Vasco

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domingo, 16 de julho de 2017

DOMINGO É DIA DE MULHER BONITA - MINEIRAS DE ESTREMECER MONTANHAS

A pesquisa para este texto deixou a impressão de que ricos e mulheres mineiras dão glamour à reportagem policial. Vejamos:

Edina reproduzida do
arquivo de José Goes
1 - Em 25 de junho de 1962, Lurdes Calmon entrou na butique de um hotel para endinheirados, em Ouro Preto. Pretendia sair de lá mais elegante, para encontrar-se Fernando Mello Viana, com quem vivia.  Lurdes não roubava nada, quando foi imobilizada e derrubada por Ethel Poni. Sem tempo para reagir, recebeu duas balas na cabeça, disparadas pela atiradora Edina, irmã de Ethel, e campeã de tiro.
Lurdes Calmon não servia de alvo. Tornara-se por conta de ser amante do marido da dona da boa pontaria, que andava separada dele há vários anos. Chocante?
  Mais chocante fora a tese que o advogado Pedro Aleixo, o mais famoso criminalista das Minas Gerais, usou para absolver as duas belas mulheres, no júri do dia 31 de março de 1964, no mesmo dia em que os militares jogavam o Brasil em 21 anos de ditadura: crime em defesa da integridade do lar, que não foi reintegrado.

2 – A sociedade mineira nem se lembrava mais do crime cometido pelas irmãs Poni, quando mais duas balas explodiram nas “alterosas”. Corria 1971 e Josefina Souza Lima Lobato – Jô, para os íntimos –, filha de um ex-prefeito de BH, mãe de cinco filhos e mantendo esplendorosa beleza, aos 27  anos de idade, desquitou-se do engenheiro Roberto Lobato, no dia 4 de julho.
 Conta a crônica policial mineira que, antes da separação judicial, o marido tentava recompor o lar desintegrado. Após a última tentativa, cinco dias após a assinatura da partilha dos bens, Roberto fizera mais uma tentativa de reatamento, mas esta descambara para uma discussão que terminara sobrando um tiro no peito e um outro na cabeça de Jô. Porque ela o teria chamado por “Chifrudo”.
 Novamente, na na defesa do réu estava Pedro Aleixo, que usou a tese da “legítima defesa da honra”. O júri lhe deu vitória, por 7 x 0.

3 – Junho de 1973 corria, quando mais três balas zuniram em Belo Horizonte. Às sete da manhã, horário em que nem todas as socialites estavam acordadas. O milionário Artur  “Tuca “Mendes” matara o lavador de carros Zé Pretinho.
Motivo do crime, segundo o matador: o rapaz avançava para o seu quarto de dormir (com a sua bela mulher Ângela Diniz), com uma faca nas mãos, recusando-se a parar. Não lhe restara outra alternativa que não fosse descasrregar o seu revólver sobre o desobediente sujeito, em seu jardim gramado.
Ângela reproduzida de www.memoriasoswaldohernandes
  O noticiário policial mineiro informou que havia carrapichos de plantas e esperma na roupa de Zé Pretinho, bem como na cama da socialite.
Segundo o  processo, os carrapichos chegaram ao quarto levados pelo vento, enquanto o esperma nos lençois foram desprezados. O que havia na calça do rapaz decorria do seu hábito de maturbar-se, escondidamente, quando via a sua musa.
Tuca não  cumpriu um dia sequer de cadeia. Tempos depois, Ângela Diniz foi assassinada, pelo namorado Raul Fernando “Doca” do Amaral  Street, tema para um próximo “Domingo é Dia de Mulher Boonita”. Combinado?

5 – Em 1980, Belo Horizonte ficou chocado com um outro crime passional envolvendo socialite. Por ciúme, o engenheiro Márcio Stancioli matou, com cinco tiros, a mulher Eloísa Ballesteros, enquanto ela dormia. Os dois haviam se conhecido em um sinal fechado de uma avenida da capital mineira. Conversaram, saíram e rolou namoro. No ano seguinte, ambos com 26 anos  de idade, estavam casados. Tiveram dois filhos
Empresária do setor de roupas, Eloísa passou a despertar a  desconfiança de Márcio, que passou a espiona-la. Em julho de 1980, por não encontra-la em casa, ele saiu a procura-la pela cidade e a encontrou no estacionamento do BH Shopping, dentro de um carro de um antigo namorado, o empresário Márcio Augusto Ferreira.
Marcio contou durante o seu julgamento ter ido para casa e, mais tarde, discutido com Eloísa, que o deixara falando sozinho e seguido para o quarto do casal. Fora atrás dela, chutado a porta e descarregado cinco tiros nela, com um revólver Taurus 38 –  peritos falaram de sete.


Eloísa reproduzido
de www.glamurama
O promotor do caso, Edmundo Teixeira da Silva, classificou Márcio de “um  Doca Street do subúrbio”. Em 5 de agosto de 1980, dez dias após o crime, ele o acusou por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, sem possibilitar a defesa da vítima e contra cônjuge. Márcio Stancioli foi a júri popular, em 12 de maio de 1983, e disse ter perdido a cabeça devido as idas da mulher a São Paulo e seu relacionamento com Márcio Augusto Ferreira, “não vendo mais nada”.
O advogado Ariosvaldo Campos Pires apelou para “os ventos de libertinagem de nossos dias” e para “família, lar, filhos, fidelidade: em que pese a crise moral, são conceitos a ser observados pelos jurados”.  Márci foi enquadrado por homicídio culposo (sem intenção deliberada de matar) e não doloso (com intenção clara) e condenado, por 4 x 3, a 2,5 anos de prisão. O juiz, porém, concedeu-lhe, por ser primário e ter bons antecedentes, suspensão condicional da pena.” O promotor recorreu da sentença e o levou a novo julgamento, em 25 de março de 1988, elevando o castigo para seis anos.

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