Vasco

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quinta-feira, 10 de maio de 2018

ELY, O POBRETÃO


 Cinco vezes campeão carioca – invicto, em duas  delas -, entre 1945 e 1952, Ely do Amparo colecionou faixas, menos dinheiro. Foi o que muito chorou após pendurar as chuteiras.
 Tirado do Canto do Rio, em, 1944, pela então astronômica soma de Cr$ 350 mil cruzeiros, o Vasco só lhe deu “quinentinho” de salário, para trabalhar duro nas caldeiras do “Expresso da Vitória”, uma das locomotivas mais fortes do planeta durante a década-1950. Mesmo quando defendeu a seleção carioca, em 1946, Ely ainda ganhava pouco, embolsando só “milão” mensal.
 Em toda a sua carreira, Ely jamais recebeu luvas, tendo em seu último contrato com o “Almirante” lhe rendido apenas CR$ 16 mil. Mas nem só de misérias à boca do cofre ele teve histórias para contar, Foi xerifão das zagas vascaína e da Seleção Brasileira. Para os adversários, ele era um desalmado, o que sempre contestou, afirmando que jogava duro, mas sem ser um “cavalo” bravo.
Foto reproduzida de "Manchete Esportiva"
Nº 178, de 18.04.1959 
 Ely citava muito dois exemplos de violências praticadas por adversários: 1 – Spinelli, do São Cristóvão, com uma sarrafada, jogara Djalma (ponta-direita vascaíno) pra fora de campo. Ao reclamar, fora chamado por “macaquito” e ameaçado de também ser quebrado. “Na primeira dividida entre nós, ele levou a pior”; 2 – Jogando contra o Flamengo, o (centroavante) Pirillo lhe dava socos em todos os lances que disputavam. Respondeu com um pontapé e levou um “jab” (soco no queixo, muito usado em boxe).
 Para justificar o seu jogo duro, Ely, sustentava que os jogadores brasileiros, dificilmente, conseguiam sucessos internacionais porque eram covardes. “...parecem freiras entrando no convento”, disse à revista carioca “Manchete Esportiva” de 23 de novembro de 1957.
 Ely do Amparo (1921 a 1991), nascido em Paracambi-RJ, admitia o atleta ter a sua fé religiosa, mas achava ridículo vê-lo entrar em campo com o pé direito, beijando a medalhinha do seu santo de devoção e fazendo o sinal da cruz, publicamente. Para ele, que o fizesse distante da torcida.
 Em 1949, o treinador Zezé Moreira promoveu Ely a capitão da Seleção Brasileira que disputaria o Pan-Americano, por concordar com o xerifão vascaíno que não daria para brigar por título sem peito, gritos e encarando todas as catimbas dos adversários. Ely chamou a rapaziada no canto e avisou que, quem não jogasse sendo uma fera, teria de se ver com ele.  E deu o exemplo quando o atacante valentão uruguaio Carballo tentou amedronta-lo. Morenão alto, forte e com fama de mau, Ely o deixou mansinho – Brasil 4 x 2, em 16.04.1952.                       
No jogo seguinte – Brasil 3 x 0 Chile, em 20.04.1952 -, Ademir Menezes marcou os dois primeiros gols e passou a morcegar. Mesmo sendo seu companheiro no Vasco da Gama, Ely o jogou para fora de campo e mandou Zezé Moreira colocar Pinga no lugar do “morceguinho”. O  chefe obedeceu-lhe e Pinga marcou o terceiro tento. Ely era assim, Por isso, voltou campeão.  
Três temporadas depois, já em final de carreira, Ely foi jogar pelo Sport Recife. Fo campeão pernambucano e parou, em 1956. Sempre mal pago. 




                              

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