Vasco

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

TRAGÉDIAS DAS COLINA - TAÇA RENNER

Uma escorregada, diante do Fluminense, por 3 x 1, em 17 de abril, tirou do Vasco o  título do Torneio Quadrangular do Rio de Janeiro-1957, que valia a Taça AJ Renner. Na estreia, no dia 9, os vascaínos passaram, fácil, pelos gaúchos do Renner, em São Januário, mandando 3 x 0, com gols marcados por Sabará (2) e Vavá. Dez dias depois, com um gol de Sabará, empataram, por 1 x 1, com os banguenses, em Moça Bonita, tendo Vavá  expulso de campo.
Quando a “Turma da Colina” poderia carregar a taça, no jogo contra os tricolores, pisou na bola, na partida disputadas na Laranjeiras, o campo do rival, que estava desmoralizado, pela derrota, por 3 x 0, ante o Renner – o tento cruzmaltino diante do Flu foi marcado por Amauyri.  
DETALHE - O Bangu foi o campeão, com dois pontso a mais do que o Vasco, que usou estas três escalações:
04.04.1957 - Vasco 3 X 0 Renner. Estádio: São Januário. Juiz: Aparício Viana e Silva. Renda: Cr$ 114.000,00. Gols: Sabará (2), Vavá. VASCO: Carlos Alberto, Ortunho e Viana (Henrique), Laerte, Orlando e Clever, Sabará, Livinho, Vavá (Wilson Moreira), Valter e Pinga (Lierte).
14.04.1957 - Vasco 1 X 1 Bangu. Estádio: Moça Bonita. Juiz: Guálter Gama de Castro. Gols: Sabará e Mário (Ban). VASCO: Wagner, Clever (Ortunho) e Viana, Laerte, Orlando e Coronel, Sabará, Livinho, Maneco, Vavá, Valter e Pinga.
 17.04.1957 – Vasco 1 x 3 Fluminense. Estádio: das Laranjeiras. Juiz: Frederico Lopes. Renda: Cr$ 225.206,00. Gols:: Telê, aos 40 e Marreco, aos 43 min do 1º tempo; Léo, aos 3 e Escurinho, aos  10 min do 2º tempo. VASCO: Wagner, Ortunho e Viana, Laerte, Clever e Coronel, Sabará, Marreco (Wilson Moreira), Vavá, Valter e Pinga. (recorte com foto da edição Nº 75 da Manchete Esporetiva, de 27 de abril de 1957) 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ANIVERSÁRIO: JUNINHO PERNAMBUCANO

Doutor em execuções penais, PhD em faltas de fora da área e em pênaltis. Assim poderia estar escrito no cartão de visitas de Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior. De quem? Do Juninho Pernambucano! Aquele meia, nascido em 30 de janeiro de 1975, na pernambucana Recife.
Do alto do seu 1,79m, Juninho faz parte de uma legião revelada pelo Sport Club Recife, que já enviou para São Januário outras feras ferozes, como Ademir Menezes, Almir Albuquerque, Vavá e Leonardo Silva. Vestido na jaqueta cruzmaltina Juninho conquistou 11 títulos : Taça Libertadores-1998; Campeonato Carioca-1998; Taça Guanabara-1998/200; Torneio Rio-São Paulo-1999; Taça Rio-1998/1999; Campeonato Brasileiro-1997; Copa João Havelange (Brasileirão)-2000; Copa Mercosul-2000e Copa do Brasil-2011. 
Depois que o Vasco contratou Juninho Giroldo, o Juninho Paulista, foi que Juninho ganhou o gentílico "Pernambucano". Juvenil do Sport, entre 1991/1993, ele tornou-se cruzmaltino, em 1995, após 24 jogos, dois gols e os títulos de campeão pernambucano e da Copa do Nordeste, em 1994, pelo "Leão da Ilha". Foi o “Reizinho da Colina” até 2001, trono conquistado por 111 jogos e 26 gols, que o levaram para um outro reinado, no Lyon, pelo qual fez 340 partidas e 100 gols, que ajudaram o clube a vencer o Campeonato Francês-2002/03/04/05/06/07/08, bem como a Supercopa da França-2002/03/04 e a Copa da França- 2008. Por tudo isso, foi eleito o maior jogador da história do clube.
Apontado pelo físico inglês Ken Bray, como o melhor cobrador de faltas da história do futebol, Juninho vestiu, também, a camisa canarinha da Seleção Brasileira 43 compromissos, mandando sete bolas às redes e disputando a Copa do Mundo de 2006, quando deixou uma no barbante. Em 2011, ele voltou a São Januário, após uma passagem, a partir de 2009, pelo Al-Gharafa, do Katar, que comemorou 13 gols dele, em 35 jogos.

  

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

ANIVERSARIANTE: ROMÁRIO

Foi em 29 de janeiro de 1966 que nasceu, no Rio de Janeiro, um dos maiores goeladores cruzmaltinos, Romário de Sousa Faria. Promovido ao time principal do Vasco, pelo treinador Antônio Lopes, em 1985, ele estreou em 6 de fevereiro, em jogos oficiais, na vitória vascaína, por 3 x 0, sobre o Coritiba, pelo Campeoanto Brasileiro, entrando em campo, no segundo tempo, no lugar de Mário Tilico. Mas seu primeiro gol só foi sair em 18 de agosto, numa partida amistosa, contra um time capixabachamado Nova Venécia. O Vasco goleou, por 6 x 0, e ele balançou as redes por duas vezes.
Naquele mesmo 1985, Romário já foi o vice-artilheiro do Estadual do Rio de Janeiro. No ano seguinte, assinou o seu primeiro contrato como atleta profissional. De quebra, foi campeão da Taça Guanabara, fazendo dois gols na decisão, contra o Flamengo. E mais: terminou o Estadual como o principal artilheiro, com 20 gols, um gol a mais do que o grande ídolo vascaíno, Roberto Dinamite. Em 1986, repetiu a dose na artilharia, e liderou o ‘pelotão dos matadores’ do campeonato, com 16 tentos. Em 1987 tornou-se bicampeão estadual e marcou a sua presença na Seleção Brasileira que disputou os Jogos Olímpicos da Coreia do Sul. Voltou como o principal goleador da disputa, com seis tentos, e a medalha de prata.
O sucesso de Romário faz o holandês PSV Eindhoven, campeão da Copa dos Campeões da Europa, tirá-lo de São Januário. Mas ele sempre voltava à Colina, onde teve três passagens marcantes: de 1985 a 1988; de 1999 a 2002; de 2005 a 2006 e de 2008 a 2008 – na temporada 1993/94, quando já havia trocado o futebol holandês, pelo espanhol Barcelona, foi eleito, pela FIFA, o melhor futebolista do mundo.
Romário é segundo maior artilheiro da história cruzmaltina. Em 410 jogos, marcou 315 gols, ficando atrás só de Roberto Dinamite, que fez 698 em 1.110 partidas. Mas deixou para trás Ademir Menezes, maior ídolo da torcida vascaína – 301 gols em 429 jogos –, até surgir o Dinamite, e Pinga – primeiro a vestir a camisa 10 da Seleção Brasileira, com 232, em 466 partidas.
Em 2000, na sua segunda passagem pelo Vasco, Romário voltou a ser o artilheiro do Estadual, com 19 gols, e bateu o recorde de tentos em uma mesma temporada: 65 – a marca anterior era 61, de Roberto Dinamite, em 1981. Por causa desse seu ‘faro de gol’ foi que Romário é considerado pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol como o quarto maior “matador” de campeonatos nacionais de primeira divisão, registrando 499 bolas nas redes, em 612 confrontos – Roberto Dinamite é o quinto, com 470 gols em 758 partidas – o líder só poderia ser Pelé.
Além de ter sido o principal “matador” do Estadual-RJ de 1986 (20);1987 (16) e de 2000 (19 gols), o “Baixinho” ainda foi o primeiro dos Campeonatos Brasileiros de 2000 (20), 2001 (21) e de 2005 (22 gols). Em 2000, Romário empatou na artilharia com Dil, do Goiás, e Magno Alves, do Fluminense, tornando-se o mais velho goleador da competição, aos 39 anos. Vale ressaltar que, naquele ano, houve promoção de times da Série B à Série A,durante o Brasileirão, beneficiando o atacante Adhemar, do São Caetano-SP, que totalizou 22 gols, dos quais 15 na série abaixo e 7 foram na elite.
Totalizando 155 gols, em 14 Brasileiros – de 1986 a 2007 –, dos quais 82 em 7 disputas com a camisas vascaína, Romário é o segundo maior goleador da disputa, com média de 11,07 gols por campeonato – o primeiro é Roberto Dinamite, com 190 gols – 181, em 19 temporadas pelo Time da Colina – , em 20 campeonatos – 1971 a 1992 –, com a média de 9,50 gols por competição, e o terceiro é outro vascaíno, Edmundo, com 153 tentos (79 vascaínos, em seis campeonatos), em 15 participações – 1992 a 2008 –, com média de 10,20 gols por campeonato.
Em 20 de maio de 2007, numa tarde de domingo, em São Januário, Romário marcou o seu milésimo gol na carreira, cobrando pênalti durante a vitória, por 3 x 1, sobre o Sport Recife. Romário disputou as Copas do Mundo-1990 e 1994, totalizando oito jogos, com 6 vitórias, 2 empates e 5 gols. No total, foram 74 jogos pela Seleção, com 49 vitórias, 16 empates, 9 derrotas e 56 gols, contra 71 seleções nacionais - 49 vitórias, 15 empates, 7 derrotas e 56 gols – e três jogos contra clubes ou combinados – 1 vitória e 2 derrotas. Pela Seleção Olímpica foram 11 jogos, com 8 vitórias, 2 empates, 2 derrota e 15 gols marcados. Pela Seleção, conquistou a Copa Stanley Rous-1987; Torneio Bicentenário da Austrália-1988; Copas América-1989 e 1997; Copa do Mundo-1994 e Copa das Confederações-1997.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ANIVERSARIANTES - FAUSTO DOS SANTOS

