janeiro, o sondou sobre a possibilidade de ele aceitar ser o galã de uma produção musical, o que não topou. Achava já ter fãs demais. E um bom salário, passando muito longe daquele Cr$ 100 cruzeiros de luvas e Cr$ 20 mensais, do primeiro contrato, assinado com o Atlético-PR – já era proprietário de dos apartamentos alugados, em Belo Horizonte e que lhe proporcionavam mais uma renda.
 Mesmo com um grande fã-clube, torcida feminina organizada, com muitas adolescentes, aos 23 anos de idade, no embalo do tricampeonato mineiro, Raul garantia não ter namorada, pois considerava-se muito novo para se amarrar, termo da época da Jovem Guarda, quando ele fazia questão de andar na moda, ficar por dentro de tudo. Embora gostasse da onda da minissaia das meninas lindas, não escondia que havia mulher em quem nem vestido de baile ficava bem nela. Para os assovios dos torcedores atleticanos, devido a sua camisas amarela, não ligava para os rivais. Considerava-os “grandes despeitados” pelo sucesso junto às mulheres. E garantia ter conversado com muitos torcedores sobre aquilo, tendo a maioria achado as camisas daquela mais bonitas do que todas as que já tinha usado.    
 Nascido em Curitiba, em 27 de julho de 1945, Raul Guilherme Plassman – filho  do alemão Guilherme e da brasileira Lavínia –, foi parar no Cruzeiro como contrapeso de uma negociação que levou o também goleiro Fábio (?) para o São Paulo, que tirou-lhe do Atlético Paranaense e não deu-lhe chances de disputar a camisa de titular. Sorte dele, pois emplacou com a pele da “Raposa”. Sorte que anunciou-se para ele tão logo pisou em Belo Horizonte. Encontrou uma nota de Cr$ 1 cruzeiro pelo chão, ficou pouco tempo na reserva e, quando entrou no time, não saiu mais, para tornar-se ídolo da torcida cruzeirense. E melhor: ganhou Cr$ 2 milhões de luvas (dinheiro com o qual não vinha contando) e Cr$ 300 mil mensais de salário, além de cassa e comida pagos pelo clube.
 Raul atribuía muito do seu sucesso à “boa defesa” que tinha o time do Cruzeiro. Não vinha um determinado centro melhor do que um outro, para um atleta emplacar, e propagava uma filosofia: goleiro, mesmos com todos os preparativos técnicos, depende muito da sua sorte e da falta desta para os atacantes. Para ele, os 82 quilos que mantinha, compatíveis com a sua altura, lhe ajudava a ter o físico ideal para a sua posição. “Não tenho dificuldades para defender bolas rasteiras e altas, já que a minha mobilidade é muito boa”, dizia, embora preferisse as bolas rasteiras, por ter visto muitos “atacantes desleais” aproveitando o jogo aéreo para atingir os camisas 1. Da mesma forma, entre jogos em dia chuvoso ou de sol, preferia este, por não precisar de esforço terrível para desfiar um chute com bola molhada. “Até com as pontas dos decôs desviamos um curso de uma bola seca”, justificava.
 Raul ficou famoso pelo uso, acidental, da camisas amarela. E deixava curioso os repórteres que o viam usando calções largos. Segundo ele,  lhe dava mais mobilidade de movimentos. Sujeito de respostas rápidas, não titubeava para apontar Pelé e o colega Wilson Piazza como grandes craque; o zagueiro vascaíno Fontana como referência de jogador violento; Armando Marques como o melhor árbitro brasileiro; o Mineirão como o melhor gamado em que atuara e a televisão como maior invento humano. Fazendo uma autocrítica, admirava a sua sinceridade. Concordava que falava demais durante as partidas e, diferentemente dos demais colgas, até gostava das concentrações.    

                                          O CASAMENTO DO GOLEIRO

Reescrever parte do casamento
                               

 Com apenas nove jogos pelo São Paulo, que o tirara do Atlético-PR, Raul topou ir para o Cruzeiro, como contrapeso da transação que levara o goleiro Fábio par os tricolores paulistas. Sorte a dele! Tornou-se o camisa 1 mais famoso do país, enquanto Fábio foi desaparecendo.
 Três fatos contribuíam para o sucesso de Raul: era um sujeito bonitão, bom em seu ofício e, ainda, contou com o acaso colocando uma camisa amarela em seu caminho. Tudo porque a jaqueta que deveria usar em uma tarde de domingo não coube nele, levando o colega Neco a emprestar-lhe uma blusa de frio numerada nos instantes de entrar em campo. Pareceu ter sido comprada para ele.
 Ao entrar em campo vestido de amarelo, Raul assombrou a conservadora torcida mineira. Involuntariamente, lançou moda e ganhou fã clube das gatinhas que passaram a usar blusas naquela cor durante os jogos do Cruzeiro.
 Pentacampeão mineiro –1965 a 1969 – e da Taça Brasil  –1966 – Raul viveu a glória que um goleiro jamais imaginaria nesse país.  Se o Cruzeiro levava mais de 100 mil torcedores a um jogo, no Mineirão, boa parte era da sua torcida feminina.
 Um dia, porém, Raul desagradou ao seu fã clube. Anunciou o seu casamento, com Maria Carmem, uma estudante de enfermagem e de artes plásticas. Foi o bastante para rolarem ameaças e acusações. Muitas garotas disseram-se gravidas dele e não o aceitavam de argola no dedo anelar da mão esquerda. Prometeram tumultuar o seu casório.
 Era 15 de dezembro de 1969, quando Raul compareceu à belo-horizontina Basílica de Lourdes para casar-se. Antes, fora preciso preciso pedir proteção à Polícia Militar, que enviou ao templo 42 homens e quatro radiopatrulhas, para dar segurança, principalmente,  à sua assustada sogra Nair. Mesmo assim, o grande aparato policial não conseguiu impedir que, desde às 14 horas, as fãs começassem a invadir a igreja.
 Foi o acontecimento social do ano, em BH. Duas TVs transmitiram, ao vivo, choros, gritos histéricos de fãs,  empurrões, tudo o que rolava. Em 30 anos de vida da basílica, jamais acontecera algo igual por ali, segundo os padres da paróquia.
Às 18h15, Raul Guilherme Plasmann, cidadão paranaense, nascido em 27 de setembro de 1944, em Antonina, começou a caminhar para o altar, levado pelos seus pais. Vendo-o passar, estavam vários dos seus colegas de times, entre os quais Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Evaldo e Fontana, também aclamados pelos torcedores.
Pouco depois, surgiu Maria Carmen, levada pela mãe e tendo por padrinho o ex-presidente da república Juscelino Kubitscheck. Àquele instante, a maioria dos presentes estava em cima dos bancos. Os fotógrafos só faltavam subir no altar para clicar o padre Isidoro de Nadai – cruzeirense fanático, bem como os outros seis padres participantes da celebração matrimonial.
 Passado tudo aquilo e chegada a convocação da Seleção Brasileira que iria treinar para a Copa do Mundo-1970,  Raul não estrava  na lista. Atribuía aquilo à sua fama de  muito mulherengo, conquistador. Mas jurava que o casamento o levara para longe “dos tempos do homem da camisa amarela”, quando revistas e jornais o chamava de galã e, por ser cabeludo, de “beatle dos gramados”.  
Raul disputou 806 jogos como profissional do futebol, dos quais 557 pelo Cruzeiro, o que o torna o quinto atleta com mais atuações pela “Raposa” – só Fábio (goleiro) 743; Zé Carlos (apoiador) 628; Dirceu Lopes (meia-atacante) 601 e  Wilson Piazza (volante) 559 estão à sua frente. Ele suplanta Wanderley (lateral) 536; Pedro Paulo (lateral) 395; Tostão (meia-atacante) 378 e Natal (ponteiro) 254, entre os campeões que deram fama nacional ao clubes.          

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PEDRO PAULO –  Lateral-direito que sabia jogar usando a técnica, motivo que o levara a titular no time cruzeirense, Pedro Paulo levava uma filosofia para os gramados: as vezes, zagueiro deve entrar mais duro no lance, para impor respeito.

Nascido na mineira Pedro Leopoldo (15.08.1945), Pedro Paulo Teles Marcelino  esteve estrelado entre 1963 a 1974, por 393 jogos. Marcou quatro gols e está na história da “Raposa” como o atleta que mais pisou no gramado do Mineirão, em 1966, em 41 jogos, em uma dos melhores temporadas da história do clube, que rendeu um tri estadual e o título da Taça Brasil. Repetiu a dose no ano seguinte, com 37 atuações, uma a mais do que astros como Dirceu Lopes,  Natal e Raul, e em 1968, com as mesmas 37 escalações, duas a mais do que Tostão, o grande ídolo da torcida.

 Chamado pela torcida por “PP”, quando ele chegou ao Cruzeiro, em 1963, foi para o time juvenil. Em 1964, subiu ao time A, após formar, com o conterrâneo Dirceu Lopes, o meio-de-campo que levou a garotada ao título estadual da temporada. Jogava com os chamados “contratos de gaveta”. Quando foi registrado, ganhou um Fusca-1964, uma casa no basirro do Horto Floretal, o que jamais sonhara em seus inícios de sua história, em 1956, defendendo o Industriário Atlético Calube, de sua cidade.

 No mesmo 1964 em que foi promovido ao grupo principal cruzeirense, Pedro Paulo tgeve a alegria do sucesso no futebol estrelado. Mas vivia trtiste pela perda dos pais. Para suprir tal falta, casou-se, com Madalena Silva Marcelino e logo gerou o “Pepezinho”, isto é, Pedro Paulo Júnior.

Garoto pobre, que só pudera estudar até a (antiga) primeira série primária, Pedro Paulo vivia um sonho como titular do grande time do Cruzeiro. Era sempre requisitado para entrevistas e pedidos de autógrafos. Ia ficando distasnte os tempos de garaoto, quando sonhava em vestir a camisa do Fluminense e levantar a torcida no Maracanã. Em sua nova realidade, já planejava ser fazendeiro e investir na compra de apartamentos. Calculava ser isso possível tomando por base os Cr$ 6 milhões de cruzeiros (moeda da época) que os seu grupo havia embolsado, de grafificações, entre 1965 e 1967.  

  Considerado pela imprensa mineira como dono de uma carreira, tecnicamente, “irrepreensível”, o PP ainda ficou na história estrelada como um símbolo de raça, de força física, do jogo simples, da objetividade e  pela facilidade com que atacava, oque não era muito comum entre os laterais de sua época. Fazia cruzamentos açucarados para o ponteiro Natal.

Antes de ser centro-médio (espécia dos atuais volantes) do Industriário, o PP havia defendido o Social Olímpico Ferroviário, do Horto. Foi por ali que o médico cruzeirense Joaqiuim Daniel o viu jogar e o convidou a treinar no tme da “Raposa”. De sua parte, o treinador Mário Celso de Abreu, o Marão, o fixou pela lateral-direita celeste, em 1964. Ele chegara a jogar alghumas partidas pelo time A, em 1963, mas teve de esperar pela saída do titular Massinha, para o Vasco da Gama. Depois de firmar-se como titular, foi convocado para os selecionados mineiros formados em 1967 e em 1970. Em 1968, vestiu a camisa da Seleção Brasileira que mandou 3 x 2 em nos argentinos, amistosamente, no Mineirão, com a equipe canarinha alinhando nove cruzeirnses e mais o zagueiro Djalma Dias e o apoiador Oldair, do Atlético-MG.

O fim de linha de PP no Cruzeiro pode ser demarcado em 21 de maio de 1972, quando sofreu ruptura total dos ligamentos, durante partida contra o “Galo”. Passou quatro meses em tratamento e, em 1973, com a chegada de Nelinho, perdeu a posição, para sempre. Voltou a jogar, mas improvisado como zagueiro e volante. Esteve emprestado à Caldense, para um amistoso, no mesmo ano, e tornou-se ex-cruzeirense em fevereiro de 1974. Foi embora levando na bagagemos títulos de campeão da Taça Brasil-1966; dos Campeonatos Mineiros-1965/66/67/68/69/72/73 e Taça Minas Gerais-1973.

No fim de linha, ainda defendeu os times do Atlético-PR, Paysandu-PA, União Bandeirantes-PR, Emelec-EQU, Vitória-BA e Náutico-PE, este em 1974.Viveu por 62 anos, até 14 de fevereiro de 2008,  levado por um acidente vascular cerebral, sofrido no 25.12.2007.

Pedro Paulo foi autor, também, de um feito que lhe deu um bom espaço na imprensa esportiva mineira: em 9 de julho de 1966, marcou gol 100 da história do clube, em Cruzeiro 4 x 1 Uberlândia, pelo Estadual. Aconteceu no Mineirão, aos 22 minutos do segundo tempo, com o treinador Aírton Moreira escalando este time: Raul; Pedro Paulo, Vavá, Cláudio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Batista e Hílton Oliveira.  Só 3.169 pagantes testemunharam.  
 
 
 

 

        

MÁRIO TITO – O Cruzeiro foi buscá-lo no Bangu, pelo qual elegera-se o melhor zagueiro central do Campeonato Carioca-1962, pegando pela frente feras como os botafoguenses Garrincha, Amarildo e Quarentinha; os rubro-negros Dida e Henrique, e o cruzmaltino Saulzinho, entre outros “matadores”.

 Mário Tito, zagueiro de ótima estatura –1m87cm– para um zagueiro – calçava 42. Jogava bem, era elogiado, mas não conquistava títulos. Só mudou a sorte durante a temporada-1966, quando os “Mulatinhos Rosados de Moça Bonita” carregaram o caneco carioca, sem discussão, o que favoreceu a sua contratação pelo Cruzeiro. Ele dizia-se cansado ver a sua equipe considerada  boa, certinha e chegando sempre perto do título, que não o conquistava sob as críticas de ser um considerado um “time sem camisa para ganhar campeonato”. Com a turma da “Raposa”, a coisa mudou.

Nascido em Bom Jardim-RJ, em 6 de novembro de 1940 – filho de Francisco Tito com Etelvina da Conceição Tito – foi em sua cidade que ele começou a sua história de bola. Chegou a tentar a sorte no Vasco da Gama, mas não lhe deram chance e ele voltou para a sua terra, onde um dirigente banguense tinha fazenda. E o levou para Moça Bonita, onde assinou o seu primeiro contrato como profissional, em 1º de outubro de 1959, ganhando Cr$ 6 mil cruzeiros mensais – as primeiras economias deram para comprar uma casa em sua terra e um caminhão.     Inicialmente, defendendo o Bom Jardim Esporte Clube, Mário Tito era ponta-de-lança, espécie de homem-gol, antigamente. Dono de olhos castanhos escuros e de cabelos pretos, Mário Tito mantinha o peso de 72 quilos para jogar bem, sem precisar fazer regime. Católico, devoto de Nossa Senhora de Fátima, casado, com Maria da Glória, Mário Tito não gostava de conversar sobre política partidária, como a maioria dos atletas do futebol. Preferia ouvir música, ir ao cinema e traçar uma saborosa maionese com legumes. Também, fumar cigarros da marca Minister, o que hoje lhe causaria problemas com o departamento técnico.

(títulos cruzeirenses e jogos).

.(continuar pesquisa) .............

 

FONTANA – Temível zagueiro de área, ele entrou para o time dos “homens maus” do futebol em seus tempos de Vasco da Gama, quando jogava muito duro. Para isso, tinha  a rápida explicação de que defensor não pode joga bonitinho, se não quisse ver atacantes fazendo o nome em cima dele. Além do mais, garantia que a fama fora criada por jornalistas que desconheciam o que era estar dentro de campo com a missão de evitar gols.

 Jose de Anchieta Fontana era capixaba, nascido em Santa Teresa, em 31 de dezembro de 1940. Viveu por 39 anos, até o dia 9 de setembro 1980, quando o seu coração o tirou de uma pelada entre amigos. Saiu desta vida para ser lenda dos gramados. Tinha boa estatura para um zagueiro de sua época, 1m83cm, e jogava pesando 79 quilos. O atleta muito viril dos gramados era um pacato cidadão fora dele, preferindo ficar em casa assistindo progamas de TV e ovindo músicas, principalmente de Altemar Dutra. Pela Seleção Brasileira,   

 Campeão da Taça Guanabara-1965, Fontana ganhou, em 1966, convocação para os treinamentos da Seleção Brasileira que iria tentar o tri na Inglaterra. Mas não chegou até a Copa do Mundo, tendo sido dispensado quando já estava na Europa, por motivo de contusão (?). No mesmo 1966, foi campeão, também, do Torneio Rio-São Paulo, dividindo o título com Corinthians, Santos e Botafogo, porque a Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) não encontrou datas para uma decisão. Em 1967, voltou a conquistar a Taça GB.

Em 1969, Fontana iniciou a sua história cruzeirense, na temporada em que o time estrelado  conquistou o pentacampenato mineiro. Encaixou-se muito bem no time dirigido pelo treinador Gérson dos Santos, formando zaga, inicialmente, com Raul Fernandes – depois, com Mário Tito. Estreou em 26 de janeiro, nos 4 x 0 Valério, pelo Campeoanto Mineiro, diante de 21.601 pagantes, no Mineirão. No dia, o técnico Gérson dos Santos escalou: Raul; Pedro Paulo, Raul Fernandes, Fontana e Vanderley; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão (Evaldo),  e Hílton Oliveira (Rodrigues).

 Fontana esteve presente, também, no dia em que a “Raposa” mordeu o caneco de campeão estadual, a três rodadas do final da disputa, em  22 de junho de 1969, no Estádio Salles de Oliveira, em Juiz de fora, vencendo ao Tupi, por 1 x 0, por esta formação: Raul; Raul Fernandes,  Mário Tito, Fontana e Vanderley; Piazza e Zé Carlos (Wilson Almeida); Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes (Palhinha) e Rodrigues.

XERIFADAS – Embora definido pela imprensa como “xerifão”, Fontana considerava-se um zagueiro voluntarioso que entrava em campo só para vencer.  Dizia: “As vezses, no calor do jogo, chego a disputar a bola até com certa virilidade, mas sem a intenção de atingir alguém, maldosamente. Quando o juiz marcar falta, erradamente, fico zangado e quero discutir com ele. A minha disposição de vencer e o meu entusiasmo fralam por mim. Fico nervoso quando o meu time sofre um gol. Quero logo descontar a diferença. Se pudesse ia para a frente tentar o gol”. 

Em 1970, Fontana voltou a formar dupla de zaga com Brito, revivendo o dueto famoso por tantas catimbas durante as seis temporadas em que estiveram juntos com a camisa cruzmaltina. Mas o início de sua carreira fora pelo Vitória, da capital capixabal, em 1958. Já os primeiros titulos de campeão estadual pelo Rio Branco, em 1959 e em 1962, ano em que foi para São Januário.

 Em 1972, em sua derradeira temporada de bola – decidiu ser fazendeiro, no Espírito Santo –, Fontana participou de uma das histórias mais inusitadas do Cruzeiro, uma excursão que durou 70 dias e 18 amistosos por três continentes – América do Norte, Oceania e Ásia –, levando vários chefes de estados a estádios. Na época, seu colega de zaga era o argentino Perfumo e o treinador Orlando Fantoni. O último jogo com a camisa cruzeirense rolou em  14 de dezembro de 1972, no Maracanã, em 1 x 3 Vasco da Gama, pela segunda fase do Campeonato Brasileiro, diante de 66. 254 pagantes. O teinador já era Ílton Chaves e o time teve: Raul; Lauro, Darci Menezes, Fontana e Vanderley; Piazza e Zé Carlos e Driceu Lopes; Roberto Batata (Eduardo Amorim), Palhinha e Rinaldo.  

NAMORO COM O INIMGO – Em 1964, o então Anchieta, como era chamado pela  rapaziadas do time do Vitória-ES, enfrentou o selecionado mineira, defendendo o capixaba, nos tempos dos antigos Campeonto Brasileiros de Seleções Estaduais. No jogo em Vitória, ele não aliviou as canelas dos visitantes, que prometeram ir à forra, em Belo Horizonte. Mas não aconteceu nada, a não ser ele ter gostado muito de Belo Horizonte e pedido ao amigo Bueno, que fizera dupla de xerifes com ele no Espírito Santo, para pedir aos homens do Atlético-MG para levá-lo, também.

 O tempo foi passando e Bueno, segundo Fontana, só o enrolava, “talvez, temendo que eu tomasse o seu lugar no time do Galo”, disse à Revista do Esporte de Nº524, de 22.03.1969. Veio, então, 1968 e o presidente atleticano, Fábio Fonseca, foi a São Januário, pedir ao Vasco os empréstimos de Bianchini, Silas e William. Fontana aproveitou a ocasião e, diante do presidente vascaíno, João Silva, não se apoquentou: “Doutor Fábio, porque o senhor não me leva, também?” – ele seria o cara ideal paras entrar na zaga atleicana, mas não coube no pacote porque se recuperava de contusão e levaria 30 dias para se recuperar, além de outros tantos para retomar a forma física.             

 

SELEÇÃO BRASILEIRA – Substituto de Procópio no time cruzeirense, Fontana tornou-se um autêntico caudilho na zaga. Passou a sonhar com volta à Seleção Brasileira, que servira durante os prepartivos para a Copa do Mundo-1966, na Inglaterra.  Foram 11 jogos, com oito vitórias, dois empates e uma derrota. E o mais importante: diante de 50 mil torcedores, participou de um jogo do tri, em 10 de junho de 1970, no Estádio Jalisco, em Guadalajara, durante a primeira Copa do Mundo promovida pelo México (a segunda foi em 1986). Quis o destino que ele fosse campeão mundial formando a velha zaga na qual fizera fama ao lado de Brito – Felix; Carlos Alberto Torres, Brito, Fontana e Everaldo (Marco Antônio); Piazza, Clodoaldo (Edu Américo) e Paulo César Lima; Jairzinho, Tostão e Pelé foi o time escalado pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo.     

A estreia do Fontana canarinho foi amistosamente, nos 3 x 1 Peru, em 8 de junho de 1966, no Maracanã, ainda vascaíno, escalado por Vicente Feola, que mandou a campo: Ubirajara Mota; Fidélis, Brito, Fontana e Oldair; Roberto Dias e Denílson; Paulo Borges, Alcindo, Tostão e e Edu Améico. Como cruzeirense, disputou sete partidas, todas em 1970 – 0 x 2 e 2 x 1 Argentina; 4 x 1 Seleção Amazonense; 0 x 0 Paraguai; 3 x 1 Seleção Mineira e 3 x 0 Irapuato-MEX, além da já citada diante da Romênia. 

 

VANDERLEI – Lateral-esquerdo, esteve cruzeirense por 538 jogos, entre de 1969 a 1978, tornando-se o sexto atleta (enquanto jogou) com sexto o maior número de partidas pelo time estrelado – Zé Carlos (633), Dirceu Lopes (610), Piazza (566), Raul (557) e Eduardo Amorim (556) estavam a frente. Atualmente, é o sétimo, pois o goleiro Fábio ganhou o topo dessas escada.

Vanderlei Lázaro nasceu na mineira Uberaba, em  20 de junho de 1947. Antes de vive da bola, foi servente de pedreiro, ajudando o pai e um irmão na construção de casas em sua terra. Era a rotina dos homems de sua família. Aos 14 anos de idade, começou a vida boleira. Aproveitava as folgas do horário de almoço para rolar a redonda com os colegas de trabalho. Até que, um dia, ele decidiu ir ao Nacional, clube de sua cidade, pedir para fazer um teste no time juvenil. Aceito e aprovado, ganhou titulos da categoria-1964/65. Em 1966, o treinador João Avelino experimentou-o com a camisa 6 do time principal e ninguém mais a usou. Na temproada seguinte, com o Nacional disputando a princial divisão do Campeoanto Mineiro, ele foi o melhor defensor da equipe e eleito revelação do ano. Motivo da sua contratação pelo América-MG que o viu convocado para a seleção estadual que encarou paulsias e carioca naquele mesmo 1967.   

Antes de chegar ao Cruzeiro, Vanderlei esteve emprestado ao Corinthians, mas não conseguiu ser o dono da psição, porque o titular Edson já fora connvocado para a Seleção Brasileira.

Com a camisa ccruzeirense, Vandrlei  deixou 14 gols marcados em suas subidas ao ataque, tendo participado da conquista de oito títulos. Mesmo assim, era do time dos pouco badalados. Estreou em 26 de janeiro de 1969, no Mineirão, escalado pelo treinador Gérson dos Santos, nos 4 x 0 Valério, pelo Campeonato Mineiro, diante de 21.601 pagantes – Raul: Pedro Paulo, Raul Fernandes, Fontana e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos; Natal, Dirceu Lopes, Tostão (Evaldo) e Hílton Oliveira (Rodrigues foi o time.

 O últmo jogo foi em 12  de julho de 1978, diante de 12.366 paganmtes, empatando com o Vitória-BA, por 0 x 0, no Mineirão, em Salvador, pela terceira fase da Copa do Brasil. O time era treinado por Zé Duarte e alinhou: Raul; Flamarion, Zezinho, Marquinhos e Vanderlei; Nélio, Erivelto e Eduardo Amorim; Revetria (Eli Carlos), Lívio (Vicente) e Joãozinho.     

  

 

PIAZZA – De inicio, ele era só Wilson, como os muitos xarás que rolavam a bola pelos campos mineiros. Um dia, o técnico Mário Celso, o Marão, acrescentou o Piazza ao seu nome futebolístico, para diferenciá-lo dos  homônimos que não jogavam nada. E, com nova assinatura, surgia um dos principais atletas do Cruzeiro das décadas-1960/1970.

 Marão marcou muito a carreira de Piazza, o nome que terminou ficando mais na boca dos locutores esportivos. Além de dar-lhe um chamamento pomposo, na época em que prevaleciam apelidos esquisitos no futebol brasileiro, o tirou do time amador do SESC-Serviço Social do Comércio e o levou para o Siderúrgica, que disputava o campeonato estadual. O restante foi por conta do seu talento, o que rendeu-lhe dezenas de títulos com a camisas celeste, a cor de sua preferência, como dizia.

 Wilson da Silva Piazza nasceu na pequena mineirinha Neves, em 25 de fevereiro de 1943. Filho de José Piazza, com Regina da Silva Piazza, ganhou cinco irmãs – Glória, Meire, Marília, Regina e Marlene – e um irmão – Antônio. Quando firmou-se como titular cruzeirense, já sonhava com a Seleção Brasileira. E não só tornou-se um canarinho, como foi seu capitão e tricampeão mundial, durante a Copa do Mundo México-1970.

 Coincidindo com o a explosão de talentos do time cruzeirense, a partir de 1965 e que rendeu um pentacampeonato mineiro, além do título da Taça Brasil-1966, Piazza recebeu os seus primeiros prêmios como o melhor de sua posição nos Estaduais-1965/1966, quando formava o meio-de-campo celeste, com Evaldo – Troféu Guará, que a Federação Mineira de Futebol oferecia à seleção da temporada, em homenagem a um dos grandes goleadores do Atlético-MG.     

