Vasco

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - AZUMIR

 Seguramente, o emprego do camisa 9 de um time de futebol não é fácil. Se não marcar gols, ele terá a mãe mais xingada do que a do juiz. Sem falar que a porta da rua do clube estará aberta pra ir embora. De preferência, o quanto antes.
Caso vivido por um vascaíno. Mas por pouco tempo. Chamava-se Azumir Luís Casemiro Veríssimo, era carioca e viveu entre 7 de junho de 1935 e 2 de dezembro de 2012, por 77 temporadas.
Cria do Madureira, o atacante chegou a São Januário, em 1961, depois de ter sido convidado a se retirar de Bangu, Flamengo Botafogo e Fluminense. Sorte dele que a sorte o estava esperando numa curva portuguesa, com certeza.
Negociado, com o Futebol Clube do Porto, no mesmo ano em que tornou-se vascaíno, Azumir, finalmente, conseguiu garantir o seu emprego de centroavante, tornando-se o principal “matador” do Campeonato Português da temporada 1961/1962. Mandou 23 bolas ao filó.  De quebra, foi o primeiro atleta do clube a ganhar a “Bola de Prata”, importante troféu do futebol europeu da época. 
Na sua segunda temporada pelos "Dragões", Azumir voltou a ser o principal "matador" da equipe, com 17 tentos. Na terceira, apenas três, em cinco partidas.
 Para os torcedores do Porto, era “inintendível” com o Vasco da Gama pudera dispensar um artilheiro daqueles. “Coisa de brasilairo!”, diziam. Azumir foi ídolo da torcida do Porto até 1964. Depois,  ciganou por Covilhã, Barreirense, Beja e Tirsense. 

Fotos reproduzidas de www.esrtrelasdofcporto.blogspo.com.br 

LENDAS DA COLINA - RAMALHO


Ramalho clarinando no meio da galera, junto a Dulce Rosalina
O primeiro grande jornalista esportivo brasileiro, Mário Filho, dizia ter o Maracanã sumido com com a figura do torcedor. Fora trocado pela "multidão compacta".
Mário sentia saudade do tempo em que os torcedores eram conhecidos nos pequenos estádios, tinham a sua voz ouvida. No Maracanã, só um era ouvido: Domingos do Espírito Santo Ramalho.
Quando o Vasco da Gama jogava, Ramalho ia ao Jardim Gramacho, em Caxias, e cortava talos de mamão, para transformá-los em clarins. Levava, sempre, dois, para não passar por apertos, caso um dos seus "instrumentos" falhasse.
As clarinadas do Ramalho eram sagradas. Até o dia em que o glorioso Club de Regatas Vasco da Gama expediu-lhe uma carta, comunicando-lhe de que ele estava banido do seu quadro associativo, po falta de pagamento.
Ele só não passara por tal vergonha, antes, porque o diretor de futebol cruzmaltino, Antônio Calçada, pagara um ano inteiro de suas mensalidades.
 Vencida a benesse, Ramalho não tinha como honrar o compromisso, pois a sua renda – era estivador no cais do porto do Rio de Janeiro –, malmente, dava para alimentar a família, de cinco filhos. 
Devido ao inesperado sucedido, o desolado Ramalho foi ao Calçada e mostrou-lhe o 'memorandum' do clube. Que horror! Logo com ele? Tudo o que sempre mais quisera daquela sua vidinha de trabalhador e torcedor era dizer: "Sou sócio do Vasco!" E exibir a sua carteirinha.
Por aqueles dias em estivera banido do Vasco que tanto amava, o abatido Ramalho não compareceu ao Maracanã, para expandir as suas clarinadas durante os jogos contra o América (1 x 1, em 02.10.1954) o Flamengo (1 x 2, em 17.10.1954), pelo Campeonato Carioca. Pior para a "Turma da Colina". A rapaziada perdeu altura no voo do "Urubu" e enganchou nos chifres "Diabo".
 Para os craques vascaínos, o motivo daqueles dois insucessos não seria outro. Seguramente, a falta que haviam sentido do som do Ramalho. E foram se queixar ao Calçada.
Motivo mais do que definido para os dois tropeços cruzmaltinos, o Calçada pressentiu que era preciso encontrar o Ramalho, rápido. Se possível, pra ontem! Caso contrário, os jogadores iriam ficar esperando pela suas clarinadas, que não ouviam mais, e poderiam complicar a vida do time no campeonato.
Imediatamente, Calçada chamou o presidente Artur Pires e o diretor José Rodrigues, e se mandaram, em busca do Ramalho. O Pires, por sinal, fizera questão, absoluta, de integrar a comitiva. Eles  vasculharam as fichas dos sócios e localizaram a casa do Ramallho, em Barreira do Vasco, pertinho de São Januário. Mas o carinha não morava mais por lá. Mudara-se, para Bonsucesso. Foiram-se, então, os três para a Zona Norte carioca. Pergunta daqui, dali, dacolá, de repente, ficaram sabendo do que queriam e até que o procurado havia passado por uma cirurgia.
Enfim, o trio de cartolas encontrou a casa do Ramalho. Quando o Cadillac do presidente Arthur Pires parou diante de uma humilde casinha, Calçada bateu à porta, foi atendido por um garoto, mas quem apresentou-se foi Artur Pires. No ato, um garoto gritou: "Mãe! É o presidente do Vasco!"
O "músico mamoneiro" Ramalho não estava. Naquele instante, trabalhava no cais do porto. Mas não estava operado? Calçada esperava encontrá-lo acamado.
A mulher do Ramalho, no entanto, deu-lhes uma boa nova: o seu marido vinha tendo uma bela recuperação – da cirurgia em um calo na boca, provocado pelas suas clarinadas. "Graças a Deus, está melhor", disse ela.
Diante da boa notícia, Calçada e Pires enfiaram as suas mãos nos bolsos das suas respectivas calças e avisaram que o Vasco pagaria todas as despesas da operação que tirara o Ramalho de combate. Se este achava que as suas clarinadas davam sorte ao time, eles também. E Calçada fez mais: pagou toda a dívida do sócio banido, por mais um ano. Deixou o Ramalho recuperado, associativamente, pronto para voltar a exibir a sua carteirinha. O Vasco precisaria das suas clarinadas, no domingo. Que estivesse, sempre, com a saúde em dia.
                FOTO REPRODUZIDA DE MANCHETE ESPORTIVA