Neste grupo campeã carIoca-1934, Fausto é o terceiro, com a mão esquerda no ombro do mascote vascaíno
  Cruzmaltino entre 1929 a 1931 e  de 1936 a 1938, Fausto dos Santos foi chamado de “Maravilha Negra”, devido a elegância com que atuava. Era apoiador e líder do seu meio-de-campo, exibindo impressionantes garra e habilidade. Bola em seus pés tinha destino certo. Nada de estouros, chutões, pois chamava a “menina” de você.
Íntimo da “maricota”, Fausto tornou-se o melhor de posição durante as décadas-1920/1930. Também, destaque na Seleção Brasileira dos dois jogos da Copa do Mundo-1930, no Uruguai –1 x 2 Iugoslávia e 4 x 0 Bolívia.
O Vasco foi buscar Fausto no Bangu, no início de 1929. De cara, sagrou-se campeão carioca, atuando em 21 das 23 partidas da disputa promovida pela Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). De quebra, ajudou a ficar famosa uma chamada linha média que todo torcedor vascaíno escalava, instantaneamente, dentro deste time-base: Jaguaré, Brilhante e Itália; Tinoco, Fausto e Mola; Pascoal, Russinho, Carlos Paes, Mário Mattos e Santana.
 Dois anos depois, Fausto encantou os espanhóis, quando os vascaínos faziam a primeira excursão de um clube carioca ao Velho Mundo – antes, só o Paulistano, atravessasra o Atlântico.  Juntamente com Jaguaré, ele foi contratado pelo Barcelona, pelo qual sagrou-se campeão da Copa da Catalunha, em 1931/1932, tendo ficado por lá, de 1931 a 1934, quando saiu para o suíço Young Fellows, devido ao racismo dos companheiros de clube.
 De volta ao continente sul-americano, Faustopassou pelo uruguaio Nacional, de Montevidéu, e, pouco depois, regressou à Colina, para ganhar o seu segundo título carioca, por este time-base: Rey, Domingos da Guia e Itália; Gringo, Fausto e Mola; Orlando, Almir, Gradim, Nena e D´Alessasndro.
A equipe contou, ainda, com o centroavante Leônidas da Silva, por quatro jogos, nos quais ele marou um gol – Fausto, que não marcara nenhum em 1929, não balançou as redes, também, em 1934, nos 11 dos 12 jogos da rapaziada, na temporada constante de dois campeonatos – o outro foi o da Liga Carioca de Futebol.  
 Maranhense, de Codó, Fausto nasceu em 28 de janeiro de 1905 e viveu até 28 de março de 1939, quando estava na cidade mineira de Santos Dumont. Pela Seleção Brasileira, totalizou seis partidas, com  cinco vitórias e a citada queda diante  dos iugoslavos (14.07). Antes, disputara uma partida pelo selecionado nacional (10.07.1929), vencendo o húngaro Ferecnvaros, por 2 x 0. Os seus demais compromissos pelo Brasil, além da goleada pra cima dos bolivianos (22.07.1930) foram: 3 x 2 França (01.08.1930); 4 x 1 Iugoslávia (10.08.1930) e 2 x 1 River Plate/ARG (24.02.1935).

domingo, 27 de janeiro de 2013

ANIVERSARIANTE - PAULO.ROBERTO

 A linhagem dos laterais-direitos buscados pelo Vasco no Rio Grande do Sul inclui três grandes nomes: Paulinho de Almeida, Luís Carlos Winck e Paulo Roberto, este nascido em 27 de janeiro de 1963, em Viamão.
Paulo Roberto desembarcou na Colina, em 1986. Ficou até 1989, para faturar o bi estadual de 1987/1988, tempos de uma rapaziada que incluía Roberto Dinamite, Romário, Dunga, Geovani, Tita, Mauricinho e o goleirão Acácio. Ao abrir as malas, em São Januário, carregava na bagagem os títulos de campeão brasileiro-1981 (com a glória de ter feito a centrada para o artilheiro Baltazar matar no peito e botar na rede do São Paulo); da Taça Libertadores e da Taça Toyota-1983, não  reconhecido pela FIFA, mas considerado um Mundial Interclubes, por reunir os campeões europeu e sul-americano.
Saído do Vasco, Paulo Roberto seguiu campeão: em 1990, estadual-RJ, pelo Botafogo; em 91/92, da Supercopa da Libertadores, pelo Cruzeiro, pelo qual foi, também, campeão mineiro-1992 e da Copa do Brasil-1993. Passou, ainda, pelo Corinthians vice-campeão brasileiro-1994; Atlético-MG-1995; Fluminense-1996/97; Cerro Porteño-PAR-1998 e Canoas-RS- 1999. Pela Seleção Brasileira, fez sete jogos, com três empates e quatro "deixadas de vencer".

sábado, 26 de janeiro de 2013

VASCO DAS PÁGINAS - 1958

Bellini e Sabará, bem identificados, comemoram, com Pinga, Wilson Moreira, Paulinho e Coronel, o gol de VASCO 1 x 0 FLUMINENSE,  destacado em “caixa alta” na capa da Manchete Esportiva Nº 145, de 30 de agosto de 1958. A crônica da partida está nas páginas 32 e 33, sob o título “Vasco líder com força total: 1 x 0”, enquanto a análise das atuações dos atletas veio antes, na 24/25. Elogiava Pinga, mancheteado, e usava uma foto do treinador vascaíno Gradim.
Conta o texto que o Vasco poderia ter vencido por um placar mais dilatado, por ter mostrado “um volume de jogo infinitamente maior” e por que o adversário “não criou uma única manobra inteligente”, parta chegar ao gol. Sob o intertítulo “Envolvente e Positivo”, a revista descreveu, no miolo da matéria, que Wilson Moreira e Pinga exploraram as falhas do lateral-direito e Jair Marinho, cercando-o e usando-o “como cunha para os ataques mais profundos”.
Pingas (atrás) e Wilson Moreira aprontaram pra cima dos tricolores
A justificativa aos elogios ao atacante  José Lázaro Robles, o Pinga, na manchete da página 24, estava explicada na 33: “Se... o Vasco mereceu mais gols... Pinga não merecia que qualquer outro tento fosse fazer companhia ao seu... tal o primor da manobra e da conclusão”. Relata, depois,  o repórter, em matéria não assinada: “(Pinga) deslocou-se para a direita e foi recolher a bola no meio do campo, com Rubens. Fez ‘tabelinha’, invadiu o campo tricolor, correu com Pinheiro, sofreu ‘foul’ (falta, segurando pela camisa), mas ainda, assim, encontrou ângulo para o disparo fatal, que pegou Castilho desprevenido ... aos 19 minutos do segundo tempo”.
O clássico foi apitado pro Wilson Lopes de Sousa, renda, rendeu Cr! 1 milhão, 792 mil, 476 cruzeiros (a moedas da época) e os vascaínos tiveram estas notas da ME: Pinga e Écio 9; Barbosa, Paulinho, Bellini, Orlando, Rubens e Wilson Moreira 8; Coronel, Sabará e Almir 7.                                

