Vasco

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

SILAS ENTRE DEUS E A BOLA

   Desde 1958, o garoto Silas bastia um bolão pelo time infanto-juvenil do Manufatura, do Departamento Autônomo da então Federação Carioca de Futebol. Visto por gente do Botafogo, em 1960, foram preciso duas horas de papo para os cartolas Rivadávia Correia Meier e José Luiz Ferraz convencerem o seu pai do a permitir que ele se tornasse um botafoguense. 
 Naquele momento, o pastor protestante Pedro Gonaçalves Oliveira, casado com Afonsina Figeiredo Oliveira, queria que seu filho o seguisse. O rapazinho cursava o antigo terceiro ano primário e seu pai, que fora centroavante amador, em Recife, temia vê-lo abandonasse os estudos e a igreja batista do Engenho de Dentro, bairro onde Silas Gonçalves Oliveira havia nascido, em 1945. Mas, entre Deus e a bola, o atletas ficou com a pelota.    
 Silas era meio-campistas no Manufatura. Medindo 1m71cm de altura e calçando chuteiras 40, passou a zagueiro de área do Botafogo. Em 1961, já estava no Flamengo, como lateral-esquerdo. Foi por aqueles tempos que o Vasco da Gama interessou-se pela sua bola. Os rubro-negros, porém, não queriam reforçar o maior rival. O emprestaram ao Fluminense de Feira de Santana-BA e depois venderam o seu passe ao Bahia.
Defendendo os times baianos, Silas era obrigado a ir a terreiros de macumba, colocar pó branco dentro das chuteiras e usar vários tipos de amuletos, para fechar o corpo e vencer os jogos. Obedecia ao que lhe determinavam, mas em algo diferia dos companheiros: se dava mal com o tempero das comidas baianas. Frequentemente, tinha complicações estomacais. Sabedor do problema, o Vasco foi busca-lo, legalizou, rápido, a sua pepelada e marcou a sua estreia exatamente contra o Flamengo, pelo turno do Campeoanto Cariocas-1966. Mas não deu. Silas ainda refazia-se de problema provocado pelos condimentos da comida baiana, pelos dias em que fora contratado.
 Pelos dias seguintes, Silas vivia pressionado pelo pai para voltar à religião. Entre Deus e a bola, termiou não emplacando em São Januário. Odair Barchi foi o titular absoluto da lateral-esquerda vascaína por aquele meio de década-1960.   
              Foto reproduzida da Revista do Esporte N 375, de 14.05.1966.


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