  Católico praticante, devoto de Santo Antônio, Piazza fazia o sinal da cruz ao entrar em campo, mas não usava amuletos. Só Via Deus com poder para tirar a vida de alguém. Dizia-se um sujeito com muita fé em Deus, a quem agradecia, ao lado de Marão, pelo sucesso em sua carreira profissional, iniciada em 1962. Embora não acreditasse em macumba, respeitava todas as religiões. O que não respeitava era a atitude de quem fazia cirurgia plástica por vaidade. No máximo, admita que o perfume influenciava no charme da mulher, embora não o considerasse indispensável. Mulher, para ele, deveria ser simples e natural. Mas ele usava o perfume Lancaster.

 Pelos seus inícios de carreira, Piazza não gostava de conversar sobre política. Quis o destino, porém, que ele viesse, mais tarde, a ser vereador, em Belo Horizonte, e líder classista. Foi vereador e secretário municipal de Esportes de Belo Horizonte, sócio-fundador e primeiro presidente da Associação de Garantia ao Atleta Profissional de Minas Gerais, entre outros atos políticos.Antes, preferia falar sobre futebol, música popular – adorava a italiana “Al di lá” – e cinema. Principalmente, do filme “Imitação da vida”, o que mais gostara. Considerava Pelé o máximo do futebol, Armando Marques o número 1 da arbitragem, o Mineirão o melhor estádio em que jogara e o avião grande invento  humano. Sobre si, apontava honestidade e sinceridade como as suas maiores virtudes.

Embora fosse um jogador com fama de usar o cargo de capitão do time para reclamar ponderadamente com os árbitros, certa vez, Piazza discutiu com o árbitro paulista Olten Aires de Abreu, por vê-lo prejudicando demais o seu time, e foi expulso de campo. Garantia, porém, só falar o necessário em campo.

  Ao contrário de muitos colegas, Piazza considerava a concentração para os jogos indispensável a todo atleta. Afirmava que camisa não ganhava jogo e que, se o time não corresse, ficaria difícil vencer. Modesto, ele dizia-se “um jogador útil”. Menor prêmio? Cr$ 100 cruzeiros, como juvenil do Renascença, clube com o qual assinou o primeiro contrato, em 1962, ganhando NCr$ 120 novos cruzeiros mensais.

Inicialmente, Piazza foi centroavante. O Cruzeiro foi busca-lo no clube do bairro do mesmo nome, em Belo Horizonte, gastando, naquele 1962, Ncr$ 1 mil cruzeiros, após ele ter sido eleito uma das revelações do campeonato juvenil mineiro-1961. A mudança permitiu-lhe deixar o emprego, no Banco Mercantil de Minas Gerais, para dedicar-se inteiramente ao futebol. Valeu a pena, pois não demorou a chegar à Seleção Brasileira, tornando-se campeão, aos 24 anos de idade, da Copa Rio Branco-1967, com os 0 x 0, 2 x 2 e 1 x 1, com o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu. Elogiado pelo bom futebol e a liderança, capitaneando, cresceu o seu prestígio e esteve cogitado, pelo técnico Vicente Feola, para os treinamentos da Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo-1966, na Inglaterra.

Pelo time canarinho, Piazza disputou 65 jogos, com 45 vitórias, 14 empates e seis quedas. Além da Copa Rio Branco-1967, foi campeão, também, da Copa do Mundo-1970, atuando como quarto-zagueiro, e da Copa Roca-1971, esta disputada contra os argentinos, e da Copa Independência-1972, comemorativa dos 150 anos de independência do Brasil. Disputou, ainda, a Copa do Mundo-1974  – Félix; Everaldo, Jurandir, Roberto Dias e Sadi; Piazza e Dirceu Lopes; Natal/Paulo Borges, Tostão, Alcindo/Edu Antunes/Paulo Borges  e Volmir/Hílton Oliveira foram os companheiros de primeira seleção nacional. 

ONDA DO GALO - Após fratura em uma das pernas, em um jogo da Seleção Brasileira, Piazza sofreu muito para voltar a jogar. Muitos achavam que a sua carreira havia chegado ao final, pois ele treinava e não passava nos testes para jogar. Quando pôde jogar, não conseguiu concluir os amistosos. Para piorar, Zé Carlos, que o substituíra, vinha jogando demais. Em determinado momento, perdeu a crença na volta por cima.

 Foi, então, que o maior rival cruzeirense, o Atlético-MG, ajudou Piazza a voltar a jogar. Conversou com ele e lembrou-o de que, pela nova regulamentação do Conselho Nacional de Desportos, o seu passe, brevemente, teria um preço “X”. O Cruzeiro descobriu e inquiriu ao seu médico se o seu jogador poderia mesmo voltar a jogar, como antes. Com resposta positiva, a “Raposa” renovou o seu contrato e o deixou na reserva de Zé Carlos, com 21 anos de idade e explodindo talento. Para o treinador Orlando Fantoni, barrar o “Zelão”, para Piazza voltar a ser titular, seria uma tremenda estupidez, como também seria deixar o antigo titular fora do time.        

 Um dia, o ex-grande atleta cruzeirense Bengala, que havia sido treinador, também, e seguia ligado ao clube estrelado, como benemérito e conselheiro, sugeriu barrar o meia Evaldo, que teria o seu trabalho feito, alternadamente, por Zé Carlos e Dirceu Lopes. Com isso, Piazza voltaria em sua velha função. Fantoni não acolheu a ideia, mas Gérson dos Santos, sobre quem Bengala tinha forte ascendência moral, topou.

 Com os treinadores Orlando Fantoni e Aírton Moreira, o Cruzeiro formava um tripé no meio-de-campo. Com Gérson dos Santos, passou para um quadrado. Então, por conta de uma alteração tática, Piazza readquiriu o se prestígio, voltou ao escrete nacional e atuar com o antigo vigor, além de maior maturidade. 

Além de campeão mineiro-1965/66/67/68/69/72/73/74/75, Piazza tem maismais quatro títulos não-oficiais.

O final do relacionamento Piazza/Cruzeiro foi trumático. Ao atingir 14 temporadas defendendo o clube, recebeu o passe livre, aos 34 anos de idade. Então, foi à Justiça, cobrando indenização. À época, ele justificou à revista carioca Manchete – Nº 1.174, de 19.10.1974 – que o fazial para que “o meu gesto sirva de exemplo aos demais jogadores, muitas vezes iludidos e explorados pelos dirigentes...”. Por meio do advogado Dílsn Aquino, ele questionou a validade técnica da atitude cruzeirense e cobrou mais ações do Estado na regulamentação da profissão de atleta de futebol. Aquino representou Piazza defendendo que contrato de trabalho, após 10 anos consecutivo com o mesmo empregador, assumia estabilidade, pela Consolidação da Leis do Trabalho-CLT. O jogador de futebol, no entanto, não tinha tal direito, como o artista teatral, por exemplo.    

Quando desentendeu-se com o Cruzeiro, Piazza era um dos três ramanescentes do grande time surgido em 1965, juntamente com o goleiro Raul e o meia-atacante Dirceu Lopes. Ele jurara não ter interesse financeiro na questão, mas no serviço que prestaria à sua categoria trabalhadora. 4Parou de jogar em 1979, devido uma sinfisite púbica, mas até hoje a torcida lembra dele como o maior volante que vestiu a camisa azul em todos os tempos.

Jogos e gols pelo Cruzeiro?  Fã de uma feijoada e de dobradinha, este pisciano, medindo 1m75cm de altura, media 80 cm de cintura e dava duro para não engordar. Não escondia ser fumante e proprietário de duas casas e três terrenos, na época do tri mineiro. 

 

ZÉ CARLOS – O futebol dele era de deixar noivas arrepiadas. Pelo menos, a de Felício Brandi, presidente do Cruzeiro, começou a ficar nevosa, ao pé do altar, achando que o noivo  desistira do casamento, pois não aparecia. Mas, por um justo motivo (para a torcida cruzeirense): após nove viagens à mineira Juiz de Fora, finalmente, o dirigente conseguira acertar a contratação do apoiador Zé Carlos e seguira para a igreja agradecendo a Deus por ter celebrado um dos melhores negócios de sua gestão estrelada.

    José Carlos Bernardes, nascido, em 28 de abril de 1945, começara a mostrar veneno defendendo o time do Tupi, de sua terra. Mas assinou o primeiro contato, como profissional, com o rival Sport, em 1962. Convocado para a seleção municipal que enfrentou uma seleção da capital mineira, ele entusiasmou tanto ao presidente da “Raposa” que o homem só se aquietou quando o teve por seu jogador. Dia de gande comemorção do casal Jorge Bernardo e Ana Filomena (e de mais seis irmãos, três homens e três mulheres).

Zé Carlos vestiu a camisa celeste estrelada entre 1965 a 1977, mostrando-se um dos apoiadores volantes mais clássicos e modernos de sua época, mostrando ótima qualidade no passe e sendo, também, grande “desconstrutor” de jogadas (do adversário, evidentemente). Isso lhe rendeu 13 faixas de campeão pelo Cruzeiro – Taça Brasil-1966, Taça Libertadores-1977 e 10  do Campeoanto Mineiro. E chegou ao Cruzeiro arrasando. Em seu primeir treino, aplicou um “chapéu” (drible aéreo)  no grande nome do time, o meia-atacante Dirceu Lopes, deixando o treinador Aírton Moreira “embasbacado”, como dia o mineiro. Havia poucos torcedores presentes, mas quem viu deu razão ao presidente Felício Brandi, por ter deixado a noiva arrepiada.

Zé Carlos, no entanto, não ganhou logo a vaga de titular cruzeirense. Teve de amargar uma suplência para Wilson Piazza. Fez alguns jogos pelo Tornei Roberto Gomes Pedrosa e a Taça Libertadores e só foi fixado no time devido contusão do titular. Depois, tornou-se difícil barrar-lhe. Convocado, por Aírton Moreira, para uma seleção mineira que enfrentou cariocas e paulistas, empolgou tanto, que Vasco da Gama e o Corinthians chegaram a oferecer Cr$ 200 mil cruzeiros pelo seu passe, que custara Cr$ 7 mil e 500, ao Cruzeiro.       

 Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o craque celeste sempre procurou mantrer o peso, de 67 quilos, condizentes com o seu 1m,69cm. Usava chuteiras-41 e não exagerava diante der um prato com bife e batatas fritas, para manter a cintura com 75cm.  

 Dono de tanta classe, seria natural que Zé Carlos chegasse à Seleção Brasileira. Quem primeiro o convocou foi Aymoré Moreira (irmão de Aírton). Disputou amistosos, entre 1968 e 1969, e estava no grupo que João Saldanha preparava para disputar a  Copa do Mundo-1970, no México. Porém, quando aquele foi trocado, por Mário Jorge Lobo Zagallo, este o dispensou.

Após deixzar o Cruzeiro, Zé Carlos ainda defendeu o Guarani, de Campinas, foi campeão  brasileiro-1978, e o Botafogo. Jogou até 1983 e não se desligou, depois, do Cruzeiro, formando com o clube uma parceria em uma escolinha de futebol, Sete Lagoas. Com treinador, sagrou-se campeão catarinense-1986 e

 

NATAL – Coisas do destino. Quando ele era garoto, simpatizava o Atlético Mineiro. No entanto, foi se consagrar como atleta defendendo o maior rival do “Galo”, a “Raposa”, que engoliu a antiga simpatia.

 Algo que Natal deixou de lado, também, jogando pelo Cruzeiro, foi a sua insistência em imitar Mané Garrincha, influenciado pelas atuações do craque durante a Copa do Mundo-1962, no Chile. Ainda bem! Pouco depois do Mundial, viu que teria de desenvolver o seu estilo próprio, pois não vinha conseguindo sucesso como “papel carbono”, como disse à Revista do Esporte Nº 413, de 04.02.1967, pois os seus dribles não levavam vantagem sobre os marcadores.

 A vida futebolística do ponteiro-direito do maior Cruzeiro de todos os tempos começou em 1962, pelo Itaú Futebol Clube, da Cidade Industrial, bairro de Belo Horizonte. Passou todo o 1963 recuperando-se de uma contusão e, na temporada seguinte, foi para o juvenil cruzeirense. Ficou campeão estadual da categoria e, por prêmio, ganhou a promoção ao time principal, sem passar pelos aspirantes.

 Natal de Carvalho Baroni não sabia explicar porque os seus pais – Mário Baroni e Nádia de Carvalho Baroni – lhe deram aquele pré-nome, pois ele nascera em um 24 de outubro (de 1946) – no bairro belo-horizontino Nova Granada. Irmão de Vera, Antônio, José Antônio, Lúcia, Maria, Marinho, Solange e Haidê, ele chegou a 1m68cm de altura e mantinha o peso de 60 quilos para não perder o bom pique com as suas chuteiras de número-38.

 Natal, mesmo considerando-se um “otimista incurável”, dizia-se um fatalista e tinha por receita da felicidade amar e ser amado. Acreditava em macumba, usava um breve, feito pela mãe, e não negava esmola a um pedinte. Não gostava de falar sobre política, preferindo cinema – adorou o filme Doutor Jivago – e música –  ficou fã da italiana Al di Lá.

 Fã da cor vermelha, ele considerava o perfume indispensável à mulher, “lhe dá mais 1it”, justificava, e preferia as bem simples, sem sofisticações e falsidades. Até aceitaria vê-la fazer cirurgia plástica, em caso de necessidade. Tinha medo de viagens aéreas, só concebia a Deus o direito de tirar a vida de um ser humano e gostaria de viver por 100 anos.

Com carreira iniciada em 1962, Natal profissionalizou-se, em 1964, pelo Cruzeiro. Em 1966, na brincadeira com os colegas, dizia que o seu menor e maior bicho por vitória fora 1: Cr$ 1 mil cruzeiros, quando juvenil cruzeirense, em 1964, e Cr$ 1 milhão, após vencer o Grêmio Porto-alegense, em 1966, a vitória que, até então, mais lhe emocionara. Pouco falante durante as partidas, considerava as concentrações necessárias para jogadores solteiros

 Natal apontava Pelé e Tostão (atletas), Armando Marques (árbitro) e Aírton Moreira (treinador) como as grandes feras do seu tempo e tinha a opinião de que a camisa pesava a depender do jogador. Para ele, a  televisão era o maior invento humano e não a via matando o futebol, ao transmitir partidas, uma grande discussão da época sessentista. O seu maior sonho era chegar à Seleção Brasileira. Chegou! E disputou... partidas, tendo agradado bastante em sua estreia, durante excursão de 1968. Convocado como suplente do corintiano Paulo Borges, que não rendeu o esperado, Natal aproveitou bem a chance que abriu-se para ele. Lançado pelo treinador Aymoré Moreira, diante da então Tchecoeslováquia, abriu o placar da partida que o anfitrião venceu, por 3 x 2, e segurou a vaga de titular. O jogo seguinte, 6 x 3 Polônia, voltou a jogar muito bem e a marcar gol. O terceiro amistoso foi  com a já inexistente Iugoslávia e ele foi um autêntico operário para os companheiros chegarem à rede. Fez o passe para Tostão marcar o segundo gol brasileiro. Foi o bastante para os jornalistas estrangeiros escreverem que o escrete canarinho levara à Europa uma grande revelação. (listas datas das partidas). Desempenhou, muito bem, as funções de um ponteiro moderno, agredindo defendendo, armando e sempre indo à linha de fundo.

 No Cruzeiro, Natal recuava um pouco, quando preciso, mas não tinha a obrigação de marcar o seu marcador, como o fez durante a excursão, e agradou muito ao treinador Aymoré Moreira. Estava com 21 anos de idade quando aquela chance canarinha chegou.                

 

 

 

EVALDO – No infanto-juvenil do Americano, de Campos-RJ, o treinador Jorge Pinheiro viu um garoto muito bom de bola. Pediu ao seu irmão e zagueiro do Fluminense, Pinheiro, que o levasse para as Laranjeiras. Levou. E não demorou a verem grande futuro nele, pois chutava com as duas pernas, cabeceava forte e tinha a mesma cor escurinha dos maiores craques brasileiros, como Friedenreiche, Leônidas da Silva e Pelé. Chamava-se Evaldo Cruz e nascera ali mesmo, em Campos, terra de tantos craques - 12 de janeiro de 1954.

Quando Evaldo começou a estraçalhar pela meia do time juvenil tricolor, em 1961, começaram a chama-lo de Pelé. Mas ele não gostou nada, já demonstrando personalidade. Pediu à imprensa que o livrasse, do apelido, pois temia que logo aparecesse alguém chamando-o de “mascarado”. Era sincero. Se os seus pais lhe deram um nome, queria a ser chamado por ele.

 Para ir para o Fluminense, o pai de Evaldo exigiu que ele não abandonasse os estudos. Prometeu e foi à luta pelo clube do seu coração, como garantia. Fã de Zizinho, o garoto Evaldo mostrava aos que o viam rolar a pelota não que o apelido famoso não estava tão mal aplicado nele, pois viam muito de Pelé em seu futebol. Ele fazia gols, mas não era fominha. De preferência, preferia deixar o companheiro olhos-nos-olhos com o goleiro. E assim fazia. Teve a sua melhor fase como astro no maior time que o Cruzeiro já montou, entre 1965/1969, pentacampeão mineiro e da ganhador da Taça Brasil-19665, com o ataque formado por Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Hílton Oliveira. Cruzeirense, entre 1966 e 1971, Evaldo disptou 296 jogos e marcou 108 gols. Para não ir mais longe: o maior fã deele era o “cracaço” Tostão, o maior artilheiro da história cruzeirense, com 245 gols. Muitos deles...        

Filho de Benedito Cruz e de Graciosa Silva Cruz, o meia Evaldo teve por irmão Elier, Everaldo, Edílson, Eduardo e Leila. Dono de cabelos e olhos pretos. jogava pesando 65 quilos, usando chuteiras-38 e não via a sua altura, de 1m65cm, sem prejudicar-lhe nos gamados. Dizia-se devoto de São Jorge e a sua primeira gana no futebol fora Cr$ 5 mil cruzeiros mensais, de ajuda de custo, do Fluminense. Adorara o filme “Doutro Jivago” (estrelado por Oma Sahriff (?) e a música (do filme) “Tema de Lara”.

 Evaldo achava que a situação do país, em 1967, era boa, mas não demonstrava bom conhecimento de política governamental. “Deve estar”, respondia, indagado se o Brasil encontrava-se bem orientado. Segurança demonstrava ao falar de suas lembranças, como do primeiro treino pelo time juvenil do Fluminense, em 1961: “Levei tantos pontapés, de um zagueiro, que cheguei a chorar”. 

Sujeito que dizia-se combativo e possuidor de autocrítica, Evaldo definia-se como alguém expansivo e alegre, por natureza, e muito falador. Achava a mulher perfumada mais atraente, se não fosse sofisticada e infiel. E se submetesse a uma cirurgia plástica só em casos necessários. Católico, usava uma medalha com a imagem de São Jorge e não deixava de acreditar, em parte, em macumba e mau olhado. Preferindo a cor marrom, via a TV prejudicando o futebol, grande discussão na décda-1960.   Evaldo fez 294 jogos com a camisa do Cruzeiro, entre 1966 e 1975 e marcou 111 gols.

 

DIRCEU LOPES –  Certa vez, pela metade da década-1960, o time do Cruzeiro estava em um hotel de São Paulo. De repente, bateram à porta do apartamento em que hospedava-se o camisa 10 estrelado. Era Mané Garrincha, dizendo: “Vim conhecer o melhor jogador do futebol brasileiro”.

O mineiro  Dirceu Lopes Mendes, nascido em 3 de setembro de 1946, por aquela época, se não era o melhor, no mínimo, estava entre os cinco primeiros donos da bola canarinha. Tanto que foi uma das principais peças do time que venceu o Santos, de Pelé, por 6 x 2, no Mineirão, e por 3 x 2, de virada, no Pacaembu, para conquistar a Taça Brasil-1966, a disputa que apontava o representante brasileiro à Taça Libertadores da América, por aquela época.

 Baixinho, mas rápido e muito habilidoso, Dirceu começou as suas intimidades com a pelota a partir dos 12 anos de idade, defendendo o time juvenil do Pedro Leopoldo Esporte Clube, de sua terra. Em 1962, foi para o Cruzeiro, como amador, mas jogava tento que, por várias vezes, foi lançado em compromissos do time principal. Em 1963, disputou o Campeonato Mineiro Juvenil e, ao final da disputa, foi profissionalizado, ganhando Cr$ 150 mil cruzeiros, entre luvas (grana adicional) e ordenado. A partir de 1965 e até 1969, passou a viver o auge de sua carreira, tornando-se pentacampeão estadual, além de ter levantado, também, a Taça Brasil-1966. Em 1970, esteve convocado para os treinamentos da Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo e era citado, pelo treinador João Saldanha, como nome certo para ir ao México. No entanto, Zagallo, que o substituiu, o dispensou do grupo que voltaria tri, do México – disputou 19 jogos canarinhos e marco quatro gols, em 12 vitórias, seis empates e só um insucesso. Sagrou-se campeão da Copa Rio Branco-1967, diante do Uruguai, contra o qual estreou, no 0 x 0 de 25.06.1967. Fez a sua última partida pelo escrete nacional em 06.08.1975, vencendo a Argentina, por 2 x 1. Além desses adversários, enfrentou, ainda, as seleções de México (2 x 1), Alemanha Ocidental (2 x 2), Iugoslávia (3 x 3), Peru (2 x 1), Chile (5 x 0), Paraguai (3 x 2), e os times do Coritiba (2 x 1), Bahia (4 x 0), Millonários-COL (2 x 0), Bangu (1 x 1) e Hamburgo-ALE (2 x 0).       

Jogador representativo da “Era-Mineirão”. inaugurado em 7 de setembro de 1965, quando defendeu a seleção mineira que enfrentou o argentino River Plate, Dirceu Lopes fez o lançamento que permitiu ao atleticano Bougleux marcar o primeiro gol no estádio. Naquele dia, ele não imaginava a mudança que o futebol de sua terra viveria. “...não pensava que o impulso fosse tão forte...pois, em pouco tempo...Minas Gerais consegui chamar a atenção, tornando-se um dos maiores centros do futebol brasileiro”, disse à Revistas do Esporte de Nº 408, de 31.12.1966, da segunda vez em que falava à semanária e a uma publicação esportiva nacional. “Temos ganhado bichos que jamais sonhávamos...”, revelou, atribuindo a isso, também, ao fato de o associado cruzeirense dispor de uma sede campestre próxima do Mineirão, o que permitia-lhe passar as manhãs dos finais de semana recreando-se e, à tarde, ir aos jogos dos estrelados.

 Dirceu via o Cruzeiro com um “time certinho”, com uma estrutura que permitia-lhe mudar peças mantendo o rendimento. Com os primeiros dinheiros lhe pagos pela “Raposa”, mandava ajuda financeira para os pais e   remodelou a casa deles. Dizia não fazer mais do que a sua obrigação.

 O filho do seu Tião com a Dona Maria não se considera uma pessoa perfeita e tinha pavor de escândalos. Achava que as pessoas deveriam evita-los. Embora não tivesse tempo e nem pudesse se expor tanto em público, gostava muito de cinema e elegeu “Os Brutos também amam”, como o melhor filme que assistira. Como todo jovem de sua idade, aos 22 anos, nos tempos do iê-iê-iê, curtiu muito a música “Aquele beijo que te dei”, gravada por Roberto Carlos.

Dirceu atendia bem aos repórteres, mas quando lhe indagavam sobre temas fora do futebol enrolava o lance. Certa vez, lhe perguntaram se o Brasil (de 1968), tempos das ditadura militar dos generais-presidentes, estava bem orientado. Mandou um lençol no cara, respondendo: “Acho o Brasil tem carência de bons treinadores”, embora tivesse grande consideração pro Martim Francisco. Mas, se afirmava nada entender de política, tinha opinião sobre o que via. Por exemplo, que a vida no país poderia melhorar se houvesse esforço do governo para alfabetizar a grande massa de analfabetos e criar postos de emprego para todos.

Fã das praias do Rio de Janeiro, Dirceu Lopes, quando solteiro, não deixava de sacar a estampa das belas cariocas dentro dos seus biquínis. Não reclamava de deparar-se com uma mulher perfumada, a achava assim mais agradável e era de opinião que a brasileira do ontem e a daquele seu tempo de jovem se equivaliam. Sujeito muito romântico, ele só não gostava das sofisticadas e levianas. Católico praticante, nunca negava esmola, dizia-se combativo e não acreditava em macumba e em amuletos. Para ele, ser sincero é o caminho da felicidade e o complexo significa falta de personalidade. No entanto, aceitava a cirurgia plástico para corrigir defeitos físicos.

 Quem falasse que as transmissões da TV da década-1960, o auge do Cruzeiro, prejudicavam o futebol, não teria o apoio de Dirceu. Além do pentacampeonato mineiro-1965/1969 e da Taça Brasil-19665, Dirceu Lopes conquistou o tetra estadual-1972/73/74/75; o Torneio Início-MG-1966; a Taça Minas Gerais-1973, a Taça Libertadores-1976, e mais 17 torneios de menor importância, ente o Brasil e o exterior. Pelo Cruzeiro, até 1977, fez 594 jogos e 224 gols. Individualmente, os primeiros prêmios pelo seu talento foram os troféus Guará (destaques da temporada mineira), Revelação e Craque do Ano-1964 (juvenil), com o último repetido em  1965, já profissionalizado.

TOSTÃO – Nascido em Belo Horizonte, em 27 de janeiro de 1947, ele era um atleta diferente dos demais. Aos 19 anos de idade, já falava em estudar Ciências Econômicas e mostrava-se bem informado sobre o caminho das finanças, registrando o seu apelido, o que significava que, quem quisesse usar, comercialmente, o nome “Tostão”, teria de conversar com Eduardo Gonçalves de Andrade que, por sinal, já recebia convites para fazer publicidade empresarial.

 Canhoto, o “Mineirinho de Ouro”, denominação lhe dada pelos jornalistas, raramente chutava, ou passava a bola com o pé direito, que exigia-lhe chuteiras de número 41. Mas o fato de ser um “saci” em campo não o impediu de tornar-se o maior artilheiro da história cruzeirense, com 245 gols marcados em .... jogos.

Cuidadoso com o peso (68 quilos) condizente com a sua altura (1m72cm), Tostão era considerado pelo bicampeão mundial Zito, do Santos, como o melhor futebolista brasileiro, depois de Pelé, o qual ofuscara na decisão da Taça Brasil-1966, quando o venceu, por 6 x 2, em Belo Horizonte, e 3 x 2, em São Paulo. Ficara, também, “vice-rei” em popularidade nacional, após aquela conquista.  

 Tostão chegou ao Cruzeiro, em 1964, como juvenil, após não entrar em acordo financeiro com o América-MG. Em 1965, tornou-se titular e até deixar o clube, em 1972, quando foi para o Vasco da Gama, conquistou os mesmos títulos já citados no texto sobre Dirceu Lopes.