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

ANIVERSARIANTE: CARLOS ALBERTO

Edm Helsinue-1952,com Vavá (E), antes de um treino
Você conhece aquela “história” do técnico que pergunta se tem alguém na arquibancada que bate uma bolinha? Ele tinha vários craques contundidos e lhe faltava um para completar dois times. Então, um carinha levanta o dedo, se apresenta, vai lá, come a bola e é contratado, imediatamente. Vira o principal astro do time.
Não conte uma outra história dessas pra ninguém. Senão vão lhe chamar de mentiroso. Mas eu vou contar uma.
 Era 13 de fevereiro de 1952, e o glorioso Vasco da Gama encarava o Fluminense, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo. Lá pelas tantas, Mister J Harrtless, o árbitro, parou a contenda, porque o time cruzmaltino ficara sem goleiro. O titular Barbosa, machucado, cedeu a sua vaga a Ernani, após o intervalo. Com 20 minutos de ação, o cara saiu de campo, também, machucado.
O quê fazer? Um cartola vascaíno foi ao serviço de autofalantes do Maracanã e pediu para anunciar. “Caso algum goleiro que treina em São Januário esteja presente ao estádio, como torcedor, por favor, apresente-se, urgente, no vestiário”. E não foi que Carlos Alberto Cavalheiro estava! Saiu correndo, trocou de roupa e foi para a pugna. Fechou o gol e o Vasco segurou o empate, por 2 x 2, diante de um ataque de feras, como Robson, Didi, Telê Santana e Orlando “Pingo de Ouro” grandes astros da décadas-1950, treinados pelo lendário Zezé Moreira.
Carlos Alberto, Paulinho, Martim Francisco, Bellini, |Laerte, Orlando, Coronel (em pé), Sabará, Livinho, Vavá, Válter e Pinga, os campeões cariocas de 1956
COMPROVANTE - A súmula está na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro-FERJ, para quem quiser consultar. Está lá na escalação do Vasco: Barbosa (Ernâni, depois Carlos Alberto), Laerte e Wilson (Clarel); Ely, Danilo e Jorge; Friaça, Ipojucan, Ademir Menezes, Maneca e Jansen.
Grande Carlos Alberto Martins Cavalheiro! Isto é: brigadeiro e grande benemérito do Club de Regatas Vasco da Gama, do qual foi “guardavalas”, como falavam os “speakers” de antigamente, entre 1951 e 1957. Nascido, no Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 19312, viveu até 29 de junho de 2012, levando para a eternidade os títulos de campeão carioca de 1956, dos Torneios de Paris e Troféu Teresa Herrera, ambos em 1957, e da Copa Rio de Janeiro de 1953.
Por ser da Aeronáutica, Carlos Alberto jogava como amador. Em 1958, foi transferido para um quartel de São Paulo, levando o Vasco a cedê-lo à Portuguesa de Desportos, pela qual jogou até os inícios da década-1960. Antes, esteve cotado para uma convocação da Seleção Brasileira com vistas treinos rumo à Copa do Mundo de 1958. Não foi à Suécia, mas disputou os Jogos Pan-Americanos de 1959, nos Estados Unidos, voltando vice-campeão – em 1952, já havia participado das Olímpíadas da Finlândia, quando o Brasil participou, pela primeira vez, do torneio de futebol, voltando em quinto lugar.
Carlos Alberto foi cartola, também, em São Januário, e na então Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF, na década-1970.

 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

VASCO DAS CAPAS (E CONTRACAPAS)


A Manchete Esportiva Nº 124, de 5 de abril de 1958,  gostou tanto do “Clássico dos Milhões” do sábado 29 de março, no Maracanã, chegando de fazer capa e contracapa priorizando o assunto. “Flamengo e Vasco proporcionaram um espetáculo de raro esplendor... de renda superior a quatro milhões de cruzeiros (a maior  todos os tempos, excetuando-se a de Brasil x Uruguai que decidiu a Copa do Mundo (de 1950)...
Na capa, está o atacante Almir, que ganhou nota 7 da revista,  disputando um lance com Jordan, que chega solando. Na contracapa,  o meia Rubens se confraterniza com Zagallo, antes do duelo que valeu pelo Torneio Rio-São Paulo e terminou com placar de  1 x 1. Por sinal, Rubens marcou o tento da “Turma da Colina”, cobrando falta, as sete minutos do primeiro tempo – Luís Carlos igualou, aos 31, do jogo apitado por Walter Stefan Glanz, que  rendeu exatamente, Cr$ 4 milhões, 140 mil, 891 cruzeiros, a moeda da época.
Conta o texto da matéria que o vascaíno Écio “foi a melhor figura da cancha, anulando a ação ofensiva de Moacir e ainda encontrando tempo para municiar seu ataque. Bellini e Orlando secundaram-no muito bem”. O lateral-esquerdo Coronel foi o terceiro mais elogiado do time cruzmaltino, que formou com: Hélio (Barbosa), Paulinho de Almeida (Dario) e Bellini; Écio, Orlando e Coronel: Sabará, Almir, Vavá , Rubens e Pinga. O Flamengo teve: Fernando, Joubert e Milton Copolilo; Jadir, Dequinha e Jordan: Joel (Babá), Moacir, Henrique, Dida (Luís Carlos) e Zagallo.     
DETALHE: Após aquela partida, o Vasco sagrou-se campeão da disputa, goleando a Portuguesa de Desportos, por 5 x 1, em 6 de abril, no Pacaembu, em São Paulo. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

