Vasco

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domingo, 1 de janeiro de 2017

KIKE EDITORIAL - ANO NOVO


                        KIKE EDITORIAL- ANO NOVO
 O primeiro de janeiro, tradicionalmente, é o Dia da Confraternização Universal. Será mesmo? Pelo menos, esta prática não passa muito, coronariamente, pelos “shake hands” de árabes e judeus; russos e norte-americanos; vascaínos e flamenguistas, bem como de Justiça e políticos brasileiros. Confere?
 O Ano Novo começou a ser comemorado na Babilônia, há dois mil anos antes de Cristo-AC. De lá para cá,  a celebração mudou data e ritos no lado ocidental do planeta. Os babilônios, por exemplo, o começavam em março, quando a primavera chegava e eles iniciavam as novas plantações. Era farra de 11 dias. Que beleza!  E o nosso Carnaval é só de três!
 Pois bem! O tempo rolou e quando já era o ano 600 AC, os gregos comemoravam o início de sua primavera botando o bloco na rua e desfilavam exibindo um bebê simbolizando a nova estação do ano. Isso tudo em honra a Dionísio, o deus deles do vinho e da fertilidade. Claro! Não iriam perder a oportunidade para uma comemoração literal à base de muitas carraspanas e pegas amistosos na horizontal. O tempo recomendava.
 Chegado a 153 AC, começou a sacanagem dos políticos. Os senadores da Roma antiga levaram os festejos do Ano Novo para  o primeiro dia do janeiro, que era o início e o final dos seus mandatos. Decreto carimbado, rotulado. Quem não gostasse que fosse se queixar ao Papa. Mas, como ainda não havia Papa, o jeito era deixar rolar. Para felicidade geral dos puxa-sacos legislativos.
 E, já que o Senado da antiga Roma achava-se no direito de mudar as regras dos forrobodós, a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, também, resolveu mexer no regulamento, servindo de exemplo para os futuros constituintes brasileiros, a começar pelo chefe Don Pedro I, que convocou e dissolveu a primeira Assembleia. Mas, como vínhamos papeando, o Papa Sérgio IV (1.109-1.112)  mudou o início do Ano Novo medieval, a partir de 1.100 depois de Cristo-DC, para o 25 de dezembro, coincidindo com o Natal, isto é, o aniversário de Jesus Cristo – para a Igreja Católica, é claro, pois a ciência calcula ter o Homem Lá de Cima nascido em maio. 
 Passados 482 anos, o lance do Serejão saiu pela linha de fundo. Lá na esquina lhe esperava o calendário gregoriano, para avisar que toda a galera católica europeia achava que os romanos faziam a coisa certa. E o primeiro de janeiro voltou a emplacar “o Happy New Year e o Feliz Año Nuevo”. Ordem de Gregório XIII.      
   Como vimos, já são três viradas de mesa para se definir quando o ano começaria: a dos políticos romanos, em 153 AC; a da Igreja Católica, em 1.100 DC, e a do  Gregorão, em 1.582. E pareceu que a rapaziada gostou mais do primeiro de janeiro. Tanto que, em 1.752, já com os tempos modernos ameaçando chegar para mudar muitas maracutaias dos donos do poder, os Estados Unidos e até os países que privilegiavam a religião protestante entraram no furdunço.
Nesses tempos pós-modernos, o primeiro do ano chega sempre de uma forma comum à terminologia arquitetônica, isto é, pré-moldado. Explode-se o Céu (com fogos de artifício, é claro!); molha-se o pescoço por dentro (com quentes e frios); agasalha-se o estômago (com secos e molhados) e sacaneia-se aves e suínos, mandando-os para o mundo dos ex-vivos. Evidentemente, fazendo escalas pela língua de muito sujeito linguarudo que passou o ano todo falando mal do Governo, do chefe no trabalho e da patroa, com quem brigou pelos 365 dias anteriores.
 O Kike só acha uma coisa: que a véspera do Ano Novo deveria ser na antevéspera do Carnaval, em uma quarta-feira. Oficialmente, seriam sete dias de celebrações. E ainda ficaríamos no prejuízo, tendo em vista que, na Babilônia, era um time de 24 horas: 11 dias. Portanto, procuremos  um deputado para apresentar o projeto. Não já teve um que apresentou proposta proibindo a convocação de Pelé para a Seleção Brasileira? E um outro que queria o lance lateral cobrado com os pés?           

     

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