Em 1966, após a Copa do Mundo, na Inglaterra, quando marcou um gol, contra a Hungria (15.07.1966), já estava ganhando Cr$ 800 mil cruzeiros mensais. Até pouco tempo antes, não passava dos Cr$ 150 mil.  A sua estreia pela Seleção Brasileira foi empatando (1 x 1), com o Chile (15.05.1966). A partir dali, totalizou 65 partidas, com 47 vitórias, 12 empates e seis quedas. Marcou 36 gols, dois deles (14.06.1970) durante a campanha do tricampeonato mundial, em 1979, no México, diante do Peru. Despediu-se da camisa canarinha com Brasil 1 x 0 Portugal (09.07.1972), levando para o seu currículo os títulos, além do tri, da Copa Rio Branco-1967; Copa Roca-1971 e da Taça Sesquicentenário da Independência do Brasil-1972.

ADMIRAÇÃO – Dois craques, em especial, fora de Minas Gerais, mereciam os aplausos de Tostão: Pelé e Rivellino. Na arbitragem, considerava o melhor o argentino Roberto Goicochéa, que apitava em São Paulo. Já o melhor treinador não escancarava. Dizia ser o seu conterrâneo Orlando Fantoni um dos bons. Melhor estádio para se jogar? A resposta era seca: o gramado do Mineirão, em Belo Horizonte. Não apontava o pior, mas contava haver coisas horrorosas pelo  interior mineiro.

 Tostão sempre respondia aos repórteres que lealdade e franqueza eram as suas maiores virtudes. Fazia algumas reservas às críticas sobre as suas atuações e, embora não fosse de discutir com os árbitros, não deixava de fazer reclamações, bem como aos marcadores pancadeiros. Achava a concentração necessária e, em 1969, já pensava em ser médico, o que o foi após ter abonado a carreira de atleta. Sem modéstia, considerava-se um bom jogador, não escondia já ser homem rico, independente, que jogava mais por prazer. Não acreditava que camisa pudesse ganhar jogo.    

  

   

             

         

RODRIGUES -  Ele brigou muito, com Hílton Oliveira, pela posição de titular da ponta-esquerda. Deixou escrito a autoria do gol 500 da história cruzeirense, aos 35 minutos do primeiro tempo dos 1 x 2 Atlético-MG, de 2 de agosto de 1970, no Mineirão, diante de 106.155pagantes – Raul; Raul Fernandes, Morais, (Darci Menezes), Fontana e Neco; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Rodrigues (Gilberto) foi o time escalado pelo treinador Gérson dos Santos.  

José Rodrigues dos Santos, nascido na baiana Conde, em 31 de julho de 1946, começou a fazer o seu nome sendo campeão juvenil e profissional do IV Centenário do Rio de Janeiro, em 1965, um ano depois de ter chegado à Gávea. Na temporada-1966, ajudou o Fla a ganhar o Torneio Internacional de Guyaquil, no Equador – esteve rubro-negro até 1967. No ano seguinte, chegou ao Cruzeiro, para ser bicampeão mineiro-1968/1969 e vestir a camisa canarinha, marcando um gol, no amistoso Brasil 3 x 2 Argentina, no Mineirão, aos 21 minutos, com os canarinhos representados pelo selecionado mineiro, diante de 50 mil pagantes.

Na verdade, no dia em que Rodrigues esteve canarinho, o escrete nacional foi o Cruzeiro reforçado por dois atleticanos, o zagueiro central Djalma Dias e o lateral-esquerdo Oldair Barachi. Na oportunidade, o comando da equipe esteve entregue a três nomes de destaque no rádio esportivo de Belo Horizonte – Lísio Juscelino Gonzaga, o Biju (treinador campeão mineiro-1971, pelo América); Carlyle Guimarães (ex-atacante do Atlético-MG, Fluminense, Palmeiras, Santos, Botafogo, Portuguesa-RJ e da Seleção Brasileira) e o narrador Jota Júnior –, que escalaram: Raul Marcel; Pedro Paulo, Djalma Dias, Procópio e Oldair; Zé Carlos e Dirceu Lopes (autor de um dos gols); Natal, Evaldo (também foi à rede), Tostão e Rodrigues.     

Rodrigues residia em Belo Horizonte em companhia de Dona Raimunda, sua mãe, e das irmãs Neusa e Iolanda. Como a primeira não se aclimatara na capital mineira, ele começou a pensar em voltar ao futebol carioca, ainda mais porque sentia saudade do mar, já que era marinheiro, quando um oficial da armada o levou para treinar no Flamengo, embora ele fosse torcedor do Vasco da Gama e, quando garoto, vivia usando a camisas cruzmaltina.

 Nem tudo foram flores no relacionamento entre Rodrigues e a torcida cruzeirense. Certa vez, por dizer em um programa de TV que, antes da “Raposa” quase fora para Minas Gerais defender o Atlético, levou a maior vaia quando entrou em campo no primeiro jogo após aquela declaração. Mas, como atuou muito bem, com destaque, saiu de campo aplaudido, encerrando aquela história.

O  hobby de Rodrigues era colecionar pássaros e curtir dois cães pastores alemães. Aém do Flamengo e do Cruzeiro, ele vestiu, as camisas de mais cinco times: Portuguesa de Desportos, Vasco da Gama, São Bento de Sorocaba-SP, Atlético-MG e Noroeste de Bauru-SP, pelo qual chegou ao fim de linha, em 1975. Viveu até 19 de julho de 2015.

      

 

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                                                   PROCÓPIO

Antes de tornar-se tri, o Cruzeiro tinha a chamada “torcida que cabe em uma Kombi”. Um dos seus “xerifes” da campanha do penta foi  Procópio Cardoso Neto, considerado um dos maiores zagueiros da história do clube.

 Para ele, o time de 1966 foi o melhor de todos, está “entre os 10 melhores da história do futebol... ao lado do Santos de Pelé; do Botafogo de Garrincha; da seleção da Hungria-1954; da Holanda-1974 e da Seleção Brasileira-1970”, avaliou par a “Revista do Cruzeiro” Nº 15, de junho de 1997. 

Procópio não figura no “Time do Postal”, mas participou de duas das cinco conquistas estaduais da década-1960 que fizeram as estrelas cruzeirenses bilharem mais forte. Revelado pelol Renascença, do bairro do mesmo nome, em Belo Horizonte, ele foi juvenil para o Cruzeiro e assinou o seu primeiro contrato  profissional em 19 de fevereiro de 1959, temporada em que o clube liquidou o jejum de 14 Estaduais sem títulos. Em 1960, ficou bi e, a partir da li, passou por quatro “grandes” clubes  - São Paulo, Atlético-MG, Fluminense e Palmeiras –, tendo, em 1963, sido campeão brasileiro de seleções estaduais, pela mineira.

Procópio voltou ao Cruzeiro, em 1966, para ser campeão da Taça Brasil (espécie da atual Copa do Brasil) pelo timaqço que mandou 6 x 2 e 3 x 2, este, de virada, sobre o Santos de Pelé, em São Paulo.

Mas os embates contra os santistas não trazem só boas recordações para Procópio. Em outubro de 1968, jogando no Morumbi-SP, em um lance contra Pelé, ele teve uma das pernas fraturadas e levou cinco temporadas para voltar aos gramados. Na volta, o Cruzeiro já tinha uma outra geração, mas que permitiu-lhe colecionar novos títulos, como os Estaduais-1973/74. Pouco depois, encerrou a carreira de atleta e iniciou a de treinador, tendo, inclusive, comandado equipes da “Raposa”.

 

                                                  ÍLTON CHAVES

 

Os jornais escreviam o nome dele com “H”. Mas o seu “Ílton” era com “I” mesmo. E acentuado. Nada de americanismos. Mineiramente, foi registado por Ílton Chaves, no cartório de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, onde nasceu, em 28 de março de 1937.

 Ílton é um dos grandes exemplos de “atleta modelo” do futebol brasileiro. Quando ele pintou no Cruzeiro, em 1964, Wilson Piazza acabara de chegar, do Renascença, clube de um bairro de Belo Horizonte. Ílton era titular e cinco de vida mais velho. Vendo o talento do rapaz, chamou-o no canto e sugeriu-lhe jogar pelo meio do campo. Passou-lhe muitos conselhos e foi parar na reserva. Devido à sua sugestão, o treinador Aírton Moreira (irmão de Zezé e de Aymoré) achara uma trinca perfeita para o setor,  com Piazza, Tostão e Dirceu Lopes, todos garotos e que, a partir de 1965, levaram o clube a vencer cinco campeonatos estaduais consecutivos e uma Taça Brasil (a Copa do Brasil de hoje).

 Muito experiente, Ílton via a idade já ameaçando o seu futebol. Não reclamou da nova vida de “bancário”, virou coringa e reserva para a cabeça de área e as duas laterais. E, assim, foi em seu final de carreira. Em 1969, tornou-se auxiliar técnico de Gérson dos Santos.

Apelidado, pelos companheiro, por “Pezão”, Ílton viveu mais uma história interessante, durante uma excursão “cucaracha” cruzeirense, em 1967. A rapaziada vencia a seleção mexicana, em Leon, por 1 x 0, quando ele foi expulso de campo. A pedido dos colegas – Tonho, Dawson, Vavá, William, Murilo, Zé Carlos, Antoninho, Tostão, Batista e Marco Antônio, time da hora –  que pressionaram muito ao juiz, ele foi autorizado a voltar ao jogo, o que só havia acontecido com o “Rei Pelé”.

 Se, como atleta, Ílton “Pezão” Chaves esteve no grupo pentacampeão mineiro, sendo treinador ele foi o que mais dirigiu a moçada: 389 vezes, vencendo 213 jogos, empatando 89 e escorregando em 60. Levou o Cruzeiro a um tetra estadual – 1972/73/74/75 e a carregar, também, a Taça Minas Gerais-1973 – as suas passagens à frente da equipe foram em: 1970/71/72/75/79/80/83/84.

A carreira boleira de Ílton Chaves começou pelo futebol amador da cidade de Teófilo Otoni. Vendo o seu veneno, o Atlético-MG foi buscá-lo, em 1955. Após cinco temporadas no terreiro do “Galo”, ele mudou-se par a toca do “Coelho” (apelido do América-MG). Campeão brasileiro de seleções estaduais-1963, por Minas Gerais, o seu próximo trato foi com o “Diabo” (alcunha do América-RJ), onde ficou só uma temporada. Não resistiu ao convite do presidente Felício Brandi para dar uma ajudinha à “Raposa”. Foi assim!

                                             

                                                  MARCO ANTÔNIO

O centroavante Marco Antônio é um outro que não figura no “Time do Postal”, mas que, também, foi imporatante na conquista do penta mineiro. Habilidoso, veloz e com chute potente, formou dupla com Tostão em jogos de 1965 a 1967, o que deixa em sua  história o tri mineiro-1965/66/67 e a Taça Brasil-1966.

 Cria dos juvenis do América-RJ, em 1959, mudou-se para o América-MG, em 1962. Em 1963, foi o camisa 9 titular da seleção mineira campeã brasileira, vencendo o Rio de Janeiro, na final, pro 2 x 1.  Em 1964, pintou  no Comercial de Ribeirão Preto-SP, sendo o próximo passo a sua presença no grupo que estava sendo montado com Wilson Piazza, Natal, Tostão, Dirceu Lopes e Pedro Paulo, entre outros.

A grande partida de Marco Antônio pelo Cruzeiro, segundo ele contou à “Revista do Cruzeiro” Nº 6, de agosto/setembro de 1996, foi pelas semifinais das Taça Brasil, contra o Grêmio-Porto-Alegrense, no Mineirão, em 23 de outubro de 1966. Por ter ficado no 0 x 0, no Rio Grande do Sul, os estrelados ficaram com a obrigação de vencer, no Mineirão. “Dirceu Lopes me lançou, em profundidade, e eu parti, muto veloz, atrás da bola. O zagueiro Aírton “Pavilhão” fez escora para a bola ir à linha de fundo, mas consegui fazer um carrinho na pelota e manda-la à rede....o Cruzeiro venceu, por 2 x 1, e o segundo gol saiu de um pênalti batido por Tostão, cometido pelo Aírton, sobre mim” – Raul;  Pedro Paulo, William, Cláudio e Hílton Chaves; Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo (Marco Antônio) e Hílton Oliveira foi o time.

 Marco Antônio deixou o Cruzeiro, em 1967, para defender o Botafogo de Ribeirão Preto. Em 1971, defendeu o Goiânia-GO. Só voltou à Raposa em 1975, como treinador dos juvenis. Fico até 1979, tonou a sair e voltou, mais uma vez, em 199, para coordenar as categorias de base.

                                                     DIA DE NATAL

Um dia, acontecia um festival de futebol para garotos de escolinhas, em Belo Horizonte. No time do Itaú, de Contagem – cidade industrial das vizinhanças da capital mineira – jogava um garoto chamado Natal.  Na partida contra o Cruzeiro, o danado comeu a bola e nem teve tempo de respirar, após o apito final. Orlando Vassali foi até ele e o intimou a ser, imediatamente, um cruzeirense. O menino, assustado, não só foi, com tornou-se o maior ponta-direita da história do clube.

 Driblar era uma brincadeira para Natal. Ganhou o apelido de “Diabo Louro” e aprontou horrores com os marcadores, principalmente quando já era juvenil e foi campeão mineiro, jogando ao lado do também “recém chegante” Dirceu Lopes – o lateral-direito Pedro Paulo foi u outro que subiu com ele para o time A que se tornaria um dos melhores da história do futebol brasileiro, a partir de 1966.

 Quando o Cruzeiro estava formando a geração que seria penta estadual e ganharia a Taça Brasil (espécie da atual Copa do Brasil), a rapaziada não tinha noção do que estava acontecendo, sobretudo porque o presidente do clube, Felício Brandi, dizia-lhes que não estava preocupado com resultados.

Natal virava mais fera quando enfrentava o maior rival cruzeirense, o Atlético-MG. De tanto humilhar o marcador Warley, os galenses foram ao Uruguai e contrataram o terrível Cincunegui, em uma quarta-feira, para este marca-lo, em um domingo de decisão de título estadual. Por 85 minutos, ele não viu a cor da bola. O marcador descia-lhe a porrada. Bastou um descuido dele e Natal passou-lhe a pelota por entre as pernas e lançou Tostão, que balançou a rede.

No entanto, o lance mais incrível de Natal diante do “Galo” rolou no 18 de setembro de 1966. Disseram que ele fizera um cruzamento e fizera o gol por acaso. Mas ele sempre jurou ter mesmo tentado acertar a rede. À  Revista do Cruzeiro, Nº 15, de junho de 1997, alegou: “Nunca vi ninguém fazer um cruzamento do meio do campo”.

No lance, houve uma falta, o apoiador Zé Carlos tocou na bola para a sua direção, tendo ele mandando-a, aos 45 minutos do segundo tempo, par “onde a coruja dorme”, como falavam os “speakers” de antigamente, dizendo que a pelota passou pelo ângulo superior, na interseção do poste transversal com o vertical. Aconteceu diante de 97.965 torcedores que foram ao Mineirão aplaudir Raul; Hilton Chaves, William, Cláudio e Neco; Piazza e Zé Carlos; Natal, Tostão (autor do primeiro gol, aos 25 minutos da etapa inicial), Evaldo e Hilton Oliveira.    

Por aquela mesma temporada, Natal aprontou, também, para o time do Santos de Pelé. Decidia-se a Taça Brasil. Enquanto aquela geração do Cruzeiro ainda era desconhecida fora de Minas Gerais, a defesa santista era lenta. Como um gramado muito grande, no Mineirão, Natal, Tostão e Dirceu Lopes, principalmente, sumiam na frente dos visitantes, que não tinham velocidade para acompanha-los. Resultado: Cruzeiro 6 x 2. No jogo seguinte, em São Paulo, a “Turma do Rei” abriu dois gols de frente, a “Raposa” empatou  e Natal virou o placar: 3 x 2.

Em 1967, faltando três rodadas para o final do Campeonato Mineiro, o “Galo” estava com seis pontos à frente do Cruzeiro. Com um empate, seria campeão. Mas perdeu  para os times de Valério, Uberaba e Uberlândia e foi para uma melhor de três com o Cruzeiro. Perdeu, por 3 x 1 e 3 x 0, e nem precisa contar o que Natal aprontou. Precisas?     

 

                                                            WILLIAM  

 Cria do Marianense, de sua terra, Mariana-MG, onde nasceu, em 25 de junho de 1933,  William José Assis Silva fez o nome com a camisa do Atlético-MG, durante 10 temporadas. Em 1964, foi para o América-RJ, mas ficou só por cinco meses.

Aborrecido por ter sido barrado, pelo treinador Zizinho (Thomás Soares da Silva), do time que disputaria o Torneio Rio-São Paulo, ele  foi embora para Belo Horizonte, sem imaginava o bem que a barração  lhe faria.

 “Diabo” abandonado, em uma sexta-feira, William foi contatado pelo Cruzeiro, no sábado. Mesmo com a “Raposa” sabendo da sua grande ligação com o  rival Atlético-MG, de 10 temporadas e quatros títulos de campeão mineiro mineiro-1955/56/58/62/63 e da Taça BH-1959.    

William no entanto, não chegou ao Cruzeiro totalmente desambientado. Já havia atuado ao lado de jogadores celestes, integrando (como atleticano) a equipe-base de mineiros que representaram a Seleção Brasileira em seis jogos do Campeonato Sul-Americano-1963. No mesmo ano, sagrou-se campeão brasileiro de seleções estaduais, com Minas Gerais vencendo a então Guanabara, por 1 x 0 e 2 x 1 nas finais.

 Pelo Cruzeiro, William participou do grupo conquistador de cinco títulos estaduais consecutivos – 1965 a 1969 – e da Taça Brasil-1966,  disputa que equivale, hoje, à Copa do Brasil e valia duas vagas na Taça Libertadores. Foi quando o clube passou a ser conhecido nacionalmente, revelando Tostão, Dirceu Lopes e Wilson Piazza, os seus principais nomes.

Durante a Taça Brasil, a então maior conquista cruzeirense, ele formou dupla de zaga com o seu cunhado Procópio Cardoso Neto, nas  vitórias (6 x 2 e 3 x 2) sobre o Santos de Pelé. 

Wiliam estreou com cruzeirense em 2 de agosto de 1964, exatamente contra o “Galo”, para quem tanto havia “xerifado” a área. Valeu pelo Campeonato Mineiro, perdeu, por 0 x 1, formou dupla de zaga com Raul Fernandes e escalado pelo técnico Mário Celso, o “Marão”.

Após a estreia, William só voltou a jogar quando o treinador já era Aírton Moreira, em nova derrota (1 x 2) Itaúna, amistosamente, em 28 de outubro, escalado pela lateral-direita. Ainda fez mas um jogo na temporada, em 8 de dezembro nos 2 x 1 Nacional de Uberaba, formando dupla com Vavá, pelo Estadual.

 Iniciada a temporada-1965, William ganhou a vaga de titular, em 19 amistosos, e até marcou gol, em 25 de abril, nos 3 x 3 amistosos com o Bangu. Da mesma forma, iniciou a campanha do penta mineiro como titular, nos 2 x 0 Uberlândia, no estádio Juca Ribeiro, do adversário, formando nesta escalação: Tonho; Pedro Paulo, William, Vavá e Tião; Ílton Chaves e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, João José (Hílton Oliveira), Fescina e Dalmar, escalados por Aírton Moreira.

 Em 1966, William fez muitas duplas de zaga com Vavá e Cláudio, tendo o “paredão” com Procópio  começado em 9 de novembro, no 1 x 0 Fluminense, no Mineirão, semifinal da Taça Brasil.

Em 1967, a dupla de cunhados prosseguiu junta, mas até 19 de julho, quando  atuou junta pela última vez.  William cedeu vez Celton, Vavá e Viktor, principalmente. Assim escreveu a sua participação na melhor fase cruzeirense.

 

      

 

HÍLTON OLIVEIRA – Antes de chegar ao Cruzeiro, o ponta-esquerda Hílton defendia o Fluminense, e o seu sobrenome ainda não era mencionado nas escalações. Em 27 de março de 1963, o seu contrato terminou e ele não aceitou as bases tricolores para renová-lo: Cr$ 360 mil cruzeiros, de luvas (por fora) e Cr$ 60 mil mensais. Queria, respectivamente, Cr$ 660 mil  e Cr$ 80 mil. O Flu até concordava, desde que o novo vínculo fosse por duas temporadas, no que ele não topou.

 Sem entendimento, Hílton ficou um mês sem contrato, só treinando, para manter a forma física, o que deixou o clube sem tê-lo à disposição para quatro jogos do Torneio Rio-São Paulo-1963. Devido a demora em uma definição sobre o seu futuro, ele pediu ao diretor José Vaz Guimarães para negociar o seu passe, afirmando que Flamengo e Palmeiras o queriam. Mas ouviu que o clube não pensava nem mesmo em emprestá-lo. Terminou renovando, por um ano e meio, embolsando Cr$ 860 mil, de luvas) e Cr$ 80 mil mensais. Diante daquela mostra de que o Fluminense, realmente, contava com os seus serviços, Hílton passou a mirar a titularidade da camisa 11, sobretudo porque o sistema de jogo do time mudara. Antes, era reserva do seu conterrâneo e Escurinho, porque este adaptava-se melhor ao sistema tático da equipe. No entanto, voltou para o Cruzeiro, clube que o negociara com os cariocas e pelo qual havia sido bicampeão mineiro-1959/1960.

Cria do Renascença, clube já inexistente e surgido no bairro do mesmo nome, em Belo Horizonte, o ponteiro Hílton chegou ao Cruzeiro, com 18 anos de idade, em 1958. Em 1961, foi para os gramados cariocas. O Oliveira passou a entrar em seu nome futebolístico para evitar confusões na cabeça do torcedor, pois a “Raposa” tinha o apoiador Hílton Chaves.

Voltar ao Cruzeiro foi o melhor que poderia ter ocorrido na carreira de Hílton Oliveira. Ele teve a oportunidade de integrar a melhor formação da história do clube e tornando-se pentacampeão mineiro (1965 a 196) e campeão da Taça Brasil-1966, formando um ataque inesquecível: Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Hílton Oliveira. Esteve cruzeirense até 1970, tendo disputado 330 partidas e marcado 33 gols. Nascido em 30 de setembro de 1941, viveu por 64 anos, até 3 de março de 2006, quando foi levado por uma pneumonia.

 

NECO –  Aos 38 anos de idade, no dia 21 de dezembro de 1983, após disputar, no Maracanã, a sua última partida como goleiro profissional, Raul Guilherme Plasmann fez questão de  homenagem um colega de profissão que não era badalado pela imprensa, nunca idolatrado por torcedores e jamais chamado para a Seleção Brasileira: o lateral-esquerdo Neco.

 Sem querer, o amigo contribuíra, enormemente, para a idolatria dele, pela torcida cruzeirense. Por inteiro acaso. Um dia, o roupeiro não levara para o estádio uma camisa que coubesse em Raul. O que fazer, se o jogo estava para começar? Neco lembrou-se de que levara em sua bagagem uma camisa amarela, apropriada para dias de frio. Coubera certinho no colega. O mais foi improvisar o número 1, com esparadrapo. E Raul surpreendeu o Mineirão, surgindo à boca do túnel vestido daquele jeito, em uma época em que os colegas de posição só usavam o preta. E o amarelo virou o símbolo do goleiro, que já era paqueradíssimo pelas torcedoras da “Raposa”, por ser alto, loiro e cabeludo, como um cantor de iê-iê-iê, que estava na onda.     

Embora não ganhasse aplausos como Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza e o próprio Raul, entre outros, Neco foi um dos mais constantes titulares na melhor fase cruzeirense de todos os tempos. Por exemplo, em 1967, quando o time estrelado sagrou-se tricampeão mineiro, ele fez 35 partidas durante a temporada, sendo o terceiro que mais atuara em jogos no Mineirão, só suplantado por Pedro Paulo (37), Dirceu Lopes, Natal, Procópio e Raul (36). Em 1968, durante a campanha do tetra, embora tivesse jogado menos (25 vezes), ainda assim integrou o time dos 11 com mais atuações.    

 Por causa do acaso, Raul incluiu Neco entre os amigos inesquecíveis de parte dos seus tempos estrelados que lhe renderam 10 títulos estaduais mineiros e a Taça Libertadores-1976 – pelo Flamengo, onde chegou, em 1978, foi campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes, ambos em 1981, tri brasileiro e de várias disputas cariocas.

Neco era um sujeito com opinião dentro da média dos brasileiros. Considerava Pelé  o cracaço do futebol mundial; Aírton Moreira (montador do grande Cruzeiro da décda-1960 e irmão de Aymoré e de Zezé) o melhor terinador; Armand Marques, o melhor árbitro; o avião, o maior invento humano e a morena como a dona da pele mais bonita. Sobre ele, apontava a sinceridade como a sua maior virtude, jurando ser incorruptível.

 Embora não fosse tietado pelos torcedores cruzeirenses, Neco garantia não ter queixas do futebol. Analisava as críticas e aceitava as corretas; jamais fora ameaçado por torcedores fanáticos, após as derrotas; não discutia com os árbitros, por achar que não valia a pena; falava o suficiente em campo, apenas “cantando” jogadas, e evitava revidar deslealdades dos adversários. Por isso, era constante em campo.

 Quando os repórteres chamava Neco para as chamadas entrevistas “bate pronto”, ele era “rápido no gatilho”. Apontava o gramado onde o Cruzeiro jogava em Sete Lagoas-MG o pior que conhecera e o do Maracanã o melhor. Sentia um pouco medo de viagens áreas, em tempos chuvosos, mas, para rolar a bola, não faria diferença se fosse inverno ou verão. Concentração? Se não fosse longa, tudo bem. Menor e maior “bicho” recebidos por vitória? Cr$ 1 cruzeiro, nos tempos de Villa Nova, de Nova Lima-MG, e Cr$ 650, ao eliminar o Grêmio Porto-Alegrense, da Taça Brasil-1966.

 Era assim o homem que merecia homenagens. No mais, dizia só dizia que camisa não ganhava jogo, não havia vitória melhor do que sobre o Atlético Mineiro e que ele era, meramente, "um elemento útil ao time do Cruzeiro”.

 

AÍRTON MOREIRA - Irmão mais novo de Zezé e de Aymoré Moreira, ele foi o montador do maior Cruzeiro de todos os tempos, o de Piazza, Zé Carlos, Natal, Dirceu Lopes e Tostão, entre outros que conquistaram a Taça Brasil-1966, mandando 6 x 2 no Santos, no Mneirão, e virando, no Pacaembu, 0 x 2, para 3 x 2, arranhando a coroa do “Rei Pelé”.

 Ayrton Moreira (a imprensa usava o “i” em lugar do “y”) viveu no clube que não tinha importância e nem nome nacional uma das histórias mais esquisitas do futebol brasileiro. Antes de ir para a boca do túnel, ele era superintendente da sede campestre cruzeirense. Chamado a quebrar o galho como treinador, em 1964, ele lapidou uma geração que encantou o país. Além de carregar a Taça Brasil-1966, vencera, também, os  os Estaaduais mineiros daquele ano e do anterior. Veio a temporada-1967 e os crduzeirenses mandaram 4 x 2 sobre o maior rival, o Atlético, durante a campanha do tri. Apresentando um quadro de pressão muito alta, Airton foi intimado por seu médico a fazer um respouso absluto por 30 dias. Como a “Raposa” estava dois pontos distante do “Galo”, ele aceitou, semdiscutir.