TRAGÉDIAS DA COLINA: GOL DE PLACA

Edinho: gol "a la Maradona"
Muitos tentos belíssimos foram marcados em gramados cariocas. Mas gol de placar, como o de Pelé, driblando vários jogadores do Fluminense, em 5 de março de 1961, no Maracanã, só um atleta marcou: o lateral-esquerdo Edinho. E não foi contra o Vasco!. Que tragédia para a torcida cruzmaltina! Ainda mais  jogando pelo pequeno Madureira, em uma noite quarta-feira de cinzas – 25 de fevereiro de 2004.
O Vasco poderia não ter passado por aquela, se a TV que detinha os direitos de transmissão do Estadual-RJ não exigisse um jogo para mostrar naquela noite. O Vasco vencia, por 2 x 0, e foi “emplacado”
aos 45 minutos do segundo tempo, no último lance da pugna. A bola ainda balança na rede da memória de Edinho: "Eles (vascaínos) cobraram um escanteio e eu pequei a sobra, na meia-lua da grande área. Tirei um da jogada e subiu ao ataque, pela esquerda, passando por Ygor e Rodrigo Souto. Este deve ter esperado que eu levasse a bola por um lado, mas fui para o outro. Atravessei o meio do campo, venci mais um adversário, do qual não me lembro mais, e cheguei na cara do Fábio (goleiro). Quando ele armou o bote, bati para o seu lado direito", descreve Edinho que, ao chegar ao vestiário, ouviu do presidente do seu clube, Elias Duba: "Tire uma semana de férias. Mas este gol vale muito mais do que isso".
 DISTÃNCIA DO BANCO -  Edison Carlos Felicíssimo Polidório, o Edinho, dispensou a regalia, para não perder a posição. Sabia que a glória nas canchas depende do próximo lance, do próximo cartola. Aquele gol fora como uma resposta: "Fiquei dois anos emprestado ao Vasco. Fui titular e campeão estadual, em 2003. Como não me pagavam, cobrei do Madureira. O jeito foi ir embora", recorda.
Edmundo: estrela com regalias
 Embora tenha marcado um gol de Pelé, pelo Madureira, Edinho diz que o seu tento de maior repercussão foi simples. Defendia o Vasco, em 3 x 1 sobre o mesmo “Madura”, em jogo que teve, ainda um tento com passe dele: "Daquela vez, a imprensa badalou legal, pois eu jogava por um clube grande", compara o lateral, que foi da “Turma da Colina entre 2001 a 2003.
Eurico: proibido perder do maior rival
Ao longo do tempo em que esteve vascaíno, Edinho  viu liderança em Marcelinho Carioca, Edmundo e Romário, e superhabilidade em Felipe. "O Romário era desligado, as vezes, e frio, sempre. Tivemos uma partida, contra a Ponte Preta, em que estávamos mal, com a torcida  esculhambando. Ele nem se tocava. Depois, fez dois gols, e não deu a mínima para quem aplaudiu. Aplausos e vaias lhe eram indiferentes. A gente se dava muito bem. Tínhamos os rachões entre o time dele e o do Felipe, em que eu atuava, sempre, do seu lado. Após os treinos, eu e o Russo (outro lateral) ficávamos com ele treinando finalizações. Cruzávamos bolas para tentar o gol. Em 10,  acertava oito, ou todas", assegura.
Segundo Edinho, ao contrário de Romário, o ‘Animal’ Edmundo estava sempre aceso, exercendo o seu direito de estrela. "O Vasco tinha o Seu Silveira, que pesava a turma, todos os dias. O Edmundo virava-se pra ele e indagava: 'Quem é que usa a camisa 10, a faixa de capitão, bate pênalti e toma porrada?. Eu! Então, não vou me pesar'. E não se pesava mesmo. E ficava por isso. Mas nós,  não tínhamos aquela regalia.", exemplifica.
RIVALIDADE - Edinho via o clima no vestiário, antes de um clássico contra o Flamengo, sempre tenso. Conta que o presidente vascaíno, Eurico Miranda, exigia a vitória, dizendo que perder do rival era a última coisa que o Vasco deveria viver. "Quando perdíamos, não dava pra sair de casa por uns quatro dias”, jura.
No entanto, Edinho cita como seu pior  momento vascaíno a derrota do sábado 12 de julho de 2003, por 0 x 2, ante o Paysandu-PA, pelo  Brasileirão, dentro de São Januário. “A nossa torcida chamava o técnico Antônio Lopes de burro, queria matá-lo. O jogo terminou às 18h, mas só conseguimos sair do vestiário por volta das 11 da noite, quando chegou o reforço policial. A turma barra pesada da Barreira do Vasco (região quente do Rio de Janeiro) juntou com os torcedores que estavam no estádio, para nos trucidar",  relembra. (fotos reproduzidas do Jornal de Brasília, www.gigantes dacolina.blogspot.com e de www.euricomiranda.com.br). Agradecimentos. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ANIVERSARIANTE: ORLANDO 'LELÉ'

Até a década de 1960, os laterais pouco apoiavam o ataque. Era o tempo dos autênticos ponteiros que exigiam eterna vigilância e marcação implacável. Diz-se que fora com Orlando, esquematizado pelo técnico Tim (Elba de Pádua Lima), no Coritiba, nos inícios da década-1970, que começara a onda daqueles pregados defensores se mandarem para o ataque, a fim de cruzarem bolas para o meio da área.
Verdade, ou não, o certo é que Orlando foi um dos principais laterais-atacantes do futebol brasileiro setentista, tendo o seu sucesso no futebol paranaense o levado para o América-RJ, onde o Vasco foi buscá-lo, para ser um dos seus grandes nomes do time campeão estadual de 1977. Antes daquilo tudo, em início de carreira, quando pintou como substituto para Carlos Alberto Torres, no Santos, ele já havia jogado com mestres como Pelé, Clodoaldo, Edu (Jonas Eduardo Américo), Afonsinho, Alcindo (Martha Freitas), Oberdan, Vicente e Negreiros, os cobras do  no Santos, do qual foi cria das bases.   
PELAS PONTAS - Registrado por Orlando Pereira, o lateral começou como ponta-direita. Nascido em 22 de janeiro de 1949, em Santos, viveu até 4 de setembro de 1999. O seu primeiro grande momento no futebol carioca foi na decisão da Taça Guanabara de 1974, quando marcou o gol do título do América, cobrando falta, contra o Fluminense. Em São Januário, chegou em 1976 e foi apelidado, pelos locutores esportivos, de “Canhão da Colina", por ter um chute muito forte, como ele, que era alto e valente, a ponto de enfiar o pé no peito do uruguaio Ramirez, quando este saiu correndo atrás de Rivellino, no Maracanã, em um jogo entre as seleções brasileira e a “Celeste”. O episódio valeu-lhe o apelido de “Lelé” e pegou mal. Acabou com a sua história canarinha. Em uma outra partida, Orlando fez o ponteiro-esquerdo rubro-negro Júlio César “Uri Geller” jogar recuado, com medo dos seus gritos, conforme contaram os repórteres de rádio da época.  Por coisas assim, naquele mesmo 1977, quando o Vasco tinhauma defensiva apelidada por "Barreira do Inferno", ele era um dos esteios.
HISTÓRIA DE AMOR – Orlando conquistou, pra valer, a torcida vascaína no dia 3 de dezembro de 1976. Pela primeira vez, enfrentava o Flamengo, com a jaqueta da “Turma da Colina”. Na etapa inicial, o maior rival saltou na frente. No segundo, Orlando bateu na rede e o Vasco virou o placar: 3 x 2.
 Sempre apoiando o ataque e batendo forte, Orlando foi peça importantíssima no esquema tático do “titio” Fantoni. Atuou em todas as partidas das conquista do título estadual de 1977. Por sinal, Roberto Dinamite, o principal artilheiro cruzmaltino da temporada, dos 44 gols marcados em todas os compromissos do ano, agradeceu muitos deles ao seu lateral, graças aos seus cruzamentos fatais. Foi por causa daquilo que o  treinador Cláudio Coutinho, do Flamengo, em um “Clássico dos Milhões”, chamou o seu lateral-direito, Toninho Baiano, que também sabia apoiar, e ordenou-lhe marcar Orlando, não deixá-lo cruzar. Que esquecesse o mais.
Orlando ’Lelé’ Perreira foi vascaíno até 1981, quando transferiu-se para a italiana Udinese. Em seus últimos Vascos, atuou como zagueiro de área, mas a formação que lhe fez chegar à Seleção Brasileira foi: Mazaroppi; Orlando, Abel Braga, Geraldo e Marco Antonio ‘Tri’; Zé Mário, Carlos Alberto Zanata e Dirceuzinho Guimarães; Wilsinho, Roberto Dinamite e Ramon Pernambucano.

Como vascaíno, pela equipe canarinha, Orlando disputou 10 partidas, com nove vitórias e um empate. Conquistou as Copas Rio Branco e Roca, a Taça do Atlântico e o Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos, tudo isso em 1976. Seus jogos foram: 28.04.1976 – Brasil 2 x 1 Uruguai; 19.05.1976 – Brasil 2 x 0 Argentina; 23.05.1976 – Brasil 1 x 0 Inglaterra; 28.05.1976 – Brasil 2 x 0 Seleção da Liga Norte-Americana de Soccer (NASL-EUA); 31.05.1976 – Brasil 4 x 1 Itália; 06.06.1976 – Brasil 4 x 3 Universidad de México; 05.06.1977 – Brasil 4 x 2 Seleção do Rio de Janeiro; 19.06.1977 – Brasil 3 x 1 Polônia; 30.06.1977 – Brasil 2 x 2 França; 12.10.1977 – Brasil 3 x 0 Milan-ITA.        
TREINADOR – Em 1989, o Gama contratou Orlando para treinar o seu time. Vendo que o futebol candango era muito fraco, ele decidiu voltar a jogar, atuando no meio-de-campo, para orientar melhor os seus atletas. Terminou campeão candango, quebrando um jejum, de 10 anos sem títulos estaduais do clube. Em 1992, conseguiu maior projeção, levando o interiorano Goiatuba ao título do futebol goiano. Lá, ganhou novo apelido, “Amarelo”, e abriu caminho para chegar ao Goiás e, um dia, treinar, por pouco tempo, o Santos e o Vasco.
Na Colina, estes foram os jogos de Orlando Pereira como treinador, todos pelo Estadual, sendo dois em casa, três fora e um no Maracanã:  11.01.1989 – Vasco 1 x 0 Volta Redonda; 19.02.1989 – Vasco 2 x 0 Cabofriense; 26.02.1989 – Vasco 2 x 1 Porto Alegre; 05.03.1989 – Vasco 0 x 0 Olaria; 12.03.1989 – Vasco 0 x 0 Botafogo; 19.03.1989 – Vasco 1 x 1 Nova Cidade.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ÁLBUM DA COLINA - PÁGINA 1969


