Vasco

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

VASCAMENGOS X FLASCAÍNOS-23



Uma tremenda picaretagem terminou fazendo um bem danado ao Vasco da Gama. Explica-se: quando a seleção uruguaia veio ao Brasil, disputar o Campeonato Sul-Americano-1919, trouxe como massagista um sujeito que fora pugilista. Mas dizia-se auxiliar técnico de Severino Cartigo, o chefe do time celeste. E por aqui ficou.
O “picareta” chamava-se Ramón Platero e convenceu o Fluminense de que ele seria o cara certo para treinar a sua rapaziada. Pegou um time montadinho, pelo inglês Quincy Taylor, bicampeão carioca-1917/18, e fez o nome, levando os tricolores ao tri. Mas onde o “Almirante” entra nessa?
 Seguinte: em 1922, Platero já estava no Vasco. Em 1922, levou a moçada, da Segunda Divisão à elite do futebol carioca, para ser bicampeão, em 1923/24. Ele saia de campo em campo de peladas, pelos subúrbios, procurando jogadores. Levava quem tinha veneno nos pés e só faltava matá-los com uma preparação física que os fazia correr igual a condenados.
 Enquanto os outros times tinham atletas totalmente amadores, os vascaínos treinavam o dia todo, dormiam na sede do clube e se alimentavam em restaurante de comerciantes portugueses. Resultado: administravam o jogo no primeiro tempo e matavam o adversário no segundo. Dos 14 jogos do Estadual daquele 1923, os cruzmaltinos venceram 11 na etapa final. Ficou pela Colina até 1927 e voltou em 1938.
  Antes de ser vascaíno, Ramón Platero passou, também, pelo Flamengo. Por sinal, foi o primeiro treinador rubro-negro. Antes dele, o clube tinha o seu time dirigido  por uma comissão técnica formada pelo capitão, cartolas e amigos de dirigentes. Platero, no entanto, demorou-se pouco no Fla: de 21 de janeiro a 13 de maio de 1921, no espaço de sete partidas, vencendo duas, empatando duas e perdendo três. Não emplacou.            
Flavio, quando atleta do Flamengo, em foto reproduzida
de www.tardesdepacaembu  Agradecimento.
 

 FLÁVIO COSTA - Um outro treinador a fazer sucesso na Colina, após ser flamenguista, foi o sargentão” Flávio Costa, que chegou a perseguir a Coluna Prestes, em seu tempo de militar.
Atleta rubro-negro campeão carioca-1925 e 1927, passou a treinador em 1933. Contou com Domingos da Guia e Leônidas da Silva em seu time, mas só ganhou o Torneio Aberto-1936. Quando nada, é atribuída a ele o início da revolução tática no clube, completada pelo húngaro Dori Krueschner.
De volta ao Flamengo, na década-1940, Flávio Costa levou o clube o seu primeiro tri-1942/43/44 –  e criou um sistema tático em que Biguá, Bria e Jaime se colocavam em uma linha diagonal, pelo lado direito, variação do WM, do inglês Herbert Chapman, sucesso na Europa.  Em 1947, ele tornou-se treinador vascaíno e fez a sua diagonal, pela esquerda, com Ely do Amparo, Danilo Alvim e Jorge Sacramento. Foi campeão estadual naquele ano e  bi, em 1949/1950.  Antes, em 1948, levara o time ao título do Sul-Americano de Clubes Campeões, o primeiro do futebol brasileiro no exterior.
Flávio,  treinador da Seleção Brasileira, vice-campeã  da Copa do Mundo-1950, teve uma segunda passagem pelo Vasco, entre 1953/1956.  Voltou à Gávea, em 1962, e ficou até 1965, tendo sido campeão carioca-1963.
Gentil é o terceiro, em pé, da esquerda para a direita,
em foto reproduzido da Revista do Vasco
 Um outro treinador que passou pelo Flamengo, antes de chegar à Colina, foi GENTIL CARDOSO, entre setembro de 1949 e  julho de 1950. Ficou por 56 jogos, com 36 vitórias, 12 empates e oito derrotas. Assim como Flávio Costa, foi centro-médio, também.
Em 1931 e pelo Bonsucesso, Gentil foi o primeiro a esboçar, no Brasil, o WM, que havia visto na Europa, onde esteve em viagem como militar da Marinha. Ao Vasco chegou em 1952, para ser campeão carioca, com a última equipe do ciclo “Expresso da Vitória”. Sofreu muita pressão dos cartolas (termo que ele criou) e foi demitido após o jogo final da temporada, já em janeiro de 1953, quando os donos do poder em  São Januário queriam e promoveram a volta de Flávio Costa. 

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