 O que fez o diretor Carmine Furletti? Chmou o ex-atleta cruzeirense Orlando Fantoni, que vinha sendo superintendente do Departamento de Futebol do clube, para substituir, interinamente, Aírton. Pelos últimos 17 anos, ele havia sido treiandor  na Venezuela e ganho 14 campenatos nacionais. E enquanto Airton recuperava-se, sua direção cravou  Cruzeiro 4 x 0 Democrata; 7 x 1 Araxá; 6 x 1 Usipa; 0 x 0 América-MG e 3 x 3 Atlético-MG. Vencida a interinidade, Aírton Moreia reapresentou-se para reassumir o seu trablho e armar o time que enfrentaria o Formiga. Foi então que uma reunião secreta dos dirigentes celetes decidiu que o trabalho do Moreira não interessava mais, pois Fantoni havia obtido cinco vitórias, com o time marcando 20 e sofrendo apenas cinco gols. Aírton chamou os diretores que o afastaram de traídores e só depois de muita conmversas assinou a rescisão contratual, pois o clube não queria pagar a multa prevista pela sua dispensa.

Nascido em 31 de dezembro de 1917, em Miracema-RJ, Ayrton Moreira viveu por 57 anos, até 22 de novembro de 1975. Como atleta, atuou pelas décadas de 1930/40, defendendo equipes do Rio de Janeiro, Minas Gerais e de Pernambuco. A carreira de treinador foi iniciada em 1946, girando por clubes mineiros e carioca. Chegou ao Cruzeiro, em 1957, ficou por duas temporadas e retornou para uma nova fase cruzeirense entre 1964 a 1967.  Após ter sido demitido, injustamente, do clube que projetou no futebol nacional, Aírton  trabalhou para o rival cruzeirnse Atlético-MG, em 1968, e depois em outros times mineiros. Fez o seu último trabalho, em 1975, como auxiliar-técnico no mesmo Cruzeiro, que o teve como um técnico de estrela e de estrelas e o queimou em seu inferno da bola.          

 ORLANDO FANTONI – Ele jurava jamais ter participado de qualquer complô para derrubar Aírton Moreira. Alegava ser um simples empregado do clube, sem cacife para participar de reuniões de diretoria, e dizia-se indignado com quem o via como cabeça do movimento que tirara o cargo do antecessor. Também, garantia não ser “afilhado” de nenhum diretor.

 Quando provocado, Fantoni defendia-se, dizendo não ser “treinador de laboratório” e, se substituíra Aírton Moreira, fora por ter capacidade demonstrada treinando os venezuelanos Deportivo Português, Deportivo Itália e Valência. Também, ponderava que a “Raposa” começara mal a campanha do tricampeonato mineiro, em 1967, e que vira, no primeiro treino que dirigira, ser preciso reagir. Então, implantou uma linha dura que recuperara o  futebol que a torcida estava acostumada a aplaudir.            

Para completar a campanha cruzeirense do tri, Fantoni gabava-se de ter solicitado só um reforço, o lateral-direito Lauro, que defendia o São Cristóvão-RJ, para revezar com Pedro Paulo. Dizia ter mudado pouco o sistema de jogo da equipe estrelada, considerava o seu ataque como o mais rápido do futebol mineiro, talvez, do Brasil, e avisava que, para o Cruzeiro, seria indiferente jogar no Mineirão, Maracanã ou Pacaembu, respectivamente, em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, estádios que recebiam os maiores clubes do país.

 Quando assumiu o comando do time estrelado, Orlando Fantoni procurou criar uma escolinha de futebol, por intuir que o futuro do futebol passava por ali. Nascido, em Belo Horizonte, em 3 de maio de 1917, ele viveu por 82 anos, até 5 de junho de 2002.  Foi atleta cruzeirense, entre 1932 a 1942, quando marcou 82 gols e o nome da agremiação ainda era Palestra Itália. Como treinador, teve três passagens pelo Cruzeiro, entre 1967/1968; de 1971 a 1972, e em 1983. Encerrou a carreira em 1989, pelo Vitória-BA, totalizando passagem por 14 equipes, entre elas Vasco da Gama, Botafogo, Corinthians e Grêmio-RS.  

 

GÉRSON DOS SANTOS -  Mineiro, nascido em Belo Horizonte, no 14 de julho de 1922, ele era um treinador para quem futebol deveria ser arte e ciência. Na juventude, fora defensor (volante) do Botafogo, entre 1945 e 1946, tendo disputado 371 partidas pelo alvinegro carioca. Marcou apenas dois gols como alvinegro e foi convocado quatro vezes para a Seleção Brasileira.

 Criador do “quadrado” no meio-de-campo cruzeirense, Gérson dos Santos chegou ao clube estrelado encontrando o time jogando à base de Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão. Não concebia Zé Carlos fora da escalação. Então, tirou o meia-atacante Evaldo e lançou o “Zelão” no time, para Dirceu fazer o papel do ponta-de-lança. “Apenas aproveitei  os (talentos dos) quatro. Vocês (da imprensa) inventaram (o termo) o quadrado”, disse o treinador, em julho de 1969.

 

                                         RUMO DO PENTA

 

CAMPEÃO-1965 – A bola era um fascinante brinquedo para aquele time repleto de jovens que encantavam a torcida. Naquela temporada, os mineiros reverenciavam duas maravilhas, o recém inaugurado e imponente estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, e a equipe do Cruzeiro, montada pelo treinador Aírton Moreira.

 Inaugurado em 5 de setembro daquele alucinante 1965, tempo em que o mundo ficou de cabeça para baixo, principalmente na moda, na política e na música iê-iê-iê dos ingleses Beatles, o Mineirão teve a camisa estrelada desfilando pelo seu gramado, pela primeira vez,  quase um mês depois de entregue ao público, em 12 de setembro, vencendo ao Villa Nova, por 3 x 1, sem seis titulares que serviam ao selecionado estadual. Razão de o seu primeiro gol na casa não ter sido marcado por um astro, mas por Dalmar, cobrando pênalti, durante a preliminar de Seleção Mineira 2 x 3 Botafogo, parte ainda dos festejos inaugurais  – time que jogou. Antes, os cruzeirenses foram ao gramado do Mineirão participar de um bate-bola publicitário,  divulgando a obra e para vender cadeiras cativas, em 1964. “Eu vi nascer o estádio”, assinalou Dirceu Lopes para o seu biógrafo Pedro Blank, pelo livro “O Príncipe – A real história de Dirceu Lopes.

 Em 24 de outubro, em Cruzeiro 1 x 0 Atlético-MG, com gol de Tostão, aos 35 minutos, foi disputado o primeiro clássico no estádio – Tonho; Pedro Paulo, William, Vavá e Neco; Hílton Chaves e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, Tostão, Marco Antônio e Hílton Oliveira foram os vencedores..

 CAMPANHA – Turno -   Cruzeiro 2 x 0 Uberlândia; 0 x 0 Democrata de Sete Lagoas; 0 x 0 Uberaba; 2 x 0 Nacional de Uberaba; 2 x 2 Villa Nova de Nova Lima; 2 x 1 América-MG; 1 x 0 Guarani, de Divinópolis (?); 3 x 0 Valério, de Itabira (?); 4 x 0 Renascença, de BH; 5 x 0 Siderúrgica de Sabará;. 1 x 0 Atlético-MG. Returno –  3 x 0 Democrata; 1 x 0 Valério; 4 x 2 Uberaba; 5 x 0 Villa Nova; 7 x 0 Nacional; 7 x 1 Guarani; 3 x 2 América-MG; 1 x 3 Renascença; 2 x 1 Atlético-MG; 6 x 0 Uberlândia; 8 x 3 Siderúrgica.       

 

 BICAMPEÃO-1966 – Por aquela época em que a televisão não chegava a todas as casa do país, as emissoras de rádio mais potentes do Rio de Janeiro e de São Paulo faziam os torcedores interioranos mineiros terem mais simpatias pelos clubes dos dois estados. Malmente, eles conheciam os times de Belo Horizonte. Com a inauguração do Mineirão, em f setembro de 1965, e o sucesso do Cruzeiro, os que iam à capital conhecer o novo estádio encantaram-se com a bola de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza, etc e o Cruzeiro passou a ter a maior torcida do interior de sua terra – merecidamente. Onde ia, lotava estádios.

Com 19 vitórias, dois empates e uma inacreditável queda diante do fracote  Valério, o Cruzeiro atingiu a marca de 78 gols marcados – 15 sofridos – em seu segundo campeonato conquistado, na ‘Era Mineirão”, mantendo a invencibilidade da temporada passada diante de América-MG e Atlético-MG, os dois maiores rivais. Mas não ficaria só nas glórias caseiras, como veremos adiante.

Na partida de encerramento do campeonato, por pouco a invencibilidade cruzeirens não foi quebrada. A moçada foi a campo embalado pela conquista da Taça Brasil, levada ao Mineirão para apresentação à sua trocida. Esta decepcionou-se, no primeiro tempo, com Tostão chutando um pênalti para a defesa do goleiro atleticano Hélio. Era o segundo que perdia, sucessivamente, em dois jogos. Mas o “Galo” também desperdiçara um, na etapa final, quando abriu o placar, aos 25 minutos.

Muitos cruzeirenses já haviam ido embora, achando que seu time perdera aquele clássico, quando ouviram, pelos seus radinhos à pilha, a narração do gol de ampate, marcado por Evaldo, aos 48 minutos, nos chamados “descontos” – hoje, acréscimos. E o bi foi comemorado com volta olímpica carregando a Taça Brasil. 

    

CAMPANHA – Entre 9  de julho a 11 de dezembro – Turno – Cruzeiro 4 x 1 Uberlândia; 7 x 0 Formiga; 2 x 0 Siderúrgica de Sabará; 3 x 0 Renascença;  1 x 0 Nacional de Uberaba; 1 x 0 Villa Nova de Nova Lima; 3 x 2 Democrata de Sete Lagoas; 2 x 1 Valério; 6 x 3 Uberaba; 5 x 1 América-MG; 2 x 0 Atlético-MG. Returno - 4 x 1 Siderúrgica; 3 x 0 Formiga; 4 x 1 Renascença; 0 x 1 Valério; 6 x 3 Villa Nova; 9 x 0 Nacional; 4 x 1 Uberlândia; 5 x 0 Democrata; 4 x 0 Uberaba; 1 x 0 América-MG; 1 x 1 Atlético-MG. 

 

 APRESENTADO AO PAÍS -  Ao final da temporada-1965, a torcida brasileira vivia a expectativa pelo tri do escrete canarinho na Copa do Mundo da Inglaterra-1966. E tirava o chapéu para os campeões carioca (Flamengo) e paulista (Santos).

 Em Minas Gerais, um time ainda sem grande galera, o Cruzeiro Esporte Clube, exibiu durante a temporada uma equipe fantástica em que sobressaiam-se Tostão, Dirceu Lopes e Natal, principalmente. Ganhou o título estadual, mas este  só teve repercussão caseira. Até então, a bola das alterosas era só para consumo interno.

Iniciada a temporada seguinte, o Cruzeiro queria levar o campeão paulista para fazer uma grande amistoso diante de sua torcida. Como aquela era uma época em que o Santos excursionava e o planeta pagava-lhe muitos dólares para aplaudir o “Rei Pelé”, o convidado foi o campeão carioca.

Repleto de estrelas, como Murilo, Paulo Henrique, Carlinhos ’Violino” e Silva, todos jogadores de Seleção Brasileira, os rubro-negros pisaram no gramado do Mineirão, cinco meses após a inauguração do então segundo maior estádio de futebol do país, o Mineirão, levando no bico de suas chuteiras o charmoso título de campeão do IV Centenário do Rio de Janeiro.

 Seguramente, grande parte dos 40 mil torcedores que foram ao amistoso da tarde/noite de 3 de fevereiro de 1966 achou normal Silva abrir o placar (aos 20 minutos). Seria ser a ordem natural da partida. Mas Dirceu Lopes empatou (aos 25); Silva fez o segundo dele (aos 27) e Tostão “reempatou” (aos 39 minutos). Para o público da terra, estava “bão demais, sô!"

Menos para a rapaziada comandada pelo treinador Aírton Moreira. No segundo tempo, o Cruzeir massacrou o Flamengo, que não viu a cor da bola. Só o trabalho do “garoto do placar” – Wilson Piazza, aos 17; Tostão, aos 23 e aos 42, e Marco Antônio, aos 29 minutos – deixaram incrédulo o locutor da carioca Rádio Globo, mostrando-lhe um show de técnica e levando o Flamengo – Valdomiro; Murilo, Ditão (Jaime), Luiz Carlos ‘Gaúcho’ e Paulo Henrique; Carlinhos e Jarbas (Nelsinho); Neves, César Lemos (Aírton ‘Beleza’), Silva e Rodrigues (Osmar) –  ao pesadelo de ser moído por uma máquina de jogar bola. Que time era aquele?    

 O Cruzeiro, então,  passou a ser conhecido pelo torcedor brasileiro. Naquele jogo – apitado por Joaquim Gonçalves, da Federação Mineira de Futebol – seu time do dia – Tonho; Pedro Paulo, William (Celkton), Vavá e Neco: Piazza e Dirceu Lopes; Wilson Almeida (Natal), Tostão, Marco Antônio e Hílton Oliveira – excedeu. E excederia, tempinho depois, mandando os mesmos 6 x 2 sobre o Santos de Pelé.

     

TAÇA BRASIL-1966 – O Cruzeiro avisou que não era o bom só do Campeonato Mineiro. Mostraria isso, também, durante a Taça Brasil, até então só levada pelo Bahia e o Santos. E começou a disputa – entre 7 de setembro e 8 de dezembro – valendo vaga na Taça Libertadores, indo a Campos-RJ e  mandando 4 x 0 Americano. No Mineirão, sapecou 6 x 1, no Mineirão.

A segunda etapa foi mais difícil. Eliminou o Grêmio Porto-Alegrense, com 0 x 0 fora e 2 x 1 em casa. Antes da terceira fase, um um tropeço pelo Estadual –  0 x 1 Valério, no Mineirão,  fez a sua torcida temer eliminação, pelo Fluminense, nas semifinais. Mas bastou mandar 6 x 3 Villa Nova, em 30 de outubro, para a confiança voltar – e  Flu voar, por 1 x 0, em Belo  Horizonte, e 3 x 1, no Marcanã. E a “Raposa” foi para as finais, encarar o favorito Santos, de Pelé.

Por aqui, o Cruzeir escreveu  uma das mais bonitas páginas da história do futebol brasileiro. Para o torcedor de fora de Minas Gerais, os cruzeirenses não teriam nenhuma chance diante do pentacampeão da Taça Brasil-1961/62/63/64/65  e bicampeão paulista-1964/65, que só não era penta nesta competição, também, porque o Palmeiras de Ademir das Guia atravessara as suas glórias, em 1963.  

Veio a noite do 30 de novembro daquele 1966 que não deveria ter terminado para os cruzeirenses e 90 mil torcedores – 77.325 pagantes –- compareceram ao Mineirão, gerando a espetacular arrecadação de Cr$ 223 milhões, 314 mil e 600 cruzeiros, a moeda da época. O favorito Santos – também, bicampeão da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes-1962/63 – entrara em campo com seis jogadores passados pela Seleção Brasileira – Gilmar, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos, Zito, Pelé e Pepe – e mais o temível goleador Toninho ‘Guerreiro’, que chegaria, também, ao escrete nacional. Até ali, o Cruzeiro não tinha ninguém selecionável.

O juiz Armando Marques, então, apitou o início de contenda. Com um minuto de bola rolando, Tostão serviu Evaldo, no meio do gramado. Vendo Dirceu Lopes avançando para a área santista, o centroavante fez um lançamento, na medida, para o camisa 10 estrelado “matar”. Apavorado, o lateral-esquerdo santista Zé Carlos chegou primeiror na pelota, mas marcou gol contra: Cruzeiro 1 x 0. Aos cinco, Dirceu Lopes, servido por Evaldo, lançou Natal, que driblu Zé Carlos e bateu forte para a rede: Cruzeiro 2 x 0 – o show estava só começando.

E aumentou, aos 20 minutos. O zagueiro santista Oberdan perdeu bola para Dirceu, que mandou-lhe dois dribles e não perdoou Gilmar, batendo de fora da área: Cruzeiro 3 x 0.  Inacreditável! Mais ainda quando, aos 39,  a “Raposa” infernizou a cozinhao do “Peixe”, com três tentativas seguidas de gol. Na última,  Dirceu Lopes escreveu: Cruzeiro 4 x 0.

”Peguei a bola na entrada da área, apliquei um corte no zagueiro, passei-a, do pé direito para o esquerdo, e bati. Ela fez uma curva e enganou o Gilmar, que ficou agarrado na trave. Foi um golaço”, narrou Dirceu ao site www.cruzeiropedia.com.br

 Aos 41, novamente, Dirceu Lopes infernizou a vida do “Peixe” . Driblou Mauro, dentro da área, e foi derrubado, por Oberdan. Pênalti que Tostão bateu e enlouqueceu a galera: Cruzeiro 5 x 0. Dava para acreditar que tudo isso etava acontecendo só no primeir tempo? E o “Rei Pelé”, por ode andava? Marcado em cima, por Wilson Piazza, não apareceu.

 No  segundo tempo, o Cruzeiro começou mais desacelerado e levou dois gols, aos seis e aos 10 minutos, ambos marcados por Toninho ‘Guerreiro”. Conta-se que, durante o intervalo, no vestiário, o treinador santista Luís Alonso Peres, o Lula, mandou parar o ataque cruzeirense na porrada. Os cruzeirenses, no entanto, reacenderam o vigor, após o susto e, aos 72 minutos, Tostão lançou Evaldo, venceu Oberdan, chutou fore, Gilmar defendeu, mas com rebote que Dirceu Lopes não desperdiçou: Cruzeiro 6 x 2.

Diante de um baile daqueles, o que não estava acostumado, o Santos ficou nervoso e, aos 75 minutos, Pelé chutou Piazza. Formou-se um burburinho e, da confusão, sobraram expulsões de campo para o “Rei” e o zagueiro cruzeirense Procópio – na época, não havia suspensão automática na partida seguinte.

Jogo encerrado, conta-se que os cartolas santistas Athiê Jorge Cury (presidente), e Nicolau Moran (diretor) enviaram a Taça Brasil para o vestiário cruzeirense, a fim de que a “Raposa” ficasse com ela até viajar para a finalíssima. Então, o presidente cruzeirense, Felício Brandi, a teria devolvido, avisando-os de que iria buscá-la, em definitivo, na semana seguinte. No que Athiê teria retrucado: “Em São Paulo, a nossa vingança será terrível” – não foi!

 Wilson Piazza declarou ao Jornal de Brasília, de...., que o Cruzeiro mandara 6 x 2 no Santos de Pelé porque este desconhecia a força da rapaziada estrelada. Na verdade, o “Peixe” não estava tão desinformado assim, pois, em 29 de março, havia disputado um amistoso contra o Cruzeiro, no Mineirão, e sido vencido, por 4 x 3. Na dureza do jogo, tivera um aviso sobre a força da moçada, a não ser que quisesse considerar o placar  “zebrado” – naquele dia, Tostão (2), Dirceu Lopes e Pelé marcaram gols.   

 A finalíssima da Taça Brasil-196 rolou durante a noite do 7 de dezembro, com o paulistano  Pacaembu recebendo  almas, confiantes da reversão de vantagem pelo Santos. E tudo parecia que ocorreria, mesmo, pois, aos 23 minutos, Pelé abriu a conta, para Toninho ‘Guerreiro” aumenta-la, dois minutos depois, deixando o primeiro tempo nos 2 x 0.

Por ali entra mais um “conta-se” nessa história. Daquela vez, os dirigentes santistas teriam ido ao vestiário do Cruzeiro, durante o intervalo, já querendo negociar o local da terceira partida, no que Felício Brandi teria dito: “O jogo ainda não acabou”.

 No segundo tempo, Tostyão perdeu um pênalti, mas recuperou-se marcando um gol de falta, aos 18 minutos. A torcida santista não ligou muito. Mas não teve como preocupar-se, dez minutos dpeois, quando Dirceu Lopes empatou a pugna. E nãoacrditou, quando Natal virou a conta, aos 44 minutos: Cruzeiro 3 x 2. Pela primeria vez, um time mineiro carregava aquele caneco, erguido, para todo o Brasil ver, pelo capitão Wilson Piazza – Raul; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira, comandados pelo treinador Aírton Moreira. 

 

 

   

   

 
 
 

 

   

 

 

 

TRI-1967 – O rival “Galo” colocou seis pontos de vantagem na tabela classificatória do Campeonato Mineiro e seria campeão com três empates. Mas perdeu para o Valério,  o Uberaba e o Uberlândia. Tinha tudo para acabar com a festa cruzeirense. Mas, como não segurou a onda, o título foi decidido em uma melhor de três.

 No primeiro jogo da decisão, Cruzeiro 3 x 1. Para o segundo, já em 21 de janeiro de 1968, a Federação Mineira de Futebol mandou buscar, no Rio de Janeiro, o considerado melhor árbitro do país, Armando Marques, por esperar muitas dificuldades durante a partida. O Cruzeiro, porém, não deu chances ao Atlético-MG, mandando 3 x 0, com gols de Tostão  e Dirceu Lopes, respectivamente, aos 41 e aos 45 minutos do primeiro tempo, e de Evaldo, aos 79, Evaldo, diante de 79.981 pagantes –  Raul; Pedro Paulo, Vicente, Procópio e Neco; Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira deram ao Cruzeiro o primeiro tri da “Era Mineirão”, em jogo visto pelo jornal  “Diário da Tarde” como “um show do início ao fim”.

Para o goleiro Raul, o jogão emocionante da campanha fora o de 26 de novembro: 3 x 3 Atlético-MG, quando a Federação Mineira de Futebol mandu buscar, em São Paulo, o árbitro Ethelvino Rodrigues e 90.838 pagantes passaram pelas bilheterias do Mineirão. Lacy, aos 14 e aos 59, e Ronaldo, aos 38, minutos, abriram a frente vantajosa do “Galo, enquanto Natal, aos 60 e aos 63, e Piazza, aos 74, igualaram o clássico  mineiro, que teve, ainda, bola chutada por Zé Carlos batendo na trave galense. 

Foi um empate com gosto de vitória, sentiu Raul, explicando à “Revista do Cruzeiro” – Nº 7, de 26 de outubro de 1996: “É o meu jogo inesquecível...num domingo. Chovia barbaridade, nós perdíamos, por 0 x 3...tivemos um jogador expulso (de campo), Procópio, ainda no primeiro tempo, e Tostão se contundiu, com cinco minutos de partida...Dos 0 x 3, partimos para a reação, no segundo tempo, empatamos e quase vencemos” – Raul; Pedro Paulo, Victor, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira (Zé Carlos) foi o time armado pelo treinador Orlando Fantoni para aquele dia.

Para outros atletas, o grande resultado da temporada fora o de 21 de janeiro de 1968, fechando a decisão do Estaudal-1967, com Tostão, aos quatro minutos; Dirceu Lopes, aos 45, e Evaldo, aos 82, escrevendo na rede os 3 x 0 que valeram o primeiro tri do Mineirão –Raul; Pedro Paulo, Vicente, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo  e Hílton Oliveira foi a turma da pancada.

CAMPANHA – Entre 12 de julho e 9 de dezembro de 1967 - Turno - Cruzeiro 1 x 3 Usipa; 6 X 2 Valério; 5 x 0 Democrata; 3 x 1 Formiga; 3 x 1 Uberlãndia; 0 x 0 Uberaba; 5 x 1 Villa Nova; 4 x 0  Araxá; 0 x 0 Nacional; 1 x 2 América-MG; 0 x 0 Atlético-MG. Returno – 2 x 0 Uberlândia; 4 x 0 Uberaba; 2 x 1 Villa Nova; 4 x 2 Valério; 4 x 0 Democrata; 7 x 0 Araxá; 0 x 0 América-MG; 6 x 1 USIPA; 3 x 3 Atlético-MG; 2 x 0 Formiga; 4 x 1 Nacional. Melhor de três: 3 x 1 e 3 x 0 Atlético-MG.  

 

ROBERTÃO-1967 – Antes do Campeonato Mineiro, a temporada havia marcado a primeira goleada sobre o rival Atlético-MG, na “Era Mineirão”: 4 x 0, em 5 de março, valendo pela primeira rodada do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o “Robertão”, principal embrião do atual Campeonato Brasileiro – a disputa homenageava um ex-atleta e ex-dirigente do futebol brasileiro.    

Os torcedores atleticanos não suportavam mais as tantas caçoadas dos cruzeirenses, pois não comemoravam uma vitória sobre eles desde o amistoso de 26 de junho de 1966, no Mineirão, por 3 x 2, diante de 23.942 pagantes. E o placar torna-se mais importante por conta de um detalhe: os alvinegros belo-horizontinos eram a maioria da torcida da terra e, dos mais de 100 mil presentes ao clássico – 91.042 pagantes e a sensacional renda de NCr$ 190.607,00 novos cruzeiros, a moeda de então –, eles ocupavam mais espaços no estádio.

 Devido a grandiosa expectativa pelo prélio, foi preciso contratar juiz de fora das Minas Gerais. Chamaram Olten Ayres de Abreu, da Federação Paulista de Futebol, e este, aos 30 minutos, já estava ordenando uma nova saída de bola, pois Evaldo fizera Cruzeiro 1 x 0, placar da primeira etapa.

Na fase final, aos 52 minutos, o mesmo Evaldo voltou a calar a torcida atleticana. Aos 77 e aos 82, respectivamente,  Natal e Wilson Almeida fizeram a torcida galense sair mais cedo do estádio: 4 x 0 – Raul; Pedro Paulo, Celton, Procópio e Neco; Piazza (Zé Carlos) e Driceu Lopes; Natal (Wilson Almeida), Tostão, Evaldo (marco Antônio) e Hílton Oliveira foi a rapaziada do show de bola destacado por toda a imprensa nacional.

 

TETRA-1968 –  Quem foi ao Mineirão na tarde do sábado 4 de maio, deslumbrou-se com o futebol apresentado pelo Cruzeiro. Mandou 10 x 0 Independente, de Uberaba, com 2 x 0,  em 10 minutos, e 4 x 0 ao final da primeira etapa.

Na etapa final, com 30 segundos, a “Raposa” avisou que a rapaziada não iria se acomodar. E deu no que deu, com gols de Rodrigues, aos 7 e aos 52; Evaldo, aos 10; Tostão, aos 29 e aos 40 minutos do primeiro tempo; aos 30 segundos do segundo tempo e aos 65, e Natal, aos 64, 69 e aos 85 minutos – Raul (Fazano); Pedro Paulo, Procópio, Darci Menezes e Neco; Wilson Piazza e Zé Carlos; Natal, Tostão, Evaldo (Palhinha) e Rodrigues foi o time do dia.