Da esquerda para a direita, em pé: Valdir Apple, Brito, Moacir, Benetti, Eberval e Ferreira. Agachados, na mesma ordem: Nado, Alcir, Valfrido", Bianchini e Danilo Menezes. A temporada-1969 não foi a que a torcida vascaína sonhou. Por exemplo, durante a disputa da Taça Guanabara, a rapaziada só venceu o fraco Campo Grande (29.06 - 1 x 0) e, surpreendentemente, o  Botafogo (06.07 - 3 x 0). No mais, empatou com Bangu (12.07 - 0 x 0) e Fluminense (20.07 - 0 x 0) e perdeu de América (17.07  - 0 x 1), Bonsucesso (26.07) e Flamengo (05.08 - 1 x 2).
Pelo Campeonato  Carioca, o Vasco terminou em quarto lugar, com 22 pontos, seis a manos do que o campeão. Em 18 partidas, venceu 8, empatou 6 e perdeu 4, marcando  29 e sofrendo 15 gols. O desempenho foi pior pela disputa do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, embrião do atual Brasileiro. Somou, apenas, 8 pontos, em 16 jogos, isto é, duas vitórias, 4 empates e 10 derrotas, marcando 13 e sofrendo 23 gols. Uma temporada para ser esquecida.

sábado, 19 de janeiro de 2013

CORREIO DA COLINA - FLAVARGINHA

 “Sou comerciante do ramo de materiais de construção e moro em Varginha-MG. Um cliente me disse que ouve contar que o meu time, o Vasco da Gama, já esteve por aqui e enfrentou, amistosamente, o Flamengo daqui.  Gostaria de saber quando e qual foi o placar. Quanto a eu morar em Minas Gerais e ser vascaíno é porque nasci no Rio de Janeiro. Meus pais, mineiros, moraram durante muitos anos em Madureira, até voltar para a terra deles, Varginha”.  Aurélio Cunha Neves.
Seguinte, vascaíno: o Vasco enfrentou o Flamengo daí de sua cidade em uma quarta-feira, dia 31 de julho de 1991. Venceu, por 2 x 0, com gols marcados por Macula e Humberto, de acordo com o site www.futebol80.com.br. 
O "Kike” não tem a ficha técnica da partida, mas descobriu que o treinador da ocasião era o Antônio Lopes. Se possível dê uma olhada no “Tabelão” da revista “Placar” que você pode encontrar as escalações.
No mais, fazendo uma passeada pela |Internet, o "KikE" encontrou em www.blogdomadeira.com.br uma foto do Flamengo de Varginha, de 1970, quando em sua zaga jogava Lúcio, revelado pelo América-RJ e que foi o primeiro brasileiro a defender a seleção portuguesa. Valeu?             

 
 
 
 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O CAMPEÃO DA DÉCADA DOUDRADA

Ser só campeão era pouco. Super, também. SuperSuper ficaria melhor. De preferência, diante do maior público pagante de uma partida de futebol entre clubes no país– 130.901, inferior só aos jogos da Seleção Brasileira, contra Uruguai, Espanha e Suíça, pela Copa do Mundo-1950, e diante do Paraguai, pelas Eliminatórias do Mundial-1954. 
Poderia até ter acontecido durante a noite da quarta-feira 17 de janeiro de 1959, se o o juiz não tivesse anulado um gol legítimo, na partida anterior. Criou mais dias de expectativa.
- O Vasco tarde, mas não falha”, avisou o capitão Hideraldo Luís Bellini, durante as comemorações.
 Para a torcida cruzmaltina, bom que tivesse sido depois de dois supertorneios, pois não restariam dúvidas sobre a propriedade do “caneco”. Melhor ainda: taça e faixas foram carregadas diante do maior rival, o Flamengo, o adversário do último jogo e concorrente ao título, juntamente com o Botafogo, nos quatro jogos decisivos.
Para ser "SS-1958", o Vaco disputou 26 partidas, vencendo 16, empatando cinco e caindo em cinco. Marcou 56 gols e sofreu 31, ficando com o saldo de 25 tentos. Pinga, isto é, José Lázaro Robles, aos 34 anos de idade, foi o sue principal “matador”, com 16 estragos no filó.

MOMENTAÇO - O Campeonato Carioca-1958 teve 12 times, jogando todos contra todos, em turno e returno. Como Vasco, Flamengo e Botafogo somaram mais ponto nas duas etapas, foram para um supercampeonato, em turno único. Rolou nova igualdade e foi preciso uma “SuperSuper-Decisão”.
A temporada-1958 gerava grande expectativa, pois, duas semanas antes do seu início, a Seleção Brasileira conquistara a Copa do Mundo, na Suécia, com mais da metade dos campeões sendo de times cariocas. Os vascaínos, por sinal, gabavam-se de terem visto as fotos (ainda não havia no Brasil transmissão intercontinental pela TV) do seu capitão Bellini levantado a taça Jules Rimet; do zagueiro Orlando ganhando lances e dos gols do centroavante Vavá.

ROLOU A MARICOTA - Nas duas primeiras rodadas Campeonato Carioca-1958, o Vasco passou, sem problemas, por Bangu e Bonsucesso. Surpreendentemente, na terceira, tropeçou diante do Madureira. Reabilitou-se, goleando o São Cristóvão, e, depois, só teve um empate – com o Flamengo –, até o final da etapa. No mais, traçou quem pintou.
No returno, a galera cruzmaltina já havia visto aquele filme, antes: duas vitórias de saída e um tropeço, em seguida. Na verdade, fora pior. A “Turma da Colina”, após duas vitórias, empates com São Cristóvão e Bonsucesso, e queda ante a Portuguesa. Pra frente, venceu Madureira e América, empatou com o Fluminense e perdeu para Flamengo e Botafogo. Teve, então, que  ir para o “Super” e o “SuperSuper”.
No primeiro triangular, o Vasco escreveu no placar 2 x 0 Flamengo e 0 x 1, do Botafogo. No segundo, 2 x 1 Botafogo e 1 x 1 Flamengo. Valeu festa na Colina!

ESTRATÉGIA - O Vasco começou o “SuperSuper” se defendendo, com oito, e atacando, com seis. Deixava as maiores saliências por conta de Sabará e de Pinga. De saída, o técnico Gradim armou o esquema tático 4-4-2, que mudou para 3-5-2, em determinados momentos, com Écio sendo o quinto homem de área. Depois, foi ao 4-3-3.
No primeiro tempo, a rapaziada se virou para não levar gols. No segundo, cresceu, encurralou o Flamengo e abriu o placar, aos 13 minutos, por intermédio de Roberto Pinto. O rival empatou. Mas a "Turma da Colina" era boa administradora de placar.
Para não deixar a taça escapar, o time cruzmaltino cometeu 28 faltas (14 em cada etapa), cinco a mais do que o rival. Esteve cinco vezes em impedimento, contra só uma deles. Cobrou seis escanteio (metade em cada etapa), contra dois do adversário, e 26 laterais, 11 a mais do que o outro. E, enquanto seu goleiro fez nove defesas, o rubro-negro praticou 13. Portanto, o Vasco foi superior em tudo. "Senti vontade de pular, de gritar, mas isso a torcida fez por mim, muito bem", disse Gradim ao repórter Paulo Rodrigues, pelo Nº 166 da Manchete Esportiva, que circulou uma semana depois da conquista.
Tão animado quanto Gradim, o veteraníssimo Pinga, perto dos 34 anos de idade, ressaltou, para o mesmo repórter: "Conquistar um título igual a este é difícil". E jurava ter mais lenha para queimar. De sua parte, o autor do gol, Roberto Pinto, garantia estar controlando as emoções: "Acho que herdei do meu tio Jair Rosa Pinto o temperamento frio", revelou, chegando ao vestiário com um dos pés enfaixados, para ser carregado, por várias vezes. E, de tanto contar sobre o tento do título, ficou rouco. De sua parte, Sabará queixava-se do relógio do árbitro: "Que jogo difícil para acabar. Nunca pensei que 90 minutos custassem tanto a passar". De quebra, cutucou o rival: "O Flamengo não faz graça pra ninguém... que o Vasco merecia este campeonato, merecia". Já o lateral-esquerdo Coronel gabava-se de ser um bom "astrólogo". Jurava ter acertado em sua previsão de empate. "Achava que seria 2 x 2”, no que teve cerca de 150 mil presentes, com os caronas – a renda atingiu Cr$ 5 milhões, 621 mil, 768 cruzeiros (moeda da época).

                                                       ROLA A "MARICOTA"

 5 minutos – Sabará sai da ponta-direita, vai para o meio e lança Pinga, que ataca e bate ao arco rubro-negro, para o goleiro do Fla defender.
8 minutos – Almir e Sabará concatenam jogada e Pinga finaliza rente à trave.
30 minutos – Sabará volta a se deslocar para o meio do gramado, vai até as proximidades da área rubro-negra e chuta, com perigo.
36 minutos – Sabará ataca, pela extrema esquerda, lança Almir, que chuta, na corrida. A bola sai alta, rente à trave.
43 minutos – Almir estica passe até Valdemar, que obriga o “arqueiro” do Fla a ceder escanteio.
45 minutos – Écio toca a bola para Sabará, que serve Pinga, que avança, pelo meio, e manda a pancada, rente a trave.
47 minutos - Sabará cobra toque de mão, a bola passa pela barreira. O goleiror" flamenguistas defende, larga e sofre falta.
50 minutos - Sabará ataca, pela esquerda, e manda a bola para Pinga, no centro do ataque. Este solta uma bomba rente à trave.
52 minutos - Écio municia Almir, que se enrola, mas consegue chutar, na corrida. O goleiro do Fla, no entanto, afastar o perigo.
58 minutos - Sabará trabalha a bola, pelo meio, e lança Roberto Pinto, pela ponta-direita. Livre, este avança e abre o placar: Vasco 1 x 0.
75 minutos - Pinga vence Jadir, ataca e, sem ângulo, chuta rende à trave.
87 minutos - Valdemar erra o passe, servindo ao adversário Dida, que lança Henrique, livre. Mas Bellini chega para salvar o perigo.
89 minutos - Henrique lança Babá, que cabeceia. Miguel se vira e defende.
90 minutos – Fim de papo, para a rapaziada fazer a volta olímpica.   

SUPERSUPER CAMPANHA - 20.07.1958 - Vasco 3 x 1 Bangu. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 1.393.820,00. Público: 44.375. Juiz: Amílcar Ferreira. Gols: Pinga (2) e Vavá. Time: Barbosa, Dario, Bellini e Ortunho; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Vavá, Rubens e Pinga.

25.07.1958 - Vasco 4 x 2 Bonsucesso. Estádio: São Januário. Renda: Cr$ 197.380,00. Juiz: Amílcar Ferreira. Gols: Pinga (2) e Wilson Moreira (2). Time: Barbosa, Dario, Viana e Ortunho; Écio e Orlando; Sabará, Wilson Moreira, Vavá, Rubens e Pinga.

03.08.1958 – Vasco 1 x 3 Madureira. Estádio: da Rua Bariri. Renda: Cr$ 184.190,00. Juiz: Amílcar Ferreira. Gol: Sabará. Time: Barbosa, Dario, Viana e Ortunho; Écio e Orlando; Sabará, Livinho, Rubens, Wilson Moreira e Pinga.    

09.08.1958 -  Vasco 4 x 0 São Cristóvão. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 872.121,00. Juiz: Antônio Viug. Gols: Vavá (2), Sabará e Wilson Moreira. Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Laerte; Sabará, Wilson Moreira, Vavá, Rubens e Pinga.    

16.08.1958 -  Vasco 3 x 0 Canto do Rio – Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 267.254,00. Juiz: Alberto da Gama Malcher. Gols: Sabará, Laerte e Wilson Moreira. Tme: Hélio, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Laerte, Rubens, Wilson Moreira e Pinga.

24.08.1958 – Vasco 1 x 0 Fluminense. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 1.792.476,00. Público: 57.699. Juiz: Wilson Lopes de Souza. Gol: Pinga. Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Rubens, Wilson Moreira e Pinga.

31.08.1958 – Vasco 2 x 1 América. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 1.272.472,00. Juiz: Antônio Viug. Gols: Wilson Moreira e Almir. Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Rubens, Wilson Moreira e Pinga.

07.09.1958 – Vasco 3 x 1 Portuguesa. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 477.896,00. Juiz: José Gomes Sobrinho. Gols: Pinga (2) e Écio. Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Rubens, Delém, Wilson Moreira e Pinga.

14.091958 – Vasco 1 x 1 Flamengo. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 3.273.358,00. Juiz: Antônio Viug. Gol: Delém. Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Delém, Rubens e Pinga.

19.09.1958 – Vasco 4 x 2 Olaria. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 269.777,00. Juiz:  Eunápio de Queirós. Gols: Sabará (2), Rubens e Osvaldo (contra). Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Dario; Écio e Orlando; Sabará, Pinga, Delém, Rubens e Dominguinhos.

28.09.1958 – Vasco 3 x 2 Botafogo. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 2.459.600,00. Juiz: Antônio Viug. Gols: Pinga, Sabará e Rubens. Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Laerte, Delém, Rubens e Pinga.

RETURNO – 05.10.1958 – Vasco 2 x 0 Bangu. Estádio: São Januário. Renda: Cr$ 331.580,00. Juiz: Frederico Lopes. Gols: Rubens (2). Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Dario; Écio e Orlando; Sabará, Laerte, Delém, Rubens e Dominguinhos.

12.10.1958 – Vasco 6 x 3 Canto do Rio. Estádio: São Januário. Renda: Cr$ 175.980,00. Juiz: Eunápio de Queirós. Gols: Gols: Delém (2), Laerte (2), Sabará e Rubens. Time: Hélio, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Laerte, Delém, Rubens e Pinga.

19.10.1958 - Vasco 1 x 1 São Cristóvão. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 415.746,00. Juiz: Frederico Lopes. Gol: Rubens. Time: Barbosa, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Laerte, Delém, Rubens e Roberto Pinto.

25.10.1958 – Vasco 3 x 3 Bonsucesso. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 254.991,00. Juiz: Eunápio de Queirós. Gols: Delém (2) e Rubens. Time:: Barbosa, Paulinho, Viana e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Laerte, Delém, Rubens e Pinga.

01.11.1958 – Vasco 1 x 2 Portuguesa – Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 384,696,00. Juiz: Eunápio de Queirós. Gol: Pinga. Time: Miguel, Dario, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Ramos, Teotônio, Delém, Rubens e Pinga. 

09.11.1958 - Vasco 1 x 0 Madureira. Estádio:: São Januário. Renda: Cr$ 226.060,00. Juiz: Gualter Gama de Castro. Gol: Rubens. Time: Miguel, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Delém, Rubens e Pinga.

16.11.1958 – Vasco 1 x 1 Fluminense. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 1.572.643,00. Público: 42.668. Juiz:: Alberto da Gama Malcher. Gol: Pinga. Time:
 Barbosa, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Valdemar, Delém, Roberto e Pinga.

23.11.1958 – Vasco 2 x 0 América. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 979.494,00.Juiz: Alberto da Gama Malcher; Gols: Almir e Romeiro (contra). Time: Miguel, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Roberto Pinto, Rubens e Pinga.

30.11.1958 - Vasco 4 x 0 Olaria. Estádio: da rua Bariri. Renda: Cr$ 189.100,00. Juiz: Frederico Lopes. Gols: Almir (2), Roberto e Pinga.Time: Miguel, Paulinho, Dario e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Roberto Pinto, Rubens e Pinga.