 Com aquela conquista, invicta, o Cruzeiro quebrava o tabu, de 30 temporadas sem um tetra. Andara perto disso, sendo tri-1928/29/30; 1943/44/45; 1959/60/61. A jornada teve 22 jogos, com 22, com 17 vitórias, cinco empates, 63 gols marcados e oito contra.

CAMPANHA: Turno - Cruzeiro 6 x 1 Uberlândia; 3 x 0 Uberaba; 0 x 0 Democorata; 0 x 0 Valério; 4 x 0 Usipa; 4 x 1 Araxá; 10 x 0 Independente; 2 x 0 América-MG; 0 x 0 Formiga; 5 x 1 Formiga; 2 x 1 Atlético-MG. Returno - 3 x 0 Uberlândia; 2 x 0 Usipa; 2 x 0 Uberaba; 3 x 0 Araxá; 3 x 0 Independente; 2 x 2 América-MG; 3 x 0 Democrata; 2 x 0 Formiga; 5 x 1 Valério; 1 x 1 Atlético-MG.   

 

PENTA-1969 – O time fechou a série de cinco títulos mineiros,  em 30 jogos, com 26 triunfos e quatro empates. Marcou 68 gols e sofreu seis – só um empate durante o primeiro turno e um gol sofrido, marcado pelo devagar Uberaba. A incrível média de 62, revelava a sua grande superioridade sobre os concorrentes.

 Além de não  tropeçar nos principais adversários – Atlético-MG e América-MG –, o Cruzeiro mandou a maior goleada do certame: 8 x 0 Tupi.  O grande jogo da temporada, no entanto foi o de 4 de maio der 1969, com 1 x 0 sobre o “Galo”.

 Diante do então maior público do futebol brasileiro – 123.351 pagantes, recorde, até hoje, no Mineirão –, o Cruzeir teve o seu gol marcado por Natal, aos sete minutos do segundo tempo. Com a sua rapaziada já havia mandado o mesmo placar, durante o primeiro turno, os atleticanos juraram vingança para  aquele clássico apitado por José Astolfi, da Federação Paulista de Futebol. Ficaram, porém, só na promessa – Raul: Pedro Paulo, Fontana (Raul Fernandes), Mário Tito (Evaldo) e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Rodrigues foi a equipe. 

CAMPANHA: Turno – Cruzeiro 4 x 0 Valério; 3 x 0 Demcorata, de Sete Lagoas; 8 x 0 Tupi, de Juiz de Fora; 1 x 0 Formiga; 0 x 0 Uberlândia; 3 x 1 Uberaba; 3 x 0 Araxá; 3 x 0 Usipa; 1 x 0 América-MG; 1 x 0 Democrata, de Governador Valadares; 1 x 0 Atlético-MG; 2 x 0 Independente; 5 x 0 Sete de Setembro; 1 x 0 Villa Nova, de Nova Lima; 4 x 0 Vila do Carmo. Returno – 3 x 0 Democrata-SL; 1 x 0 Demcorata-GV; 1 x 0 Uberlândia; 2 x 0 América-MG; 1 x 0 Atlético-MG; 1 x 1 Vila do Carmo; 1 x 1 Independente; 2 x 0 Tupi; 2 x 0 Villa Nova; 1 x 0 Uberaba; 5 x 0 Usipa; 2 x 0 Sete de Setgembro; 1 x 1 Valério; 2 x 0 Formiga e 2 x 1 Araxá.  

 

 

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O TIME DO POSTAL

 No dia 30 de março de 1969, no Mineirão, o treinador Gérson dos Santos escalou, pela primeira vez, uma formação que começou jogando e foi repetida para iniciar as cinco partidas seguintes – Raul; Pedro Paulo, Mário Tito, Fontana e Vanderley;  Wilson Piazza e Zé Carlos; Natal, Dirceu Lopes, Tostão e Rodrigues. No decorrer desses jogos, o comandante fez três modificações, lançando o zagueiro Raul Fernandes e os atacantes Evaldo e Hílton Oliveira, sem que o nível técnico da equipe caísse. Com esta rapaziada, o Cruzeiro venceu os seis compromissos, marcando 13 gols e não sofrendo nenhum.

 A formação escolhida por Gérson dos Santos ajudou o Cruzeiro a ficar tetracampeão mineiro, feito inédito em sua história, antes das últimas três rodadas, além de bater o recorde de invencibilidade do futebol brasileiro – 35 jogos oficiais –, tirando-o do Corinthians (33) e fechando o Estadual como o maior, também, em rendas e nos itens ataque mais positivo e defesa menos vazada. Sem falar que

 Depois do tetra, circulou pelas bancas de revista de Belo Horizonte um cartão postal com o time dos seis jogos posados. Turma que, ainda, colocou no currículo o segundo título estadual cruzeirense invicto. Até então, o único postal com fotografia de um time de futebol no Brasil havia circulado no Rio de Janeiro, na época em que o Vasco da Gama era o “Expresso da Vitória”, na década-1940, quando conquistou o primeiro título do futebol brasileiro no exterior, o Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões.

Muito provavelmente, a foto foi batida antes do clássico contra o “Galo”, em 4 de maio daquele 1969. Por aquele tempo, não era costume dar crédito aos fotógrafos, razão de ele não ter o seu nome aqui citado. Vejamos quem são os craques do postal e a ficha técnica das seis partidas.

 

 

RAUL – Alto – 1m82cm –, aloirado, com olhos verde garrafa,  sempre sorridente, ele era o galã do melhor time cruzeirense de todos os tempos. Por ser o goleiro mais cabeludo do futebol brasileiro, era comparado aos astros dos tempos do “iê-iê-iê”, a brasa musical dadécada-1960. Questionado sobre os cabelos longos, garantia não lhe atrapalharem em campo. Ao contrário, jurava ajudarem a aumentar os aplausos femininos e o seu entusiasmo durante as partidas. “Sou cabeludo conscientemente e o serei até o dia em que os cabelos longos estiverem na moda. Quando ela passar...verão o goleiro do Cruzeiro sentado...na cadeira do barbeiro...”, prometeu à Revista do Esporte de Nº 415, de 18.02.1967.

 Aproveitando da idolatria de Raul entre as torcedoras cruzeirenses, uma fábrica de discos o convidou a gravar uma música. Ele topou e foi badalado pelas emissoras de rádio, interpretando a canção-poema “I love you”, que já vinha fazendo sucesso na voz do ator Anthony Quin. Com Raul, o sucesso dobrou, em Belo Horizonte, principalmente após o Cruzeiro conquistar o tricampeonato mineiro de futebol. Também, a Lux Filmes, do Rio de Janeiro, o sondou sobre a possibilidade de ele aceitar ser o galã de uma produção musical, o que não topou. Achava já ter fãs demais. E um bom salário, passando muito longe daquele Cr$ 100 cruzeiros de luvas e Cr$ 20 mensais, do primeiro contrato, assinado com o Atlético-PR – já era proprietário de dos apartamentos alugados, em Belo Horizonte e que lhe proporcionavam mais uma renda.

 Mesmo com um grande fã-clube, torcida feminina organizada, com muitas adolescentes, aos 23 anos de idade, no embalo do tricampeonato mineiro, Raul garantia não ter namorada, pois considerava-se muito novo para se amarrar, termo da época da Jovem Guarda, quando ele fazia questão de andar na moda, ficar por dentro de tudo. Embora gostasse da onda da minissaia das meninas lindas, não escondia que havia mulher em quem nem vestido de baile ficava bem nela. Para os assovios dos torcedores atleticanos, devido a sua camisas amarela, não ligava para os rivais. Considerava-os “grandes despeitados” pelo sucesso junto às mulheres. E garantia ter conversado com muitos torcedores sobre aquilo, tendo a maioria achado as camisas daquela mais bonitas do que todas as que já tinha usado.    

 Nascido em Curitiba, em 27 de julho de 1945, Raul Guilherme Plassman – filho  do alemão Guilherme e da brasileira Lavínia –, foi parar no Cruzeiro como contrapeso de uma negociação que levou o também goleiro Fábio (?) para o São Paulo, que tirou-lhe do Atlético Paranaense e não deu-lhe chances de disputar a camisa de titular. Sorte dele, pois emplacou com a pele da “Raposa”. Sorte que anunciou-se para ele tão logo pisou em Belo Horizonte. Encontrou uma nota de Cr$ 1 cruzeiro pelo chão, ficou pouco tempo na reserva e, quando entrou no time, não saiu mais, para tornar-se ídolo da torcida cruzeirense. E melhor: ganhou Cr$ 2 milhões de luvas (dinheiro com o qual não vinha contando) e Cr$ 300 mil mensais de salário, além de cassa e comida pagos pelo clube.

 Raul atribuía muito do seu sucesso à “boa defesa” que tinha o time do Cruzeiro. Não vinha um determinado centro melhor do que um outro, para um atleta emplacar, e propagava uma filosofia: goleiro, mesmos com todos os preparativos técnicos, depende muito da sua sorte e da falta desta para os atacantes. Para ele, os 82 quilos que mantinha, compatíveis com a sua altura, lhe ajudava a ter o físico ideal para a sua posição. “Não tenho dificuldades para defender bolas rasteiras e altas, já que a minha mobilidade é muito boa”, dizia, embora preferisse as bolas rasteiras, por ter visto muitos “atacantes desleais” aproveitando o jogo aéreo para atingir os camisas 1. Da mesma forma, entre jogos em dia chuvoso ou de sol, preferia este, por não precisar de esforço terrível para desfiar um chute com bola molhada. “Até com as pontas dos decôs desviamos um curso de uma bola seca”, justificava.

 Raul ficou famoso pelo uso, acidental, da camisas amarela. E deixava curioso os repórteres que o viam usando calções largos. Segundo ele,  lhe dava mais mobilidade de movimentos. Sujeito de respostas rápidas, não titubeava para apontar Pelé e o colega Wilson Piazza como grandes craque; o zagueiro vascaíno Fontana como referência de jogador violento; Armando Marques como o melhor árbitro brasileiro; o Mineirão como o melhor gamado em que atuara e a televisão como maior invento humano. Fazendo uma autocrítica, admirava a sua sinceridade. Concordava que falava demais durante as partidas e, diferentemente dos demais colgas, até gostava das concentrações.    

 

PEDRO PAULO –  Lateral-direito que sabia jogar usando a técnica, motivo que o levara a titular no time cruzeirense, no entanto, ele levava uma filosofia para os gramados: as vezes, zagueiro deve entrar mais duro no lance, para impor respeito.

Nascido na mineira Pedro Leopoldo (15.08.1945), Pedro Paulo Teles Marcelino  esteve estrelado entre 1963 a 1974, por 393 jogos. Marcou quatro gols e está na história da “Raposa” como o atleta que mais pisou no gramado do Mineirão, em 1966, em 41 jogos, em uma dos melhores temporadas da história do clube, que rendeu um tri estadual e o título da Taça Brasil. Repetiu a dose no ano seguinte, com 37 atuações, uma a mais do que astros como Dirceu Lopes,  Natal e Raul, e em 1968, com as mesmas 37 escalações, duas a mais do que Tostão, o grande ídolo da torcida.

 Chamado pela torcida por “PP”, quando ele chegou ao Cruzeiro, em 1963, foi para o time juvenil. Em 1964, subiu ao time A, após formar, com o conterrâneo Dirceu Lopes, o meio-de-campo que levou a garotada ao título estadual da temporada. Jogava com os chamados “contratos de gaveta”. Quando foi registrado, ganhou um Fusca-1964, uma casa no basirro do Horto Floretal, o que jamais sonhara em seus inícios de sua história, em 1956, defendendo o Industriário Atlético Calube, de sua cidade.

 No mesmo 1964 em que foi promovido ao grupo principal cruzeirense, Pedro Paulo tgeve a alegria do sucesso no futebol estrelado. Mas vivia trtiste pela perda dos pais. Para suprir tal falta, casou-se, com Madalena Silva Marcelino e logo gerou o “Pepezinho”, isto é, Pedro Paulo Júnior.

Garoto pobre, que só pudera estudar até a (antiga) primeira série primária, Pedro Paulo vivia um sonho como titular do grande time do Cruzeiro. Era sempre requisitado para entrevistas e pedidos de autógrafos. Ia ficando distasnte os tempos de garaoto, quando sonhava em vestir a camisa do Fluminense e levantar a torcida no Maracanã. Em sua nova realidade, já planejava ser fazendeiro e investir na compra de apartamentos. Calculava ser isso possível tomando por base os Cr$ 6 milhões de cruzeiros (moeda da época) que os seu grupo havia embolsado, de grafificações, entre 1965 e 1967.  

  Considerado pela imprensa mineira como dono de uma carreira, tecnicamente, “irrepreensível”, o PP ainda ficou na história estrelada como um símbolo de raça, de força física, do jogo simples, da objetividade e  pela facilidade com que atacava, oque não era muito comum entre os laterais de sua época. Fazia cruzamentos açucarados para o ponteiro Natal.

Antes de ser centro-médio (espécia dos atuais volantes) do Industriário, o PP havia defendido o Social Olímpico Ferroviário, do Horto.Foi o treinador Mário Celso de Abreu, o Marão, quem o fixou pela lateral-direita, no Cruzeiro de 1964. Ele chegara a jogar alghumas partidas pelo time A, em 1963, mas teve de esperar pela saída do titular Massinha, para o Vasco da Gama. Depois de firmar-se como titular, foi convocado para os selecionados mineiros formados em 1967 e em 1970. Em 1968, vestiu a camisa da Seleção Brasileira que mandou 3 x 2 em nos argentinos, amistosamente, no Mineirão, com a equipe canarinha alinhando nove cruzeirnses e mais o zagueiro Djalma Dias e o apoiador Oldair, do Atlético-MG.

O fim de linha de PP no Cruzeiro pode ser demarcado em 21 de maio de 1972, quando sofreu ruptura total dos ligamentos, durante partida contra o “Galo”. Passou quatro meses em tratamento e, em 1973, com a chegada de Nelinho, perdeu a posição, para sempre. Voltou a jogar, mas improvisado como zagueiro e volante. Esteve emprestado à Caldense, para um amistoso, no mesmo ano, e tornou-se ex-cruzeirense em fevereiro de 1974. Foi embora levando na bagagemos títulos de campeão da Taça Brasil-1966; dos Campeonatos Mineiros-1965/66/67/68/69/72/73 e Taça Minas Gerais-1973.

No fim de linha, ainda defendeu os times do Atlético-PR, Paysandu-PA, União Bandeirantes-PR, Emelec-EQU, Vitória-BA e Náutico-PE, este em 1974.Viveu por 62 anos, até 14 de fevereiro de 2008,  levado por um acidente vascular cerebral, sofrido no 25.12.2007.

Pedro Paulo foi autor, também, de um feito que lhe deu um bom espaço na imprensa esportiva mineira: em 9 de julho de 1966, marcou gol 100 da história do clube, em Cruzeiro 4 x 1 Uberlândia, pelo Estadual. Aconteceu no Mineirão, aos 22 minutos do segundo tempo, com o treinador Aírton Moreira escalando este time: Raul; Pedro Paulo, Vavá, Cláudio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Batista e Hílton Oliveira.  Só 3.169 pagantes testemunharam.  
 
 
 

 

        

MÁRIO TITO – O Cruzeiro foi buscá-lo no Bangu, pelo qual elegera-se o melhor zagueiro central do Campeonato Carioca-1962, pegando pela frente feras como os botafoguenses Garrincha, Amarildo e Quarentinha; os rubro-negros Dida e Henrique, e o cruzmaltino Saulzinho, entre outros “matadores”.

 Mário Tito, zagueiro de ótima estatura –1m87cm– para um zagueiro – calçava 42. Jogava bem, era elogiado, mas não conquistava títulos. Só mudou a sorte durante a temporada-1966, quando os “Mulatinhos Rosados de Moça Bonita” carregaram o caneco carioca, sem discussão, o que favoreceu a sua contratação pelo Cruzeiro. Ele dizia-se cansado ver a sua equipe considerada  boa, certinha e chegando sempre perto do título, que não o conquistava sob as críticas de ser um considerado um “time sem camisa para ganhar campeonato”. Com a turma da “Raposa”, a coisa mudou.

Nascido em Bom Jardim-RJ, em 6 de novembro de 1940 – filho de Francisco Tito com Etelvina da Conceição Tito – foi em sua cidade que ele começou a sua história de bola. Chegou a tentar a sorte no Vasco da Gama, mas não lhe deram chance e ele voltou para a sua terra, onde um dirigente banguense tinha fazenda. E o levou para Moça Bonita, onde assinou o seu primeiro contrato como profissional, em 1º de outubro de 1959, ganhando Cr$ 6 mil cruzeiros mensais – as primeiras economias deram para comprar uma casa em sua terra e um caminhão.     Inicialmente, defendendo o Bom Jardim Esporte Clube, Mário Tito era ponta-de-lança, espécie de homem-gol, antigamente. Dono de olhos castanhos escuros e de cabelos pretos, Mário Tito mantinha o peso de 72 quilos para jogar bem, sem precisar fazer regime. Católico, devoto de Nossa Senhora de Fátima, casado, com Maria da Glória, Mário Tito não gostava de conversar sobre política partidária, como a maioria dos atletas do futebol. Preferia ouvir música, ir ao cinema e traçar uma saborosa maionese com legumes. Também, fumar cigarros da marca Minister, o que hoje lhe causaria problemas com o departamento técnico.

(títulos cruzeirenses e jogos).

.(continuar pesquisa) .............

 

FONTANA – Temível zagueiro de área, ele entrou para o time dos “homens maus” do futebol em seus tempos de Vasco da Gama, quando jogava muito duro. Para isso, tinha  a rápida explicação de que defensor não pode joga bonitinho, se não quisse ver atacantes fazendo o nome em cima dele. Além do mais, garantia que a fama fora criada por jornalistas que desconheciam o que era estar dentro de campo com a missão de evitar gols.

 Jose de Anchieta Fontana era capixaba, nascido em Santa Teresa, em 31 de dezembro de 1940. Viveu por 39 anos, até o dia 9 de setembro 1980, quando o seu coração o tirou de uma pelada entre amigos. Saiu desta vida para ser lenda dos gramados. Tinha boa estatura para um zagueiro de sua época, 1m83cm, e jogava pesando 79 quilos. O atleta muito viril dos gramados era um pacato cidadão fora dele, preferindo ficar em casa assistindo progamas de TV e ovindo músicas, principalmente de Altemar Dutra. Pela Seleção Brasileira,   

 Campeão da Taça Guanabara-1965, Fontana ganhou, em 1966, convocação para os treinamentos da Seleção Brasileira que iria tentar o tri na Inglaterra. Mas não chegou até a Copa do Mundo, tendo sido dispensado quando já estava na Europa, por motivo de contusão (?). No mesmo 1966, foi campeão, também, do Torneio Rio-São Paulo, dividindo o título com Corinthians, Santos e Botafogo, porque a Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) não encontrou datas para uma decisão. Em 1967, voltou a conquistar a Taça GB.

Em 1969, Fontana iniciou a sua história cruzeirense, na temporada em que o time estrelado  conquistou o pentacampenato mineiro. Encaixou-se muito bem no time dirigido pelo treinador Gérson dos Santos, formando zaga, inicialmente, com Raul Fernandes – depois, com Mário Tito. Estreou em 26 de janeiro, nos 4 x 0 Valério, pelo Campeoanto Mineiro, diante de 21.601 pagantes, no Mineirão. No dia, o técnico Gérson dos Santos escalou: Raul; Pedro Paulo, Raul Fernandes, Fontana e Vanderley; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão (Evaldo),  e Hílton Oliveira (Rodrigues).

 Fontana esteve presente, também, no dia em que a “Raposa” mordeu o caneco de campeão estadual, a três rodadas do final da disputa, em  22 de junho de 1969, no Estádio Salles de Oliveira, em Juiz de fora, vencendo ao Tupi, por 1 x 0, por esta formação: Raul; Raul Fernandes,  Mário Tito, Fontana e Vanderley; Piazza e Zé Carlos (Wilson Almeida); Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes (Palhinha) e Rodrigues.

XERIFADAS – Embora definido pela imprensa como “xerifão”, Fontana considerava-se um zagueiro voluntarioso que entrava em campo só para vencer.  Dizia: “As vezses, no calor do jogo, chego a disputar a bola até com certa virilidade, mas sem a intenção de atingir alguém, maldosamente. Quando o juiz marcar falta, erradamente, fico zangado e quero discutir com ele. A minha disposição de vencer e o meu entusiasmo fralam por mim. Fico nervoso quando o meu time sofre um gol. Quero logo descontar a diferença. Se pudesse ia para a frente tentar o gol”. 

Em 1970, Fontana voltou a formar dupla de zaga com Brito, revivendo o dueto famoso por tantas catimbas durante as seis temporadas em que estiveram juntos com a camisa cruzmaltina. Mas o início de sua carreira fora pelo Vitória, da capital capixabal, em 1958. Já os primeiros titulos de campeão estadual pelo Rio Branco, em 1959 e em 1962, ano em que foi para São Januário.

 Em 1972, em sua derradeira temporada de bola – decidiu ser fazendeiro, no Espírito Santo –, Fontana participou de uma das histórias mais inusitadas do Cruzeiro, uma excursão que durou 70 dias e 18 amistosos por três continentes – América do Norte, Oceania e Ásia –, levando vários chefes de estados a estádios. Na época, seu colega de zaga era o argentino Perfumo e o treinador Orlando Fantoni. O último jogo com a camisa cruzeirense rolou em  14 de dezembro de 1972, no Maracanã, em 1 x 3 Vasco da Gama, pela segunda fase do Campeonato Brasileiro, diante de 66. 254 pagantes. O teinador já era Ílton Chaves e o time teve: Raul; Lauro, Darci Menezes, Fontana e Vanderley; Piazza e Zé Carlos e Driceu Lopes; Roberto Batata (Eduardo Amorim), Palhinha e Rinaldo.  

NAMORO COM O INIMGO – Em 1964, o então Anchieta, como era chamado pela  rapaziadas do time do Vitória-ES, enfrentou o selecionado mineira, defendendo o capixaba, nos tempos dos antigos Campeonto Brasileiros de Seleções Estaduais. No jogo em Vitória, ele não aliviou as canelas dos visitantes, que prometeram ir à forra, em Belo Horizonte. Mas não aconteceu nada, a não ser ele ter gostado muito de Belo Horizonte e pedido ao amigo Bueno, que fizera dupla de xerifes com ele no Espírito Santo, para pedir aos homens do Atlético-MG para levá-lo, também.

 O tempo foi passando e Bueno, segundo Fontana, só o enrolava, “talvez, temendo que eu tomasse o seu lugar no time do Galo”, disse à Revista do Esporte de Nº524, de 22.03.1969. Veio, então, 1968 e o presidente atleticano, Fábio Fonseca, foi a São Januário, pedir ao Vasco os empréstimos de Bianchini, Silas e William. Fontana aproveitou a ocasião e, diante do presidente vascaíno, João Silva, não se apoquentou: “Doutor Fábio, porque o senhor não me leva, também?” – ele seria o cara ideal paras entrar na zaga atleicana, mas não coube no pacote porque se recuperava de contusão e levaria 30 dias para se recuperar, além de outros tantos para retomar a forma física.             

 

SELEÇÃO BRASILEIRA – Substituto de Procópio no time cruzeirense, Fontana tornou-se um autêntico caudilho na zaga. Passou a sonhar com volta à Seleção Brasileira, que servira durante os prepartivos para a Copa do Mundo-1966, na Inglaterra.  Foram 11 jogos, com oito vitórias, dois empates e uma derrota. E o mais importante: diante de 50 mil torcedores, participou de um jogo do tri, em 10 de junho de 1970, no Estádio Jalisco, em Guadalajara, durante a primeira Copa do Mundo promovida pelo México (a segunda foi em 1986). Quis o destino que ele fosse campeão mundial formando a velha zaga na qual fizera fama ao lado de Brito – Felix; Carlos Alberto Torres, Brito, Fontana e Everaldo (Marco Antônio); Piazza, Clodoaldo (Edu Américo) e Paulo César Lima; Jairzinho, Tostão e Pelé foi o time escalado pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo.     

A estreia do Fontana canarinho foi amistosamente, nos 3 x 1 Peru, em 8 de junho de 1966, no Maracanã, ainda vascaíno, escalado por Vicente Feola, que mandou a campo: Ubirajara Mota; Fidélis, Brito, Fontana e Oldair; Roberto Dias e Denílson; Paulo Borges, Alcindo, Tostão e e Edu Améico. Como cruzeirense, disputou sete partidas, todas em 1970 – 0 x 2 e 2 x 1 Argentina; 4 x 1 Seleção Amazonense; 0 x 0 Paraguai; 3 x 1 Seleção Mineira e 3 x 0 Irapuato-MEX, além da já citada diante da Romênia. 

 

VANDERLEI – Lateral-esquerdo, esteve cruzeirense por 538 jogos, entre de 1969 a 1978, tornando-se o sexto atleta (enquanto jogou) com sexto o maior número de partidas pelo time estrelado – Zé Carlos (633), Dirceu Lopes (610), Piazza (566), Raul (557) e Eduardo Amorim (556) estavam a frente. Atualmente, é o sétimo, pois o goleiro Fábio ganhou o topo dessas escada.

Vanderlei Lázaro nasceu na mineira Uberaba, em  20 de junho de 1947. Antes de vive da bola, foi servente de pedreiro, ajudando o pai e um irmão na construção de casas em sua terra. Era a rotina dos homems de sua família. Aos 14 anos de idade, começou a vida boleira. Aproveitava as folgas do horário de almoço para rolar a redonda com os colegas de trabalho. Até que, um dia, ele decidiu ir ao Nacional, clube de sua cidade, pedir para fazer um teste no time juvenil. Aceito e aprovado, ganhou titulos da categoria-1964/65. Em 1966, o treinador João Avelino experimentou-o com a camisa 6 do time principal e ninguém mais a usou. Na temproada seguinte, com o Nacional disputando a princial divisão do Campeoanto Mineiro, ele foi o melhor defensor da equipe e eleito revelação do ano. Motivo da sua contratação pelo América-MG que o viu convocado para a seleção estadual que encarou paulsias e carioca naquele mesmo 1967.   

Antes de chegar ao Cruzeiro, Vanderlei esteve emprestado ao Corinthians, mas não conseguiu ser o dono da psição, porque o titular Edson já fora connvocado para a Seleção Brasileira.

Com a camisa ccruzeirense, Vandrlei  deixou 14 gols marcados em suas subidas ao ataque, tendo participado da conquista de oito títulos. Mesmo assim, era do time dos pouco badalados. Estreou em 26 de janeiro de 1969, no Mineirão, escalado pelo treinador Gérson dos Santos, nos 4 x 0 Valério, pelo Campeonato Mineiro, diante de 21.601 pagantes – Raul: Pedro Paulo, Raul Fernandes, Fontana e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos; Natal, Dirceu Lopes, Tostão (Evaldo) e Hílton Oliveira (Rodrigues foi o time.

 O últmo jogo foi em 12  de julho de 1978, diante de 12.366 paganmtes, empatando com o Vitória-BA, por 0 x 0, no Mineirão, em Salvador, pela terceira fase da Copa do Brasil. O time era treinado por Zé Duarte e alinhou: Raul; Flamarion, Zezinho, Marquinhos e Vanderlei; Nélio, Erivelto e Eduardo Amorim; Revetria (Eli Carlos), Lívio (Vicente) e Joãozinho.     

  

 

PIAZZA – De inicio, ele era só Wilson, como os muitos xarás que rolavam a bola pelos campos mineiros. Um dia, o técnico Mário Celso, o Marão, acrescentou o Piazza ao seu nome futebolístico, para diferenciá-lo dos  homônimos que não jogavam nada. E, com nova assinatura, surgia um dos principais atletas do Cruzeiro das décadas-1960/1970.

 Marão marcou muito a carreira de Piazza, o nome que terminou ficando mais na boca dos locutores esportivos. Além de dar-lhe um chamamento pomposo, na época em que prevaleciam apelidos esquisitos no futebol brasileiro, o tirou do time amador do SESC-Serviço Social do Comércio e o levou para o Siderúrgica, que disputava o campeonato estadual. O restante foi por conta do seu talento, o que rendeu-lhe dezenas de títulos com a camisas celeste, a cor de sua preferência, como dizia.

 Wilson da Silva Piazza nasceu na pequena mineirinha Neves, em 25 de fevereiro de 1943. Filho de José Piazza, com Regina da Silva Piazza, ganhou cinco irmãs – Glória, Meire, Marília, Regina e Marlene – e um irmão – Antônio. Quando firmou-se como titular cruzeirense, já sonhava com a Seleção Brasileira. E não só tornou-se um canarinho, como foi seu capitão e tricampeão mundial, durante a Copa do Mundo México-1970.

 Coincidindo com o a explosão de talentos do time cruzeirense, a partir de 1965 e que rendeu um pentacampeonato mineiro, além do título da Taça Brasil-1966, Piazza recebeu os seus primeiros prêmios como o melhor de sua posição nos Estaduais-1965/1966, quando formava o meio-de-campo celeste, com Evaldo – Troféu Guará, que a Federação Mineira de Futebol oferecia à seleção da temporada, em homenagem a um dos grandes goleadores do Atlético-MG.     

  Católico praticante, devoto de Santo Antônio, Piazza fazia o sinal da cruz ao entrar em campo, mas não usava amuletos. Só Via Deus com poder para tirar a vida de alguém. Dizia-se um sujeito com muita fé em Deus, a quem agradecia, ao lado de Marão, pelo sucesso em sua carreira profissional, iniciada em 1962. Embora não acreditasse em macumba, respeitava todas as religiões. O que não respeitava era a atitude de quem fazia cirurgia plástica por vaidade. No máximo, admita que o perfume influenciava no charme da mulher, embora não o considerasse indispensável. Mulher, para ele, deveria ser simples e natural. Mas ele usava o perfume Lancaster.

 Pelos seus inícios de carreira, Piazza não gostava de conversar sobre política. Quis o destino, porém, que ele viesse, mais tarde, a ser vereador, em Belo Horizonte, e líder classista. Foi vereador e secretário municipal de Esportes de Belo Horizonte, sócio-fundador e primeiro presidente da Associação de Garantia ao Atleta Profissional de Minas Gerais, entre outros atos políticos.Antes, preferia falar sobre futebol, música popular – adorava a italiana “Al di lá” – e cinema. Principalmente, do filme “Imitação da vida”, o que mais gostara. Considerava Pelé o máximo do futebol, Armando Marques o número 1 da arbitragem, o Mineirão o melhor estádio em que jogara e o avião grande invento  humano. Sobre si, apontava honestidade e sinceridade como as suas maiores virtudes.

Embora fosse um jogador com fama de usar o cargo de capitão do time para reclamar ponderadamente com os árbitros, certa vez, Piazza discutiu com o árbitro paulista Olten Aires de Abreu, por vê-lo prejudicando demais o seu time, e foi expulso de campo. Garantia, porém, só falar o necessário em campo.

  Ao contrário de muitos colegas, Piazza considerava a concentração para os jogos indispensável a todo atleta. Afirmava que camisa não ganhava jogo e que, se o time não corresse, ficaria difícil vencer. Modesto, ele dizia-se “um jogador útil”. Menor prêmio? Cr$ 100 cruzeiros, como juvenil do Renascença, clube com o qual assinou o primeiro contrato, em 1962, ganhando NCr$ 120 novos cruzeiros mensais.

Inicialmente, Piazza foi centroavante. O Cruzeiro foi busca-lo no clube do bairro do mesmo nome, em Belo Horizonte, gastando, naquele 1962, Ncr$ 1 mil cruzeiros, após ele ter sido eleito uma das revelações do campeonato juvenil mineiro-1961. A mudança permitiu-lhe deixar o emprego, no Banco Mercantil de Minas Gerais, para dedicar-se inteiramente ao futebol. Valeu a pena, pois não demorou a chegar à Seleção Brasileira, tornando-se campeão, aos 24 anos de idade, da Copa Rio Branco-1967, com os 0 x 0, 2 x 2 e 1 x 1, com o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu. Elogiado pelo bom futebol e a liderança, capitaneando, cresceu o seu prestígio e esteve cogitado, pelo técnico Vicente Feola, para os treinamentos da Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo-1966, na Inglaterra.

Pelo time canarinho, Piazza disputou 65 jogos, com 45 vitórias, 14 empates e seis quedas. Além da Copa Rio Branco-1967, foi campeão, também, da Copa do Mundo-1970, atuando como quarto-zagueiro, e da Copa Roca-1971, esta disputada contra os argentinos, e da Copa Independência-1972, comemorativa dos 150 anos de independência do Brasil. Disputou, ainda, a Copa do Mundo-1974  – Félix; Everaldo, Jurandir, Roberto Dias e Sadi; Piazza e Dirceu Lopes; Natal/Paulo Borges, Tostão, Alcindo/Edu Antunes/Paulo Borges  e Volmir/Hílton Oliveira foram os companheiros de primeira seleção nacional. 

ONDA DO GALO - Após fratura em uma das pernas, em um jogo da Seleção Brasileira, Piazza sofreu muito para voltar a jogar. Muitos achavam que a sua carreira havia chegado ao final, pois ele treinava e não passava nos testes para jogar. Quando pôde jogar, não conseguiu concluir os amistosos. Para piorar, Zé Carlos, que o substituíra, vinha jogando demais. Em determinado momento, perdeu a crença na volta por cima.

 Foi, então, que o maior rival cruzeirense, o Atlético-MG, ajudou Piazza a voltar a jogar. Conversou com ele e lembrou-o de que, pela nova regulamentação do Conselho Nacional de Desportos, o seu passe, brevemente, teria um preço “X”. O Cruzeiro descobriu e inquiriu ao seu médico se o seu jogador poderia mesmo voltar a jogar, como antes. Com resposta positiva, a “Raposa” renovou o seu contrato e o deixou na reserva de Zé Carlos, com 21 anos de idade e explodindo talento. Para o treinador Orlando Fantoni, barrar o “Zelão”, para Piazza voltar a ser titular, seria uma tremenda estupidez, como também seria deixar o antigo titular fora do time.        

 Um dia, o ex-grande atleta cruzeirense Bengala, que havia sido treinador, também, e seguia ligado ao clube estrelado, como benemérito e conselheiro, sugeriu barrar o meia Evaldo, que teria o seu trabalho feito, alternadamente, por Zé Carlos e Dirceu Lopes. Com isso, Piazza voltaria em sua velha função. Fantoni não acolheu a ideia, mas Gérson dos Santos, sobre quem Bengala tinha forte ascendência moral, topou.

 Com os treinadores Orlando Fantoni e Aírton Moreira, o Cruzeiro formava um tripé no meio-de-campo. Com Gérson dos Santos, passou para um quadrado. Então, por conta de uma alteração tática, Piazza readquiriu o se prestígio, voltou ao escrete nacional e atuar com o antigo vigor, além de maior maturidade. 

Além de campeão mineiro-1965/66/67/68/69/72/73/74/75, Piazza tem maismais quatro títulos não-oficiais.

O final do relacionamento Piazza/Cruzeiro foi trumático. Ao atingir 14 temporadas defendendo o clube, recebeu o passe livre, aos 34 anos de idade. Então, foi à Justiça, cobrando indenização. À época, ele justificou à revista carioca Manchete – Nº 1.174, de 19.10.1974 – que o fazial para que “o meu gesto sirva de exemplo aos demais jogadores, muitas vezes iludidos e explorados pelos dirigentes...”. Por meio do advogado Dílsn Aquino, ele questionou a validade técnica da atitude cruzeirense e cobrou mais ações do Estado na regulamentação da profissão de atleta de futebol. Aquino representou Piazza defendendo que contrato de trabalho, após 10 anos consecutivo com o mesmo empregador, assumia estabilidade, pela Consolidação da Leis do Trabalho-CLT. O jogador de futebol, no entanto, não tinha tal direito, como o artista teatral, por exemplo.    

Quando desentendeu-se com o Cruzeiro, Piazza era um dos três ramanescentes do grande time surgido em 1965, juntamente com o goleiro Raul e o meia-atacante Dirceu Lopes. Ele jurara não ter interesse financeiro na questão, mas no serviço que prestaria à sua categoria trabalhadora. 4Parou de jogar em 1979, devido uma sinfisite púbica, mas até hoje a torcida lembra dele como o maior volante que vestiu a camisa azul em todos os tempos.

Jogos e gols pelo Cruzeiro?  Fã de uma feijoada e de dobradinha, este pisciano, medindo 1m75cm de altura, media 80 cm de cintura e dava duro para não engordar. Não escondia ser fumante e proprietário de duas casas e três terrenos, na época do tri mineiro. 

 

ZÉ CARLOS – O futebol dele era de deixar noivas arrepiadas. Pelo menos, a de Felício Brandi, presidente do Cruzeiro, começou a ficar nevosa, ao pé do altar, achando que o noivo  desistira do casamento, pois não aparecia. Mas, por um justo motivo (para a torcida cruzeirense): após nove viagens à mineira Juiz de Fora, finalmente, o dirigente conseguira acertar a contratação do apoiador Zé Carlos e seguira para a igreja agradecendo a Deus por ter celebrado um dos melhores negócios de sua gestão estrelada.

    José Carlos Bernardes, nascido, em 28 de abril de 1945, começara a mostrar veneno defendendo o time do Tupi, de sua terra. Mas assinou o primeiro contato, como profissional, com o rival Sport, em 1962. Convocado para a seleção municipal que enfrentou uma seleção da capital mineira, ele entusiasmou tanto ao presidente da “Raposa” que o homem só se aquietou quando o teve por seu jogador. Dia de gande comemorção do casal Jorge Bernardo e Ana Filomena (e de mais seis irmãos, três homens e três mulheres).

Zé Carlos vestiu a camisa celeste estrelada entre 1965 a 1977, mostrando-se um dos apoiadores volantes mais clássicos e modernos de sua época, mostrando ótima qualidade no passe e sendo, também, grande “desconstrutor” de jogadas (do adversário, evidentemente). Isso lhe rendeu 13 faixas de campeão pelo Cruzeiro – Taça Brasil-1966, Taça Libertadores-1977 e 10  do Campeoanto Mineiro. E chegou ao Cruzeiro arrasando. Em seu primeir treino, aplicou um “chapéu” (drible aéreo)  no grande nome do time, o meia-atacante Dirceu Lopes, deixando o treinador Aírton Moreira “embasbacado”, como dia o mineiro. Havia poucos torcedores presentes, mas quem viu deu razão ao presidente Felício Brandi, por ter deixado a noiva arrepiada.

Zé Carlos, no entanto, não ganhou logo a vaga de titular cruzeirense. Teve de amargar uma suplência para Wilson Piazza. Fez alguns jogos pelo Tornei Roberto Gomes Pedrosa e a Taça Libertadores e só foi fixado no time devido contusão do titular. Depois, tornou-se difícil barrar-lhe. Convocado, por Aírton Moreira, para uma seleção mineira que enfrentou cariocas e paulistas, empolgou tanto, que Vasco da Gama e o Corinthians chegaram a oferecer Cr$ 200 mil cruzeiros pelo seu passe, que custara Cr$ 7 mil e 500, ao Cruzeiro.       

 Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o craque celeste sempre procurou mantrer o peso, de 67 quilos, condizentes com o seu 1m,69cm. Usava chuteiras-41 e não exagerava diante der um prato com bife e batatas fritas, para manter a cintura com 75cm.  

 Dono de tanta classe, seria natural que Zé Carlos chegasse à Seleção Brasileira. Quem primeiro o convocou foi Aymoré Moreira (irmão de Aírton). Disputou amistosos, entre 1968 e 1969, e estava no grupo que João Saldanha preparava para disputar a  Copa do Mundo-1970, no México. Porém, quando aquele foi trocado, por Mário Jorge Lobo Zagallo, este o dispensou.

Após deixzar o Cruzeiro, Zé Carlos ainda defendeu o Guarani, de Campinas, foi campeão  brasileiro-1978, e o Botafogo. Jogou até 1983 e não se desligou, depois, do Cruzeiro, formando com o clube uma parceria em uma escolinha de futebol, Sete Lagoas. Com treinador, sagrou-se campeão catarinense-1986 e

 

NATAL – Coisas do destino. Quando ele era garoto, simpatizava o Atlético Mineiro. No entanto, foi se consagrar como atleta defendendo o maior rival do “Galo”, a “Raposa”, que engoliu a antiga simpatia.

 Algo que Natal deixou de lado, também, jogando pelo Cruzeiro, foi a sua insistência em imitar Mané Garrincha, influenciado pelas atuações do craque durante a Copa do Mundo-1962, no Chile. Ainda bem! Pouco depois do Mundial, viu que teria de desenvolver o seu estilo próprio, pois não vinha conseguindo sucesso como “papel carbono”, como disse à Revista do Esporte Nº 413, de 04.02.1967, pois os seus dribles não levavam vantagem sobre os marcadores.

 A vida futebolística do ponteiro-direito do maior Cruzeiro de todos os tempos começou em 1962, pelo Itaú Futebol Clube, da Cidade Industrial, bairro de Belo Horizonte. Passou todo o 1963 recuperando-se de uma contusão e, na temporada seguinte, foi para o juvenil cruzeirense. Ficou campeão estadual da categoria e, por prêmio, ganhou a promoção ao time principal, sem passar pelos aspirantes.

 Natal de Carvalho Baroni não sabia explicar porque os seus pais – Mário Baroni e Nádia de Carvalho Baroni – lhe deram aquele pré-nome, pois ele nascera em um 24 de outubro (de 1946) – no bairro belo-horizontino Nova Granada. Irmão de Vera, Antônio, José Antônio, Lúcia, Maria, Marinho, Solange e Haidê, ele chegou a 1m68cm de altura e mantinha o peso de 60 quilos para não perder o bom pique com as suas chuteiras de número-38.

 Natal, mesmo considerando-se um “otimista incurável”, dizia-se um fatalista e tinha por receita da felicidade amar e ser amado. Acreditava em macumba, usava um breve, feito pela mãe, e não negava esmola a um pedinte. Não gostava de falar sobre política, preferindo cinema – adorou o filme Doutor Jivago – e música –  ficou fã da italiana Al di Lá.

 Fã da cor vermelha, ele considerava o perfume indispensável à mulher, “lhe dá mais 1it”, justificava, e preferia as bem simples, sem sofisticações e falsidades. Até aceitaria vê-la fazer cirurgia plástica, em caso de necessidade. Tinha medo de viagens aéreas, só concebia a Deus o direito de tirar a vida de um ser humano e gostaria de viver por 100 anos.

Com carreira iniciada em 1962, Natal profissionalizou-se, em 1964, pelo Cruzeiro. Em 1966, na brincadeira com os colegas, dizia que o seu menor e maior bicho por vitória fora 1: Cr$ 1 mil cruzeiros, quando juvenil cruzeirense, em 1964, e Cr$ 1 milhão, após vencer o Grêmio Porto-alegense, em 1966, a vitória que, até então, mais lhe emocionara. Pouco falante durante as partidas, considerava as concentrações necessárias para jogadores solteiros

 Natal apontava Pelé e Tostão (atletas), Armando Marques (árbitro) e Aírton Moreira (treinador) como as grandes feras do seu tempo e tinha a opinião de que a camisa pesava a depender do jogador. Para ele, a  televisão era o maior invento humano e não a via matando o futebol, ao transmitir partidas, uma grande discussão da época sessentista. O seu maior sonho era chegar à Seleção Brasileira. Chegou! E disputou... partidas, tendo agradado bastante em sua estreia, durante excursão de 1968. Convocado como suplente do corintiano Paulo Borges, que não rendeu o esperado, Natal aproveitou bem a chance que abriu-se para ele. Lançado pelo treinador Aymoré Moreira, diante da então Tchecoeslováquia, abriu o placar da partida que o anfitrião venceu, por 3 x 2, e segurou a vaga de titular. O jogo seguinte, 6 x 3 Polônia, voltou a jogar muito bem e a marcar gol. O terceiro amistoso foi  com a já inexistente Iugoslávia e ele foi um autêntico operário para os companheiros chegarem à rede. Fez o passe para Tostão marcar o segundo gol brasileiro. Foi o bastante para os jornalistas estrangeiros escreverem que o escrete canarinho levara à Europa uma grande revelação. (listas datas das partidas). Desempenhou, muito bem, as funções de um ponteiro moderno, agredindo defendendo, armando e sempre indo à linha de fundo.

 No Cruzeiro, Natal recuava um pouco, quando preciso, mas não tinha a obrigação de marcar o seu marcador, como o fez durante a excursão, e agradou muito ao treinador Aymoré Moreira. Estava com 21 anos de idade quando aquela chance canarinha chegou.                

 

 

 

EVALDO – No infanto-juvenil do Americano, de Campos-RJ, o treinador Jorge Pinheiro viu um garoto muito bom de bola. Pediu ao seu irmão e zagueiro do Fluminense, Pinheiro, que o levasse para as Laranjeiras. Levou. E não demorou a verem grande futuro nele, pois chutava com as duas pernas, cabeceava forte e tinha a mesma cor escurinha dos maiores craques brasileiros, como Friedenreiche, Leônidas da Silva e Pelé. Chamava-se Evaldo Cruz e nascera ali mesmo, em Campos, terra de tantos craques - 12 de janeiro de 1954.

Quando Evaldo começou a estraçalhar pela meia do time juvenil tricolor, em 1961, começaram a chama-lo de Pelé. Mas ele não gostou nada, já demonstrando personalidade. Pediu à imprensa que o livrasse, do apelido, pois temia que logo aparecesse alguém chamando-o de “mascarado”. Era sincero. Se os seus pais lhe deram um nome, queria a ser chamado por ele.

 Para ir para o Fluminense, o pai de Evaldo exigiu que ele não abandonasse os estudos. Prometeu e foi à luta pelo clube do seu coração, como garantia. Fã de Zizinho, o garoto Evaldo mostrava aos que o viam rolar a pelota não que o apelido famoso não estava tão mal aplicado nele, pois viam muito de Pelé em seu futebol. Ele fazia gols, mas não era fominha. De preferência, preferia deixar o companheiro olhos-nos-olhos com o goleiro. E assim fazia. Teve a sua melhor fase como astro no maior time que o Cruzeiro já montou, entre 1965/1969, pentacampeão mineiro e da ganhador da Taça Brasil-19665, com o ataque formado por Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Hílton Oliveira. Cruzeirense, entre 1966 e 1971, Evaldo disptou 296 jogos e marcou 108 gols. Para não ir mais longe: o maior fã deele era o “cracaço” Tostão, o maior artilheiro da história cruzeirense, com 245 gols. Muitos deles...        

Filho de Benedito Cruz e de Graciosa Silva Cruz, o meia Evaldo teve por irmão Elier, Everaldo, Edílson, Eduardo e Leila. Dono de cabelos e olhos pretos. jogava pesando 65 quilos, usando chuteiras-38 e não via a sua altura, de 1m65cm, sem prejudicar-lhe nos gamados. Dizia-se devoto de São Jorge e a sua primeira gana no futebol fora Cr$ 5 mil cruzeiros mensais, de ajuda de custo, do Fluminense. Adorara o filme “Doutro Jivago” (estrelado por Oma Sahriff (?) e a música (do filme) “Tema de Lara”.

 Evaldo achava que a situação do país, em 1967, era boa, mas não demonstrava bom conhecimento de política governamental. “Deve estar”, respondia, indagado se o Brasil encontrava-se bem orientado. Segurança demonstrava ao falar de suas lembranças, como do primeiro treino pelo time juvenil do Fluminense, em 1961: “Levei tantos pontapés, de um zagueiro, que cheguei a chorar”. 

Sujeito que dizia-se combativo e possuidor de autocrítica, Evaldo definia-se como alguém expansivo e alegre, por natureza, e muito falador. Achava a mulher perfumada mais atraente, se não fosse sofisticada e infiel. E se submetesse a uma cirurgia plástica só em casos necessários. Católico, usava uma medalha com a imagem de São Jorge e não deixava de acreditar, em parte, em macumba e mau olhado. Preferindo a cor marrom, via a TV prejudicando o futebol, grande discussão na décda-1960.   Evaldo fez 294 jogos com a camisa do Cruzeiro, entre 1966 e 1975 e marcou 111 gols.

 

DIRCEU LOPES –  Certa vez, pela metade da década-1960, o time do Cruzeiro estava em um hotel de São Paulo. De repente, bateram à porta do apartamento em que hospedava-se o camisa 10 estrelado. Era Mané Garrincha, dizendo: “Vim conhecer o melhor jogador do futebol brasileiro”.

O mineiro  Dirceu Lopes Mendes, nascido em 3 de setembro de 1946, por aquela época, se não era o melhor, no mínimo, estava entre os cinco primeiros donos da bola canarinha. Tanto que foi uma das principais peças do time que venceu o Santos, de Pelé, por 6 x 2, no Mineirão, e por 3 x 2, de virada, no Pacaembu, para conquistar a Taça Brasil-1966, a disputa que apontava o representante brasileiro à Taça Libertadores da América, por aquela época.

 Baixinho, mas rápido e muito habilidoso, Dirceu começou as suas intimidades com a pelota a partir dos 12 anos de idade, defendendo o time juvenil do Pedro Leopoldo Esporte Clube, de sua terra. Em 1962, foi para o Cruzeiro, como amador, mas jogava tento que, por várias vezes, foi lançado em compromissos do time principal. Em 1963, disputou o Campeonato Mineiro Juvenil e, ao final da disputa, foi profissionalizado, ganhando Cr$ 150 mil cruzeiros, entre luvas (grana adicional) e ordenado. A partir de 1965 e até 1969, passou a viver o auge de sua carreira, tornando-se pentacampeão estadual, além de ter levantado, também, a Taça Brasil-1966. Em 1970, esteve convocado para os treinamentos da Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo e era citado, pelo treinador João Saldanha, como nome certo para ir ao México. No entanto, Zagallo, que o substituiu, o dispensou do grupo que voltaria tri, do México – disputou 19 jogos canarinhos e marco quatro gols, em 12 vitórias, seis empates e só um insucesso. Sagrou-se campeão da Copa Rio Branco-1967, diante do Uruguai, contra o qual estreou, no 0 x 0 de 25.06.1967. Fez a sua última partida pelo escrete nacional em 06.08.1975, vencendo a Argentina, por 2 x 1. Além desses adversários, enfrentou, ainda, as seleções de México (2 x 1), Alemanha Ocidental (2 x 2), Iugoslávia (3 x 3), Peru (2 x 1), Chile (5 x 0), Paraguai (3 x 2), e os times do Coritiba (2 x 1), Bahia (4 x 0), Millonários-COL (2 x 0), Bangu (1 x 1) e Hamburgo-ALE (2 x 0).       

Jogador representativo da “Era-Mineirão”. inaugurado em 7 de setembro de 1965, quando defendeu a seleção mineira que enfrentou o argentino River Plate, Dirceu Lopes fez o lançamento que permitiu ao atleticano Bougleux marcar o primeiro gol no estádio. Naquele dia, ele não imaginava a mudança que o futebol de sua terra viveria. “...não pensava que o impulso fosse tão forte...pois, em pouco tempo...Minas Gerais consegui chamar a atenção, tornando-se um dos maiores centros do futebol brasileiro”, disse à Revistas do Esporte de Nº 408, de 31.12.1966, da segunda vez em que falava à semanária e a uma publicação esportiva nacional. “Temos ganhado bichos que jamais sonhávamos...”, revelou, atribuindo a isso, também, ao fato de o associado cruzeirense dispor de uma sede campestre próxima do Mineirão, o que permitia-lhe passar as manhãs dos finais de semana recreando-se e, à tarde, ir aos jogos dos estrelados.

 Dirceu via o Cruzeiro com um “time certinho”, com uma estrutura que permitia-lhe mudar peças mantendo o rendimento. Com os primeiros dinheiros lhe pagos pela “Raposa”, mandava ajuda financeira para os pais e   remodelou a casa deles. Dizia não fazer mais do que a sua obrigação.

 O filho do seu Tião com a Dona Maria não se considera uma pessoa perfeita e tinha pavor de escândalos. Achava que as pessoas deveriam evita-los. Embora não tivesse tempo e nem pudesse se expor tanto em público, gostava muito de cinema e elegeu “Os Brutos também amam”, como o melhor filme que assistira. Como todo jovem de sua idade, aos 22 anos, nos tempos do iê-iê-iê, curtiu muito a música “Aquele beijo que te dei”, gravada por Roberto Carlos.

Dirceu atendia bem aos repórteres, mas quando lhe indagavam sobre temas fora do futebol enrolava o lance. Certa vez, lhe perguntaram se o Brasil (de 1968), tempos das ditadura militar dos generais-presidentes, estava bem orientado. Mandou um lençol no cara, respondendo: “Acho o Brasil tem carência de bons treinadores”, embora tivesse grande consideração pro Martim Francisco. Mas, se afirmava nada entender de política, tinha opinião sobre o que via. Por exemplo, que a vida no país poderia melhorar se houvesse esforço do governo para alfabetizar a grande massa de analfabetos e criar postos de emprego para todos.

Fã das praias do Rio de Janeiro, Dirceu Lopes, quando solteiro, não deixava de sacar a estampa das belas cariocas dentro dos seus biquínis. Não reclamava de deparar-se com uma mulher perfumada, a achava assim mais agradável e era de opinião que a brasileira do ontem e a daquele seu tempo de jovem se equivaliam. Sujeito muito romântico, ele só não gostava das sofisticadas e levianas. Católico praticante, nunca negava esmola, dizia-se combativo e não acreditava em macumba e em amuletos. Para ele, ser sincero é o caminho da felicidade e o complexo significa falta de personalidade. No entanto, aceitava a cirurgia plástico para corrigir defeitos físicos.