07.12.1958 – Vasco 0 x 2 Botafogo. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 2.626.239,00. Juiz: Wilson Lopes de Souza. Time: Miguel, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Roberto Pinto, Rubens e Pinga.

14.12.1958 – Vasco 1 x 3 Flamengo. Estádio: Maracanã. Renda: Cr$ 3.800.409,00. Juiz: Frederico Lopes. Gol: Pinga. Time: Miguel, Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Almir, Delém, Rubens e Pinga.

FASE DECISIVA – 20.12.1958 – Vasco 2 x 0 Flamengo. Estádio: Maracanã. Juiz: Alberto da Gama Malcher. Renda: Cr$ 3.225.808,00. Gols: Pinga e Almir. Time: Miguel, Paulinho, Bellini, Orlando e Coronel; Écio e Valdemar; Sabará, Almir, Roberto Pinto e Pinga.

03.01.1959 – Vasco 0 x 1 Botafogo. Estádio: Maracanã. Juiz: Gualter Gama de Castro.Renda: Cr$ 4.270.534,00. Púlico:  119.237. Time: Miguel, Paulinho, Bellini, Orlando e Coronel; Écio e Valdemar; Sabará, Almir, Roberto Pinto e Pinga.

10.01.1959 – Vasco 2 x 1 Botafogo. Estádio: Maracanã. Juiz: Eunápio de Queirós. Renda: Cr$ 3.205.480,00. Público: 80.608. Gols: Pinga (2). Time: Hélio, Paulinho, Belini, Orlando e Coronel; Écio e Valdemar; Sabará, Almir, Roberto Pinto e Pinga.

Valdemar, Almir e Coronel na volta olímpica pelo Maracanã
17.01.1959 – Vasco 1 x 1 Flamengo. Estádio: Maracanã. Juiz: Eunápio de Queirós. Renda: Cr$ 5.621.768,00. Público: 130.901. Time: Miguel, Paulinho, Bellini, Orlando e Coronel; Écio e Valdemar; Sabará, Almir, Roberto Pinto e Pinga

QUEM ATUOU MAIS -  Treinados por Francisco de Souza Ferreira, o Gradim,  e presididos por Eurico da Costa Lisboa, os “supersuper-heróis” da conquista foram: 26 jogos – Écio; 25 -  Orlando e Sabará; 24 – Pinga; 22 – Bellini e Paulinho de Almeida; 21 – Coronel e Rubens; 14 – Barbosa; 13 – Almir; 12 – Delém; 9 – Miguel;  8 – Roberto Pinto; 7 – Dario, Laerte e Wilson Moreira; 5 – Valdemar; 3 -  Hélio, Ortunho, Vavá e Viana; 2 – Dominguinhos; 1 – Livinho, Ramos, Roberto Peniche e Teotônio.   

GOLEADORS - Pinga 16; Rubens 8; Sabará 7; Almir, Delém e Wilson Moreira 5; Laerte e Vavá 3;  Roberto Pinto 2; Écio 1.  





 

 











 








quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

VASCO DAS CAPAS - DIABO FRIO

A Manchete Esportiva Nº 158, de 29 de novembro de 1958, traz em sua capa o atacante vascaíno Almir Albuquerque Morais, chutando contra o goleiro Pompeia, do América, na partida vencida pela “Turma da Colina”, por 2 x 0, seis dias antes, em um domingo, no Maracanã, pelo segundo turno  Campeonato Carioca.
Na época, este encontro era um clássico estadual, pois os americanos, que foram os primeiros grandes rivais da “Turma da Colina”, eram do grupo dos “grandes”, que incluía, ainda, a dupla Fla-Flu, o Botafogo e, mais ou menos, o Bangu.
De acordo com o repórter da “ME”, após marcar seus dois gols na etapa inicial, por intermédio de Almir e Pinga, o Vasco acomodou-se na fase final, após dominar o ponto forte do “Diabo”, que era o meio-de-campo. Contou a revista, em texto com o uso de mesóclise (usa-se  quando o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo. Desde que não se justifique a próclise, o pronome fica intercalado ao verbo): “Poder-se-ia escrever, inclusive, que o América leve ligeira ascendência técnica na primeira fase”.
Mais adiante explica porque o “Almirante” se deu bem: “O Vasco contou com dois homens-chave para a sua vitória, Roberto (Pinto) e Almir. O primeiro... foi trazido para trás, ficando o comando dividido entre Almir, Sabará (deslocando-se) e, por vezes Pinga. Com o retraimento de Roberto, Rubens ficou muito à vontade, ao lado de Écio. Como a defesa resolveu razoavelmente bem os poucos problemas que teve, não houve maiores preocupações, notadamente depois que o “Pernambuquinho (Almir) numa jogada magistral, marcou o primeiro gol.. aos 35 minutos .... O Vasco jogou com muita inteligência, explorando o melhor preparo físico de seus homens e forçando escapadas rápidas, que fizeram desmoronar todo o pleno defensivo americano”. 
O clássico, que rendeu Cr$ 979 mil e 494 cruzeiros (moeda da época), teve arbitragem de Alberto da Gama Malcher e fez parte da campanha cruzmaltina rumo ao título do SuperSuper-1958. Martim Francisco era o treinador e o time teve: Miguel, Paulinho e Bellini; Orlando e Coronel; Écio, Rubens e Roberto Pinto; Sabará Almir e Pinga. A “ME” deu nota 9 para Roberto Pinto e Almir. Os demais ficaram entre 7 e 8.   
   
 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O "FLAMENGAZO" DE 1952

   Vasco x Flamengo era uma grandiosa pauta paras as maiores magazines do país na década de 1950,  “O Cruzeiro”, mais vendida, e a concorrente 'Manchete'.
 Pincipalmente, se fosse em um momento decisivo de uma competição. Como em 14 de dezembro de 1952, quando os dois rivais disputavam o título do Campeonato Carioca, 
 Para uma revista,  seria “a batalha do ano”; para a outra, “o maior jogo do ano”. Pouca diferença, como na classificação, que tinha os vascaínos liderando, com três pontos à frente dos rubro-negros.
Quem vencesse, ficaria bem mais perto de colocar a mão no caneco, a cinco rodadas do final da disputa, que invadiria 1953.
Segundo "Manchete", pela milésima vez, Ademir resolveu a parada

FLAMENGAZO - Diante de uma previsão de Maracanã lotado e de todo o Brasil com os ouvidos colados nas ondas da Rádio Nacional, a mais potente da América do Sul, criou-se uma expectativa para o clássico comparável à final da Copa do Mundo de 1950, entre Brasil e Uruguai.
Por volta do meio-dia, as ruas cariocas que levavam ao estádio já ouviam buzinaços infernais. Sinal de que seria quebrado o recorde de renda em jogos entre times brasileiros, o que ocorreu, arrecadando-se Cr$ 2 milhões, 68 mil, 438 cruzeiros e 10 centavos.

Preparados para um show de cobertura – e de fotos – como sempre o faziam, em tais circunstâncias – “O Cruzeiro” escalou o repórter Luiz Carlos Barreto, que fotografava, também,  e o colega João Martins. De sua parte, a “Manchete” enviou Elmo Lins, para escrever a crônica do clássico, enquanto Darwin Brandão e Yillen Kerr cuidariam das imagens. E como cuidaram. A semanário de Assis Chateaubriand saiu com 15 fotos, duas delas bem abertas, e a de Adolfo Bloch com16, igualmente, com duas “rasgadas”. Se valesse pontos por algum campeonato, teria sido jogo empatado, tendo em vista que ambas focalizaram bem lances do clássico e as comemorações (e tristezas) dos vestiários, bem como a festa das torcidas, iten que “Manchete” investiu mais, mostrando oito fragrantes da “batalha”. Mas a concorrente mostrou mais lances do jogo, com melhor qualidade de imagem. Já o único gol do jogo, só a “Manchete” teve.
 