 Quem falasse que as transmissões da TV da década-1960, o auge do Cruzeiro, prejudicavam o futebol, não teria o apoio de Dirceu. Além do pentacampeonato mineiro-1965/1969 e da Taça Brasil-19665, Dirceu Lopes conquistou o tetra estadual-1972/73/74/75; o Torneio Início-MG-1966; a Taça Minas Gerais-1973, a Taça Libertadores-1976, e mais 17 torneios de menor importância, ente o Brasil e o exterior. Pelo Cruzeiro, até 1977, fez 594 jogos e 224 gols. Individualmente, os primeiros prêmios pelo seu talento foram os troféus Guará (destaques da temporada mineira), Revelação e Craque do Ano-1964 (juvenil), com o último repetido em  1965, já profissionalizado.

TOSTÃO – Nascido em Belo Horizonte, em 27 de janeiro de 1947, ele era um atleta diferente dos demais. Aos 19 anos de idade, já falava em estudar Ciências Econômicas e mostrava-se bem informado sobre o caminho das finanças, registrando o seu apelido, o que significava que, quem quisesse usar, comercialmente, o nome “Tostão”, teria de conversar com Eduardo Gonçalves de Andrade que, por sinal, já recebia convites para fazer publicidade empresarial.

 Canhoto, o “Mineirinho de Ouro”, denominação lhe dada pelos jornalistas, raramente chutava, ou passava a bola com o pé direito, que exigia-lhe chuteiras de número 41. Mas o fato de ser um “saci” em campo não o impediu de tornar-se o maior artilheiro da história cruzeirense, com 245 gols marcados em .... jogos.

Cuidadoso com o peso (68 quilos) condizente com a sua altura (1m72cm), Tostão era considerado pelo bicampeão mundial Zito, do Santos, como o melhor futebolista brasileiro, depois de Pelé, o qual ofuscara na decisão da Taça Brasil-1966, quando o venceu, por 6 x 2, em Belo Horizonte, e 3 x 2, em São Paulo. Ficara, também, “vice-rei” em popularidade nacional, após aquela conquista.  

 Tostão chegou ao Cruzeiro, em 1964, como juvenil, após não entrar em acordo financeiro com o América-MG. Em 1965, tornou-se titular e até deixar o clube, em 1972, quando foi para o Vasco da Gama, conquistou os mesmos títulos já citados no texto sobre Dirceu Lopes.

Em 1966, após a Copa do Mundo, na Inglaterra, quando marcou um gol, contra a Hungria (15.07.1966), já estava ganhando Cr$ 800 mil cruzeiros mensais. Até pouco tempo antes, não passava dos Cr$ 150 mil.  A sua estreia pela Seleção Brasileira foi empatando (1 x 1), com o Chile (15.05.1966). A partir dali, totalizou 65 partidas, com 47 vitórias, 12 empates e seis quedas. Marcou 36 gols, dois deles (14.06.1970) durante a campanha do tricampeonato mundial, em 1979, no México, diante do Peru. Despediu-se da camisa canarinha com Brasil 1 x 0 Portugal (09.07.1972), levando para o seu currículo os títulos, além do tri, da Copa Rio Branco-1967; Copa Roca-1971 e da Taça Sesquicentenário da Independência do Brasil-1972.

ADMIRAÇÃO – Dois craques, em especial, fora de Minas Gerais, mereciam os aplausos de Tostão: Pelé e Rivellino. Na arbitragem, considerava o melhor o argentino Roberto Goicochéa, que apitava em São Paulo. Já o melhor treinador não escancarava. Dizia ser o seu conterrâneo Orlando Fantoni um dos bons. Melhor estádio para se jogar? A resposta era seca: o gramado do Mineirão, em Belo Horizonte. Não apontava o pior, mas contava haver coisas horrorosas pelo  interior mineiro.

 Tostão sempre respondia aos repórteres que lealdade e franqueza eram as suas maiores virtudes. Fazia algumas reservas às críticas sobre as suas atuações e, embora não fosse de discutir com os árbitros, não deixava de fazer reclamações, bem como aos marcadores pancadeiros. Achava a concentração necessária e, em 1969, já pensava em ser médico, o que o foi após ter abonado a carreira de atleta. Sem modéstia, considerava-se um bom jogador, não escondia já ser homem rico, independente, que jogava mais por prazer. Não acreditava que camisa pudesse ganhar jogo.    

  

   

             

         

RODRIGUES -  Ele brigou muito, com Hílton Oliveira, pela posição de titular da ponta-esquerda. Deixou escrito a autoria do gol 500 da história cruzeirense, aos 35 minutos do primeiro tempo dos 1 x 2 Atlético-MG, de 2 de agosto de 1970, no Mineirão, diante de 106.155pagantes – Raul; Raul Fernandes, Morais, (Darci Menezes), Fontana e Neco; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Rodrigues (Gilberto) foi o time escalado pelo treinador Gérson dos Santos.  

José Rodrigues dos Santos, nascido na baiana Conde, em 31 de julho de 1946, começou a fazer o seu nome sendo campeão juvenil e profissional do IV Centenário do Rio de Janeiro, em 1965, um ano depois de ter chegado à Gávea. Na temporada-1966, ajudou o Fla a ganhar o Torneio Internacional de Guyaquil, no Equador – esteve rubro-negro até 1967. No ano seguinte, chegou ao Cruzeiro, para ser bicampeão mineiro-1968/1969 e vestir a camisa canarinha, marcando um gol, no amistoso Brasil 3 x 2 Argentina, no Mineirão, aos 21 minutos, com os canarinhos representados pelo selecionado mineiro, diante de 50 mil pagantes.

Na verdade, no dia em que Rodrigues esteve canarinho, o escrete nacional foi o Cruzeiro reforçado por dois atleticanos, o zagueiro central Djalma Dias e o lateral-esquerdo Oldair Barachi. Na oportunidade, o comando da equipe esteve entregue a três nomes de destaque no rádio esportivo de Belo Horizonte – Lísio Juscelino Gonzaga, o Biju (treinador campeão mineiro-1971, pelo América); Carlyle Guimarães (ex-atacante do Atlético-MG, Fluminense, Palmeiras, Santos, Botafogo, Portuguesa-RJ e da Seleção Brasileira) e o narrador Jota Júnior –, que escalaram: Raul Marcel; Pedro Paulo, Djalma Dias, Procópio e Oldair; Zé Carlos e Dirceu Lopes (autor de um dos gols); Natal, Evaldo (também foi à rede), Tostão e Rodrigues.     

     

Além do Flamengo e do Cruzeiro, o ponteiro-esquerdo Rodrigues vestiu, as camisas de mais cinco times: Portuguesa de Desportos, Vasco da Gama, São Bento de Sorocaba-SP, Atlético-MG e Noroeste de Bauru-SP, pelo qual chegou ao fim de linha, em 1975. Viveu até 19 de julho de 2015.

      

 

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HÍLTON OLIVEIRA – Antes de chegar ao Cruzeiro, o ponta-esquerda Hílton defendia o Fluminense, e o seu sobrenome ainda não era mencionado nas escalações. Em 27 de março de 1963, o seu contrato terminou e ele não aceitou as bases tricolores para renová-lo: Cr$ 360 mil cruzeiros, de luvas (por fora) e Cr$ 60 mil mensais. Queria, respectivamente, Cr$ 660 mil  e Cr$ 80 mil. O Flu até concordava, desde que o novo vínculo fosse por duas temporadas, no que ele não topou.

 Sem entendimento, Hílton ficou um mês sem contrato, só treinando, para manter a forma física, o que deixou o clube sem tê-lo à disposição para quatro jogos do Torneio Rio-São Paulo-1963. Devido a demora em uma definição sobre o seu futuro, ele pediu ao diretor José Vaz Guimarães para negociar o seu passe, afirmando que Flamengo e Palmeiras o queriam. Mas ouviu que o clube não pensava nem mesmo em emprestá-lo. Terminou renovando, por um ano e meio, embolsando Cr$ 860 mil, de luvas) e Cr$ 80 mil mensais. Diante daquela mostra de que o Fluminense, realmente, contava com os seus serviços, Hílton passou a mirar a titularidade da camisa 11, sobretudo porque o sistema de jogo do time mudara. Antes, era reserva do seu conterrâneo e Escurinho, porque este adaptava-se melhor ao sistema tático da equipe. No entanto, voltou para o Cruzeiro, clube que o negociara com os cariocas e pelo qual havia sido bicampeão mineiro-1959/1960.

Cria do Renascença, clube já inexistente e surgido no bairro do mesmo nome, em Belo Horizonte, o ponteiro Hílton chegou ao Cruzeiro, com 18 anos de idade, em 1958. Em 1961, foi para os gramados cariocas. O Oliveira passou a entrar em seu nome futebolístico para evitar confusões na cabeça do torcedor, pois a “Raposa” tinha o apoiador Hílton Chaves.

Voltar ao Cruzeiro foi o melhor que poderia ter ocorrido na carreira de Hílton Oliveira. Ele teve a oportunidade de integrar a melhor formação da história do clube e tornando-se pentacampeão mineiro (1965 a 196) e campeão da Taça Brasil-1966, formando um ataque inesquecível: Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Hílton Oliveira. Esteve cruzeirense até 1970, tendo disputado 330 partidas e marcado 33 gols. Nascido em 30 de setembro de 1941, viveu por 64 anos, até 3 de março de 2006, quando foi levado por uma pneumonia.

 

NECO –  Aos 38 anos de idade, no dia 21 de dezembro de 1983, após disputar, no Maracanã, a sua última partida como goleiro profissional, Raul Guilherme Plasmann fez questão de  homenagem um colega de profissão que não era badalado pela imprensa, nunca idolatrado por torcedores e jamais chamado para a Seleção Brasileira: o lateral-esquerdo Neco.

 Sem querer, o amigo contribuíra, enormemente, para a idolatria dele, pela torcida cruzeirense. Por inteiro acaso. Um dia, o roupeiro não levara para o estádio uma camisa que coubesse em Raul. O que fazer, se o jogo estava para começar? Neco lembrou-se de que levara em sua bagagem uma camisa amarela, apropriada para dias de frio. Coubera certinho no colega. O mais foi improvisar o número 1, com esparadrapo. E Raul surpreendeu o Mineirão, surgindo à boca do túnel vestido daquele jeito, em uma época em que os colegas de posição só usavam o preta. E o amarelo virou o símbolo do goleiro, que já era paqueradíssimo pelas torcedoras da “Raposa”, por ser alto, loiro e cabeludo, como um cantor de iê-iê-iê, que estava na onda.     

Embora não ganhasse aplausos como Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza e o próprio Raul, entre outros, Neco foi um dos mais constantes titulares na melhor fase cruzeirense de todos os tempos. Por exemplo, em 1967, quando o time estrelado sagrou-se tricampeão mineiro, ele fez 35 partidas durante a temporada, sendo o terceiro que mais atuara em jogos no Mineirão, só suplantado por Pedro Paulo (37), Dirceu Lopes, Natal, Procópio e Raul (36). Em 1968, durante a campanha do tetra, embora tivesse jogado menos (25 vezes), ainda assim integrou o time dos 11 com mais atuações.    

 Por causa do acaso, Raul incluiu Neco entre os amigos inesquecíveis de parte dos seus tempos estrelados que lhe renderam 10 títulos estaduais mineiros e a Taça Libertadores-1976 – pelo Flamengo, onde chegou, em 1978, foi campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes, ambos em 1981, tri brasileiro e de várias disputas cariocas.

Neco era um sujeito com opinião dentro da média dos brasileiros. Considerava Pelé  o cracaço do futebol mundial; Aírton Moreira (montador do grande Cruzeiro da décda-1960 e irmão de Aymoré e de Zezé) o melhor terinador; Armand Marques, o melhor árbitro; o avião, o maior invento humano e a morena como a dona da pele mais bonita. Sobre ele, apontava a sinceridade como a sua maior virtude, jurando ser incorruptível.

 Embora não fosse tietado pelos torcedores cruzeirenses, Neco garantia não ter queixas do futebol. Analisava as críticas e aceitava as corretas; jamais fora ameaçado por torcedores fanáticos, após as derrotas; não discutia com os árbitros, por achar que não valia a pena; falava o suficiente em campo, apenas “cantando” jogadas, e evitava revidar deslealdades dos adversários. Por isso, era constante em campo.

 Quando os repórteres chamava Neco para as chamadas entrevistas “bate pronto”, ele era “rápido no gatilho”. Apontava o gramado onde o Cruzeiro jogava em Sete Lagoas-MG o pior que conhecera e o do Maracanã o melhor. Sentia um pouco medo de viagens áreas, em tempos chuvosos, mas, para rolar a bola, não faria diferença se fosse inverno ou verão. Concentração? Se não fosse longa, tudo bem. Menor e maior “bicho” recebidos por vitória? Cr$ 1 cruzeiro, nos tempos de Villa Nova, de Nova Lima-MG, e Cr$ 650, ao eliminar o Grêmio Porto-Alegrense, da Taça Brasil-1966.

 Era assim o homem que merecia homenagens. No mais, dizia só dizia que camisa não ganhava jogo, não havia vitória melhor do que sobre o Atlético Mineiro e que ele era, meramente, "um elemento útil ao time do Cruzeiro”.

 

AÍRTON MOREIRA - Irmão mais novo de Zezé e de Aymoré Moreira, ele foi o montador do maior Cruzeiro de todos os tempos, o de Piazza, Zé Carlos, Natal, Dirceu Lopes e Tostão, entre outros que conquistaram a Taça Brasil-1966, mandando 6 x 2 no Santos, no Mneirão, e virando, no Pacaembu, 0 x 2, para 3 x 2, arranhando a coroa do “Rei Pelé”.

 Ayrton Moreira (a imprensa usava o “i” em lugar do “y”) viveu no clube que não tinha importância e nem nome nacional uma das histórias mais esquisitas do futebol brasileiro. Antes de ir para a boca do túnel, ele era superintendente da sede campestre cruzeirense. Chamado a quebrar o galho como treinador, em 1964, ele lapidou uma geração que encantou o país. Além de carregar a Taça Brasil-1966, vencera, também, os  os Estaaduais mineiros daquele ano e do anterior. Veio a temporada-1967 e os crduzeirenses mandaram 4 x 2 sobre o maior rival, o Atlético, durante a campanha do tri. Apresentando um quadro de pressão muito alta, Airton foi intimado por seu médico a fazer um respouso absluto por 30 dias. Como a “Raposa” estava dois pontos distante do “Galo”, ele aceitou, semdiscutir.

 O que fez o diretor Carmine Furletti? Chmou o ex-atleta cruzeirense Orlando Fantoni, que vinha sendo superintendente do Departamento de Futebol do clube, para substituir, interinamente, Aírton. Pelos últimos 17 anos, ele havia sido treiandor  na Venezuela e ganho 14 campenatos nacionais. E enquanto Airton recuperava-se, sua direção cravou  Cruzeiro 4 x 0 Democrata; 7 x 1 Araxá; 6 x 1 Usipa; 0 x 0 América-MG e 3 x 3 Atlético-MG. Vencida a interinidade, Aírton Moreia reapresentou-se para reassumir o seu trablho e armar o time que enfrentaria o Formiga. Foi então que uma reunião secreta dos dirigentes celetes decidiu que o trabalho do Moreira não interessava mais, pois Fantoni havia obtido cinco vitórias, com o time marcando 20 e sofrendo apenas cinco gols. Aírton chamou os diretores que o afastaram de traídores e só depois de muita conmversas assinou a rescisão contratual, pois o clube não queria pagar a multa prevista pela sua dispensa.

Nascido em 31 de dezembro de 1917, em Miracema-RJ, Ayrton Moreira viveu por 57 anos, até 22 de novembro de 1975. Como atleta, atuou pelas décadas de 1930/40, defendendo equipes do Rio de Janeiro, Minas Gerais e de Pernambuco. A carreira de treinador foi iniciada em 1946, girando por clubes mineiros e carioca. Chegou ao Cruzeiro, em 1957, ficou por duas temporadas e retornou para uma nova fase cruzeirense entre 1964 a 1967.  Após ter sido demitido, injustamente, do clube que projetou no futebol nacional, Aírton  trabalhou para o rival cruzeirnse Atlético-MG, em 1968, e depois em outros times mineiros. Fez o seu último trabalho, em 1975, como auxiliar-técnico no mesmo Cruzeiro, que o teve como um técnico de estrela e de estrelas e o queimou em seu inferno da bola.         

 

 ORLANDO FANTONI – Ele jurava jamais ter participado de qualquer complô para derrubar Aírton Moreira. Alegava ser um simples empregado do clube, sem cacife para participar de reuniões de diretoria, e dizia-se indignado com quem o via como cabeça do movimento que tirara o cargo do antecessor. Também, garantia não ser “afilhado” de nenhum diretor.

 Quando provocado, Fantoni defendia-se, dizendo não ser “treinador de laboratório” e, se substituíra Aírton Moreira, fora por ter capacidade demonstrada treinando os venezuelanos Deportivo Português, Deportivo Itália e Valência. Também, ponderava que a “Raposa” começara mal a campanha do tricampeonato mineiro, em 1967, e que vira, no primeiro treino que dirigira, ser preciso reagir. Então, implantou uma linha dura que recuperara o  futebol que a torcida estava acostumada a aplaudir.            

Para completar a campanha cruzeirense do tri, Fantoni gabava-se de ter solicitado só um reforço, o lateral-direito Lauro, que defendia o São Cristóvão-RJ, para revezar com Pedro Paulo. Dizia ter mudado pouco o sistema de jogo da equipe estrelada, considerava o seu ataque como o mais rápido do futebol mineiro, talvez, do Brasil, e avisava que, para o Cruzeiro, seria indiferente jogar no Mineirão, Maracanã ou Pacaembu, respectivamente, em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, estádios que recebiam os maiores clubes do país.

 Quando assumiu o comando do time estrelado, Orlando Fantoni procurou criar uma escolinha de futebol, por intuir que o futuro do futebol passava por ali. Nascido, em Belo Horizonte, em 3 de maio de 1917, ele viveu por 82 anos, até 5 de junho de 2002.  Foi atleta cruzeirense, entre 1932 a 1942, quando marcou 82 gols e o nome da agremiação ainda era Palestra Itália. Como treinador, teve três passagens pelo Cruzeiro, entre 1967/1968; de 1971 a 1972, e em 1983. Encerrou a carreira em 1989, pelo Vitória-BA, totalizando passagem por 14 equipes, entre elas Vasco da Gama,

 

Gerson dos Santos

 

                                           OS ASSOMBRANTES 6 X 2

 

 Ao final da temporada-1965, a torcida brasileira vivia a expectativa pelo tri do escrete canarinho na Copa do Mundo da Inglaterra-1966. E tirava o chapéu para os campeões carioca (Flamengo) e paulista (Santos).

 Em Minas Gerais, um time ainda sem grande galera, o Cruzeiro Esporte Clube, exibiu durante a temporada uma equipe fantástica em que sobressaiam-se Tostão, Dirceu Lopes e Natal, principalmente. Ganhou o título estadual, mas este  só teve repercussão caseira. Até então, a bola das alterosas era só para consumo interno.

Iniciada a temporada seguinte, o Cruzeiro queria levar o campeão paulista para fazer uma grande amistoso diante de sua torcida. Como aquela era uma época em que o Santos excursionava e o planeta pagava-lhe muitos dólares para aplaudir o “Rei Pelé”, o convidado foi o campeão carioca.

Repleto de estrelas, como Murilo, Paulo Henrique, Carlinhos ’Violino” e Silva, todos jogadores de Seleção Brasileira, os rubro-negros pisaram no gramado do Mineirão, cinco meses após a inauguração do então segundo maior estádio de futebol do país, o Mineirão, levando no bico de suas chuteiras o charmoso título de campeão do IV Centenário do Rio de Janeiro.

 Seguramente, grande parte dos 40 mil torcedores que foram ao amistoso da tarde/noite de 3 de fevereiro de 1966 achou normal Silva abrir o placar (aos 20 minutos). Seria ser a ordem natural da partida. Mas Dirceu Lopes empatou (aos 25); Silva fez o segundo dele (aos 27) e Tostão “reempatou” (aos 39 minutos). Para o público da terra, estava “bão demais, sô!"

Menos para a rapaziada comandada pelo treinador Aírton Moreira. No segundo tempo, o Cruzeir massacrou o Flamengo, que não viu a cor da bola. Só o trabalho do “garoto do placar” – Wilson Piazza, aos 17; Tostão, aos 23 e aos 42, e Marco Antônio, aos 29 minutos – deixaram incrédulo o locutor da carioca Rádio Globo, mostrando-lhe um show de técnica e levando o Flamengo – Valdomiro; Murilo, Ditão (Jaime), Luiz Carlos ‘Gaúcho’ e Paulo Henrique; Carlinhos e Jarbas (Nelsinho); Neves, César Lemos (Aírton ‘Beleza’), Silva e Rodrigues (Osmar) –  ao pesadelo de ser moído por uma máquina de jogar bola. Que time era aquele?    

 O Cruzeiro, então,  passou a ser conhecido pelo torcedor brasileiro. Naquele jogo – apitado por Joaquim Gonçalves, da Federação Mineira de Futebol – seu time do dia – Tonho; Pedro Paulo, William (Celton), Vavá e Neco: Piazza e Dirceu Lopes; Wilson Almeida (Natal), Tostão, Marco Antônio e Hílton Oliveira – excedeu. E excederia, tempinho depois, mandando os mesmos 6 x 2 sobre o Santos de Pelé.

 

 

                                                   PROCÓPIO

Antes de tornar-se tri, o Cruzeiro tinha a chamada “torcida que cabe em uma Kombi”. Um dos seuas “xerifes” da campanha do penta foi  Procópio Cardoso Neto, considerado um dos maiores zagueiros da história do clube.

 Para ele, o time de 1966 foi o melhor de todos, está “entre os 10 melhores da história do futebol... ao lado do Santos de Pelé; do Botafogo de Garrincha; da seleção da Hungria-1954; da Holanda-1974 e da Seleção Brasileira-1970”, avaliou par a “Revista do Cruzeiro” Nº 15, de junho de 1997. 

Procópio não figura no “Time do Postal”, mas participou de duas das cinco conquistas estaduais da década-1960 que fizeram as estrelas cruzeirenses bilharem mais forte. Revelado pelol Renascença, do bairro do mesmo nome, em Belo Horizonte, ele foi juvenil para o Cruzeiro e assinou o seu primeiro contrato  profissional em 19 de fevereiro de 1959, temporada em que o clube liquidou o jejum de 14 Estaduais sem títulos. Em 1960, ficou bi e, a partir da li, passou por quatro “grandes” clubes  - São Paulo, Atlético-MG, Fluminense e Palmeiras –, tendo, em 1963, sido campeão brasileiro de seleções estaduais, pela mineira.

Procópio voltou ao Cruzeiro, em 1966, para ser campeão da Taça Brasil (espécie da atual Copa do Brasil) pelo timaqço que mandou 6 x 2 e 3 x 2, este, de virada, sobre o Santos de Pelé, em São Paulo.

Mas os embates contra os santistas não trazem só boas recordações para Procópio. Em outubro de 1968, jogando no Morumbi-SP, em um lance contra Pelé, ele teve uma das pernas fraturadas e levou cinco temporadas para voltar aos gramados. Na volta, o Cruzeiro já tinha uma outra geração, mas que permitiu-lhe colecionar novos títulos, como os Estaduais-1973/74. Pouco depois, encerrou a carreira de atleta e iniciou a de treinador, tendo, inclusive, comandado equipes da “Raposa”.

                                                 MARCO ANTÔNIO

O centroavante Marco Antônio é um outro que não figura no “Time do Postal”, mas que, também, foi imporatante na conquista do penta mineiro. Habilidoso, veloz e com chute potente, formou dupla com Tostão em jogos de 1965 a 1967, o que deixa em sua  história o tri mineiro-1965/66/67 e a Taça Brasil-1966.

 Cria dos juvenis do América-RJ, em 1959, mudou-se para o América-MG, em 1962. Em 1963, foi o camisa 9 titular da seleção mineira campeã brasileira, vencendo o Rio de Janeiro, na final, pro 2 x 1.  Em 1964, pintou  no Comercial de Ribeirão Preto-SP, sendo o próximo passo a sua presença no grupo que estava sendo montado com Wilson Piazza, Natal, Tostão, Dirceu Lopes e Pedro Paulo, entre outros.

A grande partida de Marco Antônio pelo Cruzeiro, segundo ele contou à “Revista do Cruzeiro” Nº 6, de agosto/setembro de 1996, foi pelas semifinais das Taça Brasil, contra o Grêmio-Porto-Alegrense, no Mineirão, em 23 de outubro de 1966. Por ter ficado no 0 x 0, no Rio Grande do Sul, os estrelados ficaram com a obrigação de vencer, no Mineirão. “Dirceu Lopes me lançou, em profundidade, e eu parti, muto veloz, atrás da bola. O zagueiro Aírton “Pavilhão” fez escora para a bola ir à linha de fundo, mas consegui fazer um carrinho na pelota e manda-la à rede....o Cruzediro venceu, por 2 x 1, e o segundo gol saiu de um pênalti batido por Tostão, cometido pelo Aírton, sobre mim” – Raul;  Pedro Paulo, William, Cláudio e Hílton Chaves; Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo (Marco Antônio) e Hílton Oliveira foi o time.

 Marco Antônio deixou o Cruzeiro, em 1967, para defender o Botafogo de Ribeirão Preto. Em 1971, defendeu o Goiânia-GO. Só voltou à Raposa em 1975, como terinador dos juvenis. Fico até 1979, tonou a sair e voltou, mais uma vez, em 199, para coordenar as categorias de base.

    

                                                DIA DE NATAL

Um dia, acontecia um festival de futebol para garotos de escolinhas, em Belo Horizonte. No time do Itaú, de Contagem – cidade industrial das vizinhanças da capital mineira – jogava um garoto chamado Natal.  Na partida contra o Cruzeiro, o danado comeu a bola e nem teve tempo de respirar, após o apito final. Orlando Vassali foi até ele e o intimou a ser, imediatamente, um cruzeirense. O menino, assustado, não só foi, com tornou-se o maior ponta-direita da história do clube.

 Driblar era uma brincadeira para Natal. Ganhou o apelido de “Diabo Louro” e aprontou horrores com os marcadores, principalmente quando já era juvenil e foi campeão mineiro, jogando ao lado do também “recém chegante” Dirceu Lopes – o lateral-direito Pedro Paulo foi u outro que subiu com ele para o time A que se tornaria um dos melhores da história do futebol brasileiro, a partir de 1966.

 Quando o Cruzeiro estava formando a geração que seria penta estadual e ganharia a Taça Brasil (espécie da atual Copa do Brasil), a rapaziada não tinha noção do que estava acontecendo, sobretudo porque o presidente do clube, Felício Brandi, dizia-lhes que não etava preocupado com resultados.

Natal virava mais fera quando enfrentava o maior rival cruzeirense, o Atlético-MG. De tanto humilhar o marcador Warley, os galenses foram ao Uruguai e contrataram o terrível Cincunegui, em uma quarta-feira, para este marca-lo, em um domingo de decisão de título estadual. Por 85 minutos, ele não viu a cor da bola. O marecador descia-lhe a porrada. Bastou um descuido dele e Natal passou-lhe a pelota por entre as pernas e lançou Tostão, que balançou a rede.

No entanto, o lance mais incrível de Natal diante do “Galo” rolou no 18 de setembro de 1966. Disseram que ele fizera um cruzamento e fizera o gol por acaso. Mas ele sempre jurou ter mesmo tentato o tento. À  Revista do Cruzeiro, Nº 15, de junho de 1997, alegou: “Nunca vi ninguém fazer um cruzamento do meio do campo”.

No lance, houve uma falta, o apoiador Zé Carlos tocou na bola para a sua direção, tendo ele mandado-a, aos 45 minutos do segundo tempo, par “onde a coruja dorme”, como falavam os “speakers” de antigamente, dizendo que a pelota passou pelo ângulo superior, na interseçãpo do poste transversal com o vertical. Aconteceu diante de 97.965 torcedores que foram ao Mineirão aplaudir Rauil; Hilton Chaves, William, Cláudio e Neco; Piazza e Zé Carlos; Natal, Tostão (autor do primeir gol, aos 25 minutos da etapa inicial), Evaldo e Hilton Oliveira.    

Por aquela mesma temporada, Natal aprontou, também, para o time do Santos de Pelé. Decidia-se a Taça Brasil. Enquanto aquela geração do Cruzeiro ainda era desconhecida fora de Minas Gerais, a defesa santista era lenta. Como um gramado muito grande, no Mineirão, Natal, Tostão e Dirceu Lopes, principalmente, sumiam na frente dos visitantes, que não tinham velocidade para acompanha-los. Resultado: Cruzeiro 6 x 2. No jogo seguinte, em São Paulo, a “Turma do Rei” abriu dois gols de frente, a “Raposa” empatou  e Natal virou o placar: 3 x 2.

Em 1967, faltando três rodadas para o final do Campeonato Mineiro, o “Galo”estava com seis pontos à frente do Cruzeiro. Com um empate, seria campeão. Mas perdeu  para os timesos de Valério, Uberaba e Uberlândia e foi para uma melhor de três com o Cruzeiro. Perdeu, por 3 x 1 e 3 x 0, e nem precisa contar o que Natal aprontou. Precisas?     

 

  

 

 

CAMPEÃO-1965 – A bola era um fascinante brinquedo para aquele time repleto de jovens que encantavam a torcida. Naquela temporada, os mineiros reverenciavam duas maravilhas, o recém inaugurado e imponente estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, e a equipe do Cruzeiro, montada pelo treinador Aírton Moreira.

 Inaugurado em 5 de setembro daquele alucinante 1965, tempo em que o mundo ficou de cabeça para baixo, principalmente na moda, na política e na música capitaneada pelos ingleses Beatles, o Mineirão teve a camisa etrelada em seu gramado, pela primeira vez,  quase um mês depois de entregue ao público– antes, cruzeirenses foram ao gramado do Minerão participar de um bate-bola publicitário, para ajudar a divulgar a obra e vender cadeiras cativas, em 1964.

 Era 3 de outubro e o gramado do Mineirão estava ruim para o toque de bola cruzeirense, pois as chuvas andavam castigando Belo Horizonte. Mesmo assim, Tostão comandou a vitória celeste, por 3 x 0, exibindo um futebol tão genial que todos os jornais de “Belô” o elegeram o “craque da 8ª rodada” do Campeonato Mineiro, Ele fechou o placar, aos 11 minutos da etapa final, tendo João José, aos 20, e Piazza, aos 30 do primeiro tempo, marcado os outros – Tonho (Valdir); Pedro Paulo, William, Nelsinho e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, Tostão, João José e Hilton Oliveira foi a formação.

 CAMPANHA – Turno -   Cruzeiro 2 x 0 Uberlândia; 0 x 0 Democrata; 0 x 0 Uberaba; 2 x 0 Nacional, de Muriaé (?); 2 x 2 Villa Nova, de Nova Lima; 2 x 1 América-MG; 1 x 0 Guarani, de Divinópolis (?); 3 x 0 Valério, de Itabira (?); 4 x 0 Renascença, de BH; 5 x 0 Siderúrgica, de Sabará. Returno –  3 x 0 Democrata (?); 1 x 0 Valério; 4 x 2 Uberaba; 5 x 0 Villa Nova; 7 x 0 Nacional; 7 x 1 Guarani; 3 x 2 América-MG; 1 x 3 Renascença; 2 x 1 Atlético-MG; 8 x 1 Siderúrgica.       

 

 BICAMPEÃO-1966 – Por aquela época em que a televisão não chegava a todas as casa do país, as emissoras de rádio mais potentes do Rio de Janeiro e de São Paulo faziam os torcedores interioranos mineiros terem mais simpatias pelos clubes dos dois estados. Malmente, eles conheciam os times de Belo Horizonte. Com a inauguação do Mineirão, em f setembro de 1965, e o sucesso do Cruzeiro, os que iam à capital conhecer o novo estádio encantartam-se com a bola de Tostão, Driceu Lopes, Natal, Piazza, etc e o Cruzeiro passou a ter a maior torcida do interior de sua terra – merecidadmente. Onde ia, lotava estádios.

Com 19 vitórias, dois empates e uma inacreditável queda diante do fracote  Valério, o Cruzeiro atingiu a marca de 78 gols marcados – 15 sofridos – em seu segundo campeonato conquistado, na ‘Era Mineirão”, mantendo a invencibilidade da temporada passada diante de América-MG e Atlético-MG, os dois maiores rivais. Mas não ficaria só nas glórias caseiras, como veremos adiante.

Na partida de encerramento do campeonato, por pouco a invencibilidade cruzeirens não foi quebrada. A moçada foi a campo embalado pela conquista da Taça Brasil, levada ao Mineirão para apresentação à sua trocida. Esta decepcionou-se, no primeiro tempo, com Tostão chutando um pênalti para a defesa do goleiro atleticano Hélio. Era o segundo que perdia, sucessivamente, em dois jogos. Mas o “Galo” também desperdiçara um, na etapa final, quando abriu o placar, aos 25 minutos.

Muitos cruzeirenses já haviam ido embora, achando que seu time perdera aquele clássico, quando ouviram, pelos seus radinhos à pilha, a narração do gol de ampate, marcado por Evaldo, aos 48 minutos, nos chamados “descontos” – hoje, acrésimos. E o bifoi comemorado com volta olímpica carregando a Taça Brasil. 

 

   

CAMPANHA – Entre 9  de julho a 11 de dezembro – Turno – Cruzeiro 4 x 1 Uberlândia; 7 x 0 Formiga; 2 x 0 Siderúrgica de Sabará; 3 x 0 Renascença;  1 x 0 Nacional de Uberaba; 1 x 0 Villa Nova de Nova Lima; 3 x 2 Democrata de Sete Lagoas; 2 x 1 Valério; 6 x 3 Uberaba; 5 x 1 América-MG; 2 x 0 Atlético-MG. Returno - 4 x 1 Siderúrgica; 3 x 0 Formiga; 4 x 1 Renascença; 0 x 1 Valério; 6 x 3 Villa Nova; 9 x 0 Nacional; 4 x 1 Uberlândia; 5 x 0 Democrata; 4 x 0 Uberaba; 1 x 0 América-MG; 1 x 1 Atlético-MG. 

 

 APRESENTADO AO PAÍS -  Ao final da temporada-1965, a torcida brasileira vivia a expectativa pelo tri do escrete canarinho na Copa do Mundo da Inglaterra-1966. E tirava o chapéu para os campeões carioca (Flamengo) e paulista (Santos).

 Em Minas Gerais, um time ainda sem grande galera, o Cruzeiro Esporte Clube, exibiu durante a temporada uma equipe fantástica em que sobressaiam-se Tostão, Dirceu Lopes e Natal, principalmente. Ganhou o título estadual, mas este  só teve repercussão caseira. Até então, a bola das alterosas era só para consumo interno.

Iniciada a temporada seguinte, o Cruzeiro queria levar o campeão paulista para fazer uma grande amistoso diante de sua torcida. Como aquela era uma época em que o Santos excursionava e o planeta pagava-lhe muitos dólares para aplaudir o “Rei Pelé”, o convidado foi o campeão carioca.

Repleto de estrelas, como Murilo, Paulo Henrique, Carlinhos ’Violino” e Silva, todos jogadores de Seleção Brasileira, os rubro-negros pisaram no gramado do Mineirão, cinco meses após a inauguração do então segundo maior estádio de futebol do país, o Mineirão, levando no bico de suas chuteiras o charmoso título de campeão do IV Centenário do Rio de Janeiro.

 Seguramente, grande parte dos 40 mil torcedores que foram ao amistoso da tarde/noite de 3 de fevereiro de 1966 achou normal Silva abrir o placar (aos 20 minutos). Seria ser a ordem natural da partida. Mas Dirceu Lopes empatou (aos 25); Silva fez o segundo dele (aos 27) e Tostão “reempatou” (aos 39 minutos). Para o público da terra, estava “bão demais, sô!"

Menos para a rapaziada comandada pelo treinador Aírton Moreira. No segundo tempo, o Cruzeir massacrou o Flamengo, que não viu a cor da bola. Só o trabalho do “garoto do placar” – Wilson Piazza, aos 17; Tostão, aos 23 e aos 42, e Marco Antônio, aos 29 minutos – deixaram incrédulo o locutor da carioca Rádio Globo, mostrando-lhe um show de técnica e levando o Flamengo – Valdomiro; Murilo, Ditão (Jaime), Luiz Carlos ‘Gaúcho’ e Paulo Henrique; Carlinhos e Jarbas (Nelsinho); Neves, César Lemos (Aírton ‘Beleza’), Silva e Rodrigues (Osmar) –  ao pesadelo de ser moído por uma máquina de jogar bola. Que time era aquele?    

 O Cruzeiro, então,  passou a ser conhecido pelo torcedor brasileiro. Naquele jogo – apitado por Joaquim Gonçalves, da Federação Mineira de Futebol – seu time do dia – Tonho; Pedro Paulo, William (Celkton), Vavá e Neco: Piazza e Dirceu Lopes; Wilson Almeida (Natal), Tostão, Marco Antônio e Hílton Oliveira – excedeu. E excederia, tempinho depois, mandando os mesmos 6 x 2 sobre o Santos de Pelé.

     

TAÇA BRASIL-1966 – O Cruzeiro avisou que não era o bom só do Campeonato Mineiro. Mostraria isso, também, durante a Taça Brasil, até então só levada pelo Bahia e o Santos. E começou a disputa – entre 7 de setembro e 8 de dezembro – valendo vaga na Taça Libertadores, indo a Campos-RJ e  mandando 4 x 0 Americano. No Mineirão, sapecou 6 x 1, no Mineirão.

A segunda etapa foi mais difícil.Eliminou o Grêmio Porto-Alegrense, com 0 x 0 fora e 2 x 1 em casa. Antes da terceira fase, um um tropeço pelo Estadual –  0 x 1 Valério, no Mineirão,  fez a sua torcida temer eliminação, pelo Fluminense, nas semifinais. Mas bastou mandar 6 x 3 Villa Nova, em 30 de outubro, para a confiança voltar – e  Flu voar, por 1 x 0, em Belo  Horizonte, e 3 x 1, no Marcanã. E a “Raposa” foi para as finais, encarar o favorito Santos, de Pelé.

Por aqui, o Cruzeir escreveu  uma das mais bonitas páginas da história do futebol brasileiro. Para o torcedor de fora de Minas Gerais, os cruzeirenses não teriam nenhuma chance diante do pentacampeão da Taça Brasil-1961/62/63/64/65  e bicampeão paulista-1964/65, que só não era penta nesta competição, também, porque o Palmeiras de Ademir das Guia atravessara as suas glórias, em 1963.  

Veio a noite do 30 de novembro daquele 1966 que não deveria ter terminado para os cruzeirenses e 90 mil torcedores – 77.325 pagantes –- compareceram ao Mineirão, gerando a espetacular arrecadação de Cr$ 223 milhões, 314 mil e 600 cruzeiros, a moeda da época. O favorito Santos – também, bicampeão da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes-1962/63 – entrara em campo com seis jogadores passados pela Seleção Brasileira – Gilmar, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos, Zito, Pelé e Pepe – e mais o temível goleador Toninho ‘Guerreiro’, que chegaria, também, ao escrete nacional. Até ali, o Cruzeiro não tinha ninguém selecionável.

O juiz Armando Marques, então, apitou o início de contenda. Com um minuto de bola rolando, Tostão serviu Evaldo, no meio do gramado. Vendo Dirceu Lopes avançando para a área santista, o centroavante fez um lançamento, na medida, para o camisa 10 estrelado “matar”. Apavorado, o lateral-esquerdo santista Zé Carlos chegou primeiror na pelota, mas marcou gol contra: Cruzeiro 1 x 0. Aos cinco, Dirceu Lopes, servido por Evaldo, lançou Natal, que driblu Zé Carlos e bateu forte para a rede: Cruzeiro 2 x 0 – o show estava só começando.

E aumentou, aos 20 minutos. O zagueiro santista Oberdan perdeu bola para Dirceu, que mandou-lhe dois dribles e não perdoou Gilmar, batendo de fora da área: Cruzeiro 3 x 0.  Inacreditável! Mais ainda quando, aos 39,  a “Raposa” infernizou a cozinhao do “Peixe”, com três tentativas seguidas de gol. Na última,  Dirceu Lopes escreveu: Cruzeiro 4 x 0.

”Peguei a bola na entrada da área, apliquei um corte no zagueiro, passei-a, do pé direito para o esquerdo, e bati. Ela fez uma curva e enganou o Gilmar, que ficou agarrado na trave. Foi um golaço”, narrou Dirceu ao site www.cruzeiropedia.com.br

 Aos 41, novamente, Dirceu Lopes infernizou a vida do “Peixe” . Driblou Mauro, dentro da área, e foi derrubado, por Oberdan. Pênalti que Tostão bateu e enlouqueceu a galera: Cruzeiro 5 x 0. Dava para acreditar que tudo isso etava acontecendo só no primeir tempo? E o “Rei Pelé”, por ode andava? Marcado em cima, por Wilson Piazza, não apareceu.

 No  segundo tempo, o Cruzeiro começou mais desacelerado e levou dois gols, aos seis e aos 10 minutos, ambos marcados por Toninho ‘Guerereiro”. Conta-se que, durante o intervalo, no vestiário, o treinador santista Luis Alonso Peres, o Lula, mandou parar o ataque cruzeirense na porrada. Os cruzeirenses, no entanto, reacenderam o vigor, após o susto e, aos 72 minutos, Tostão lançou Evaldo, venceu Oberdan, chutou fore, Gilmar defendeu, mas com rebote que Dirceu Lopes não desperdiçou: Cruzeir 6 x 2.

Diante de um baile daqules, o que não estava acostumado, o Santos ficou nervoso e, aos 75 minutos, Pelé chutou Piazza. Formou-se um burburinho e, da confusão, sobraram expulsões de campo para o “Rei” e o zagueiro cruzeirense Procópio – na época, não havia suspensão automática na partida seguinte.

Jogo encerrado, conta-se que os cartolas santistas Athiê Jorge Cury (presidente), e Nicolau Moran (diretor) enviaram a Taça Brasil para o vestiário cruzeirense, a fim de que a “Raposa” ficasse com ela até viajar para a finalíssima. Então, o presidente cruzeirense, Felício Brandi, a teria devolvido, avisando-os de que iria buscá-la, em definitivo, na semana seguinte. No que Athiê teria retrucado: “Em São Paulo, a nosssa vingança será terrível” – não foi!

 Wilson Piazza declarou ao Jornal de Brasilia, de...., que o Cruzeiro mandara 6 x 2 no Santos de Pelé porque este desconhecia a força da rapaziada estrelada. Na verdade, o “Peixe” não estava tão desinformado assim, pois, em 29 de março, havia disputado um amistoso contra o Cruzeiro, no Mineirão, e sido vencido, por 4 x 3. Na dureza do jogo, tivera um aviso sobre a força da mçada, a não ser que quisesse considerar o placar  “zebrado” – naqule dia, Tostão (2), Dirceu Lopeds e Pelé marcaram gols.   

 A finalíssima da Taça Brasil-196 rolou durante a noite do 7 de dezembro, com o paulistano  Pacaembu recebendo  almas, confiantes da reversão de vantagem pelo Santos. E tudo parecia que ocorreria, mesmo, pois, aos 23 minutos, Pelé abriu a conta, para Toninho ‘Guerreiro” aumenta-la, dois minutos depois, deixando o primeiro tempo nos 2 x 0.

Por ali entra mais um “conta-se” nessa história. Daquela vez, os dirigentes santistas teriam ido ao vestiário do Cruzeiro, durante o intervalo, já querendo negociar o local da terceira partida, no que Felício Brandi teria dito: “O jogo ainda não acabou”.

 No segundo tempo, Tostyão perdeu um pênalti, mas recuperou-se marcando um gol de falta, aos 18 minutos. A torcida santista não ligou muito. Mas não teve como preocupar-se, dez minutos dpeois, quando Dirceu Lopes empatou a pugna. E nãoacrditou, quando Natal virou a conta, aos 44 minutos: Cruzeiro 3 x 2. Pela primeria vez, um time mineiro carregava aquele caneco, erguido, para todo o Brasil ver, pelo capitão Wilson Piazza – Raul; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira, comandados pelo treinador Aírton Moreira. 

 

 

   

   

 
 
 

 

   

 

 

 

TRI-1967 – O rival “Galo” colocou seis pontos de vantagem na tabela classificatória do Campeonato Mineiro e seria campeão com três empates. Mas perdeu para o Valério,  o Uberaba e o Uberlândia. Tinha tudo para acabar com a festa cruzeirense. Mas, como não segurou a onda, o título foi decidido em uma melhor de três.

 No primeiro jogo da decisão, Cruzeiro 3 x 1. Para o segundo, já em 21 de janeiro de 1968, a Federação Mineira de Futebol mandou buscar, no Rio de Janeiro, o considerado melhor árbitro do país, Armando Marques, por esperar muitas dificuldades durante a partida. O Cruzeiro, porém, não deu chances ao Atlético-MG, mandando 3 x 0, com gols de Tostão  e Dirceu Lopes, respectivamente, aos 41 e aos 45 minutos do primeiro tempo, e de Evaldo, aos 79, Evaldo, diante de 79.981 pagantes –  Raul; Pedro Paulo, Vicente, Procópio e Neco; Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira deram ao Cruzeiro o primeiro tri da “Era Mineirão”, em jogo visto pelo jornal  “Diário da Tarde” como “um show do início ao fim”.

Para o goleiro Raul, o jogão emocionante da campanha fora o de 26 de novembro: 3 x 3 Atlético-MG, quando a Federação Mineira de Futebol mandu buscar, em São Paulo, o árbitro Ethelvino Rodrigues e 90.838 pagantes passaram pelas bilheterias do Mineirão. Lacy, aos 14 e aos 59, e Ronaldo, aos 38, minutos, abriram a frente vantajosa do “Galo, enquantoi Natal, aos 60 e aos 63, e Piazza, aos 74, igaularam o clássico  mineiro. 

Foi um empate com gosto de vitória, sentiu Raul, explicando à “Revista do Cruzeiro” – Nº 7, de 26 de outubro de 1996: “É o meu jog inesquecível...num domingo. Chovia barbaridade, nós perdíamos, por 0 x 3...tivemos um jogador expulso (de campo), Procópio, ainda no primeiro tempo, e Tostão se contundiou, com cinco minutos de partida...Dos 0 x 3, partimos para a reação, no segundo tempo, empatamos e quase vencemos” – Raul; Pedro Paulo, Victor, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira (Zé Carlos) foi o time armado pelo treinador Orlando Fatoni para aquele dia.

CAMPANHA – Entre 12 de julho e 9 de dezembro de 1967 - Turno - Cruzeiro 1 x 3 Usipa; 6 X 2 Valério; 5 x 0 Democrata; 3 x 1 Formiga; 3 x 1 Uberlãndia; 0 x 0 Uberaba; 5 x 1 Villa Nova; 4 x 0  Araxá; 0 x 0 Nacional; 1 x 2 América-MG; 0 x 0 Atlético-MG. Returno – 2 x 0 Uberlândia; 4 x 0 Uberaba; 2 x 1 Villa Nova; 4 x 2 Valério; 4 x 0 Democrata; 7 x 0 Araxá; 0 x 0 América-MG; 6 x 1 USIPA; 3 x 3 Atlético-MG; 2 x 0 Formiga; 4 x 1 Nacional. Melhor de três: 3 x 1 e 3 x 0Atlético-MG.  

 

ROBERTÃO-1967 – Antes do Campenato Mineiro, iniciado, para os cruzeirenses, no 12 de julho de 1967,  a temporada havia marcado a primeira goleada sobre o rival Atlético-MG, na “Era Mineirão”: em 5 de março, valendo pela primeira rodada do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o “Robertão”, principal embrião do Campenato Brasileiro iniciado em 1971.

Os torcedores atleticanos não suportavam mais as tantas caçoadas dos cruzeirenses, pois não comemoravam uma vitória sobre eles desde o amistoso de 26 de junh de 1966, no Mineirão, por 3 x 2, diante de 23.942 pagantes. 

 O placar torna-se mais importante por um detalhe: os alvinegros belo-horizontinos eram a maioria da torcida da terra e, dos mais de 100 mil presentes ao clássico – 91.042 pagantes e a sensacional renda de NCr$ 190.607,00 novos cruzeiros, a moeda de então –, eles ocupavam mais espaços no estádio.

 Devido a grandiosa expectativa pelo prélio –  só no que se falava em Belo Horizonte –, foi preciso contratar juiz de fora das Minas Gerais. Chamaram Onten Ayres de Abreu, da Federação Paulista de Futebol, e este, aos 30 minutos, já estasva ordenando uma nova saída de bola, pois Evaldo fizera Cruzeiro 1 x 0, placar da primeira etapa.

Na fase final, aos 52 minutos, o mesmo Evaldo voltou a calar a torcida atleticana. Aos 77 e aos 82, respectivamente,  Natal e Wilson Almeida fizeram a torcida galense sair mais cedo do estádio: 4 x 0 – Raul; Pedro Paulo, Celton, Procópio e Neco; Piazza (Zé Carlos) e Driceu Lopes; Natal (Wilson Alomeida), Tostão, Evaldo (marco Atônio) e Hílton Oliveira foi a rapaziada do show de bola destacado por toda a imprensa nacional.

OBS: a disputa homenageva um ex-atleta e ex-dirigente do futebol brasileiro.    

 

TETRA-1968 –  Quem foi ao Mieirão na tarde do sábado 4 de maio, deslumbrou-se com o futebol apresentado pelo Cruzeiro. Mandou 10 x 0 Independente, de Uberaba, com 2 x 0,  em 10 minutos, e 4 x 0 ao final da primeira etapa.

Na etapa final, com 30 segundos, a “Raposa” avisou que a rapaziada não iria se acomodar. E deu no que deu, com gols de Rodrigues, aos 7 e aos 52; Evaldo, aos 10; Tostão, aos 29 e aos 40 minutos do prmeiro tempo; aos 30 segundos do segundo tempo e aos 65, e Natal, aos 64, 69 e aos 85 minutos – Raul (Fazano); Pedro Paulo, Procópio, Darci Menezes e Neco; Wilson Piazza e Zé Carlos; Natal, Tostão, Evaldo (Palhinha) e Rodrigues foi o time do dia.

 Com aquela conquista, invicta, o Cruzeiro quebrava o tabu, de 30 temporadas sem um tetra. Andara perto disso, sendo tri-1928/29/30; 1943/44/45; 1959/60/61. A jornada teve 22 jogos, com 22, com 17 vitórias, cinco empates, 63 gols marcados e oito contra.

CAMPANHA: Turno - Cruzeiro 6 x 1 Uberlândia; 3 x 0 Uberaba; 0 x 0 Democorata; 0 x 0 Valério; 4 x 0 Usipa; 4 x 1 Araxá; 10 x 0 Independente; 2 x 0 América-MG; 0 x 0 Formiga; 5 x 1 Formiga; 2 x 1 Atlético-MG. Returno - 3 x 0 Uberlândia; 2 x 0 Usipa; 2 x 0 Uberaba; 3 x 0 Araxá; 3 x 0 Independente; 2 x 2 América-MG; 3 x 0 Democrata; 2 x 0 Formiga; 5 x 1 Valério; 1 x 1 Atlético-MG.   

 

PENTA-1969 – O time fechou a série de cinco títulos mineiros,  em 30 jogos, com 26 triunfos e quatro empates. Marcou 68 gols e sofreu seis – só um empate durante o primeiro turno e um gl sofrido, marcado pelo devagar Uberaba. A incrível média de 62, revelava a sua grande superioridade sobre os concorrentes.

 Além de não  tropeçar nos principais adversários – Atlético-MG e América-MG –, o Cruzeiro mandou a maior goleada do certame: 8 x 0 Tupi.  O grande jogo da temporada, no entanto foi o de 4 de maio der 1969, com 1 x 0 sobre o “Galo”.

 Diante do então maior público do futebol brasileiro – 123.351 pagantes, recorde, até hoje, no Mineirão –, o Cruzeir teve o seu gol marcado por Natal, aos sete minutos do segundo tempo. Com a sua rapaziada já havia mandado o mesmo placar, durante o primeiro turno, os atleticanos juraram vingança para  aquele clássico apitado por José Astolfi, da Federação Paulista de Futebol. Ficaram, porém, só na promessa – Raul: Pedro Paulo, Fontana (Raul Fernandes), Mário Tito (Evaldo) e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Rodrigues foi a equipe. 

CAMPANHA: Turno – Cruzeiro 4 x 0 Valério; 3 x 0 Demcorata, de Sete Lagoas; 8 x 0 Tupi, de Juiz de Fora; 1 x 0 Formiga; 0 x 0 Uberlândia; 3 x 1 Uberaba; 3 x 0 Araxá; 3 x 0 Usipa; 1 x 0 América-MG; 1 x 0 Democrata, de Governador Valadares; 1 x 0 Atlético-MG; 2 x 0 Independente; 5 x 0 Sete de Setembro; 1 x 0 Villa Nova, de Nova Lima; 4 x 0 Vila do Carmo. Returno – 3 x 0 Democrata-SL; 1 x 0 Demcorata-GV; 1 x 0 Uberlândia; 2 x 0 América-MG; 1 x 0 Atlético-MG; 1 x 1 Vila do Carmo; 1 x 1 Independente; 2 x 0 Tupi; 2 x 0 Villa Nova; 1 x 0 Uberaba; 5 x 0 Usipa; 2 x 0 Sete de Setgembro; 1 x 1 Valério; 2 x 0 Formiga e 2 x 1 Araxá.