EQUIPES EM FOCO - Por aquela época, as revistas gostavam muito de publicar fotos de times posados.  Uma herança da “Esporte Ilustrado”, de décadas anteriores. “O Cruzeiro” saiu em sua edição de 27 de dezembro, 13 dias após o clássico, com as duas equipes posadas no alto da página, embora em tamanho pequeno. “Manchete” preferiu abrir um pouco mais e destacar o vencedor Vasco, pelo número que circulou a partir de 20 de dezembro.   
Eram 16h20, quando terminou a preliminar entre os aspirantes (categoria já extinta) dos dois clubes. O inglês Thomas Tudor chegou logo para apitar o início da contenda, cercado por 74 fotógrafos que esperavam pela presença dos dois times de maiores torcidas então no país.  Do lado de fora do gramado, 137.300 presentes, dos  quais 122.810 pagantes estão na maior expectativa.    

Rola a bola. “Manchete” conta que, aos 10 minutos, o Flamengo chuta a bola na rede, pelo lado de fora. A sua torcida grita gol e o garoto do placar chega a pendurar o número 1 na tabuleta. “O Cruzeiro” lembra que o Flamengo não podia e nem devia perder o jogo. Viu sua linha de frente mais habilidosas do que a do adversário no trabalho de infiltração, mas não sabendo transformar as chances em tentos. E a etapa inicial não tem gols.
Vem a fase final. “Manchete” não gostou da monotonia, até os 15 minutos. Foi quando Ipojucan pegou a bola no meio do campo. Com uma esticada de perna, conta seu repórter, “entrega a Ademir, entre Jadir e Leoni. O meia bate a ambos na corrida, entra na área e fulmina Garcia”, marcando o gol do jogo. “O Cruzeiro” abriu: “Ademir Liquidou o Flamengo”;  “Manchete” deu em manchete: Vasco 1 Flamengo 0”.  Para a primeira, Barbosa, Augusto, Haroldo, Ely, Danilo, Jorge, Sabará, Alfredo, Ademir, Ipojucan e Chico foram “sensacionais”. Enquanto isso, Garcia, Jadir, Dequinha, Beto, Leoni, Pavão, Joel, Índio, Adãozinho, Benitez e Esquerdinha “contavam com a vitória, grande passo para o título”, que dali a cinco rodadas terminou em São Januário.   

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

ANIVERSARIANTE DO DIA: LIVINHO

A “Turma da Colina” estava na estrada, desde 5 de junho de 1957, quando vencera  a Seleção de Curaçao, por 2 x 1. Quatro dias depois, em  Nova York, 6 x 2 pra cima do Hakoach. Obrigação cumprida. Próximo compromisso da rapaziada do treinador  Martim Francisco: atravessar o Atlântico e disputar um autêntico Mundial, em Paris.
Nesta formação, Livinho é o centroavante, entre Sabará e Vavá, à sua esquerda, e Válter e Pinga à direita
Colecionadores de lembranças das glórias da humanidade, os franceses imaginavam ver o imbatível, massacrante, imparável espanhol Real Madrid lhe brindar com mais exibições de gala, e humilhar, um a um, os outros convidados, o Racing, um dos melhores times parisienses; o alemão Rot Weiss Essen e uma rapaziadinha da Rua General Almério de Moura, da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, carinhas que até haviam sido campeões cariocas, um ano antes. Mas não deveriam atrapalhar nada. Se dependesse de retrospecto, os franceses estavam certos. O Real, de sacanagem,  já havia dado uma tremenda surra nos vascaínos, montando uma "seleção espanhola". Depois, mandou uma goleada, em julho de 1956, na Venezuela, por 5 x 2, valendo a Pequena Taça do Mundo. Tudo bem! Eles eram os “donos do mundo”. Tinham mais era que triturar. Só que vascaíno não deixa pra lá, não.  Arrumou um empate, por 2 x 2, no returno do torneio, e saiu para um amistoso, dias depois. Aí, não teve pra eles: Vasco 2 x 0.
De repente, Paris! Noite de 12 de junho. Aos 22 minutos, Vasco 1 x 0 Racing. Gol de Livinho. De quem? A torcida francesa conhecia Kopa, Di Stefano, Gento, aquela turma de artistas impiedosos. Então, já que era assim, estava apresentado Newton José Lopes, moreninho entregue, pela cegonha, a João Antônio Lopes e a Maria Geralda Lopes na mineira Pirapora, em 15 de  janeiro de 1933. Medindo 1,m66cm e pesando 66 quilos, o rapaz apelidado por Livinho, já era um vigoroso morenão que fazia as loiras francesas suspirarem, quando passava rumo aos os vestiários, com aquele seu ar de deboche no sorridente rosto brasileiro.
PRESENTAÇO - Irmão de Neulita, João, Telma, Roberto e de Francisco, que seguiam morando à Rua Espírito Santo, em Pirapora, Livinho queria marcar um gol contra o Real Madri, para oferecer aos ex-colegas do Democrata, de Sete lagoas, onde o Vasco fora buscá-lo. Com quatro minutos de bola rolando, viu que o buraco era mais embaixo, como dizia o mineirinho roceiro de sua terra. Era 14 de junho. O zagueiro Viana pisou no tomate e Alfredo Di Stefano não o perdoou. Livinho, porém, não desanimou. Se não tinha medo de caipora, de mula sem cabeça e de tudo o mais que a caipirada lhe falava, porque esmurecer? Aos 20 minutos, Pinga calibrou dose de bom passe e Válter Marciano, que jogava um futebol de outro planeta, começou a arrumar espaço no placar: 1 x 1. Livinho vibrou mais, aos 32 minutos, quanto Vavá desempatou – dose dupla de bom passe de Pinga: Vasco 2 x 1, no primeiro tempo.
 Veio a segunda parte do espetáculo. Aos oito minutos, novo empate. De repente, agrediram Pinga, e opau quebrou. Passada a brigaiada, aos 21 minutos, Válter viu Livinho, pela esquerda, e mandou-lhe uma bola curvilínea. O mineirinho virou um caipora. Aplicou um peteleco na “maricota”, que voou, leve, como uma borboleta, para encobrir o goleirão do Real, que caiu na real: Vasco 3 x 2 – Livinho já tinha presenteado seus chegados. Depois, o Vasco fechou a conta em, por 4 x 3 – Carlos Alberto  Cavalheiro; Dario, Viana (Brito), Orlando e Ortunho (Joaquim Henriques); Laerte e Válter; Sabará, Livinho, Vavá e Pinga foi o time.
O GATO COMEU -  Campão em Paris, Livinho seguiu vencendo durante a continuação da excursão cruzmaltina, entre Espanha em Portugal: 4 x 1 Atletic Bilbao; 3 x 1 Valência;  7 x 2 Barcelona; 2 x 1 Valência; 5 x 2 Benfica;  3 x 1 Espanyol – no final do giro, com time esgotado, o Vasco foi à então União Soviética e caiu, por  1 x 3, ante o Dinamo Kiev e o  Dinamo Moscou, e, por 0 x 1, diante do Spartack Moscou. De sua parte, Livinho voltou com os espanhois fãs dele.
Caminho da Seleção Brasileira? Lá pela sexta rodada do Campeonato Carioca, em 13 de novembro, a galera começou a “pegar no pé” de Livinho. Mesmo com o Vasco mandando 3 x 0 no Olaria, ele não escapou dos palavrões. Efeito retardado, por conta do gol perdido, por enfeitar muito, na derrota, por 2 x 5, ante o Fluminense, e pr ter ficado devendo no 1 x 0 sobre a Portuguesa. Livinho desabou quando o Vasco meteu 3 x 2 no Bangu. Chorou muito. Tinha medo de chutar a gol e errar. Quem o via como craque, passou a tê-lo como perna-de-pau. Parecia que queriam lhe me transformara no rei das derrotas. Então, pediu à torcida uma chance para voltar a chutar a gol, sem medo de errar, pois era o jogador mais humilhado do Maracanã.
Em 1º de fevereiro de 1958, o Vasco foi encarar o Nacional, em Montevidéu, amistosamente. Chegou a estar perdendo, por 2 x 0.  O jogo ia acabar, quando Livinho entrou em campo, na vaga de Almir. Ainda deu tempo de lhe fazerem um passe. E ele fez do lance a bola de sua vida. A dez segundos do final, conseguiu dominá-la, vencer um adversário e chutar, antes da chegada do goleiro, virando placar. Pena que fora longe do Brasil. A torcida do Vasco não vira.