TRAGÉDIAS DA COLINA - MALGAMADO

Antes do começo do Basileirão-2002, o treinador Antônio Lopes disse à rapaziada que classificação à segunda fase seria mais fácil vencendo todos os jogos  em casa. Só esqueceu de combinar com o Gama. Durante a noite da quinta-feira 22 de agosto,  a torcida vascaína ficou  uma fera com o “Almirante”, que não quis nada com a circunavegação da pelota e caiu ante o time candango, por 1 x 0. Só não perdeu por mais porque os gamenses ficaram satisfeitos com um só gol marcado e recolheram o trem de pouso na rede vascaína. O gol levado, aos 40 minutos do primeiro tempo, em cobrança de falta, irritou ainda mais as galera. Com a queda, o Vasco foi jogado para a 21ª colocação, com três pontos em quatro jogos. Ainda bem que pouca gente assistiu ao vexame  (3.299 pagantes) de: Helton; Wellington, Geder, Emerson e Jorginho (Wenderson); Hadoldo, Bruno Lazaroni, Rodrigo Souto e Andrezinho; Léo Guerra (Ely Thadeu) e Souza (Washington). 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS DA COLINA

Nesses tempos modernos,  de grande e rápida evolução da tecnologia da informação, o jovem torcedor
Jansen jogava também
pelo time aspirante 
só recorre ao noticiário veiculado pela Internet. Pior para os atletas do passado. A galera de agora não é de pesquisar em revistas antigas, onde  apareceram. Simplesmente, eles não existem. Assim, só grandes pesquisadores são capazes de destrinchar todos aqueles que deram sangue e suor com a jaqueta cruzmaltina, em tempos muitos antigos.
Na época do “Expresso da Vitória”, entre 1945 e 1952, quando o Vasco era um dos mais fortes do planeta, seus treinadores podiam contar com três times de bons atletas, pois o sonho de todos era ir para São Januário. No entanto, como as equipes ganhavam  formação-básica constante, muitos jogadores tinham poucas chances de atuar. São os mais do que esquecidos de hoje. Caso, por exemplo, do capixaba Lola, dos gaúchos Sarará e Cabano, e de Noca, só para citar poucos. A sorte deles é que havia a categoria de aspirantes, para não ficarem parados
Em 1951, quando Oto Glória comandava o time vascaíno, o então médio (atual volante) Danilo Alvim  recebeu três jogos de suspensão.  Apelar para improvisações de Jorge e Alfredo não deu certo. Então, Lola teve mais sorte do que Sarará e a sua chance. O que não sorriu para Aldemar, que foi se consagrar no Palmeiras, como um dos melhores marcadores de Pelé.
 Com Ademir Menezes também desfalcando a equipe de Oto Glória,  por contusão,  a vez foi de Edmur. Como seria titular por tempo marcado, o jeito foi ir para Portugal.  Quanto a Cabano, que não conseguia barrar Tesourinha, na ponta-direita, disputava vaga, nos aspirantes, com Célio e Jansen.  
Roberto Peniche, em foto reproduzida
da Revista do Esporte
  Encerada a viagem do “Expresso da Vitória”, o Vasco voltou a ser carregador de taça em 1956. Duas temporadas depois, tornou-se “SS”, isto é, “SuperSuper” campeão carioca,  com uma nova geração.
Quem são os “supersuperesquecidos” daquela rapaziada? Já ouviu falar de Ramos?  Frederico Ramos. Um capixaba, de Vitória, nascido em 1931, dono de um emprego público e que custara Cr$ 200 mil cruzeiros ao Vasco. Jogou uma partida da campanha de 1958, substituindo Sabará. 
O mesmo caso viveu Roberto Peixoto Peniche, mineirinho, de Palmas. Ainda era juvenil, quando o treinador Gradim, surpreendentemente, o fez substituir Pinga, que foi substituído, também, por um outro mineiro, o Dominguinho, isto é, Domingos Abdala, juvenil da Colina, desde 1956.
História idêntica à dos dois substitutos de Pinga viveu o baiano Teotônio. Os vascaínos pagaram Cr$ 1 milhão para tê-lo, com 23 anos de idade.  Só fez um jogo do “SuperSuper”, pois a camisa 9  tinha, entre outros “vestintes”, o campeão mundial Vavá – da Copa  da Suécia. Também, Wilson Moreira, por sete jogos. Este, campeão, também, no Torneio Rio-São Paulo, aos 23 anos, seguiu o destino de Vavá e foi para o futebol espanhol. 
Como se observa, Pinga tem sido muito citado. Foi um dos maiores ídolos da torcida vascaína da década-1950, autor de  250 gols vascaínos. Mesmo assim, o José Lázaro Robles já está no time dos poucos lembrados. E olhe que foi capa de revistas em várias ocasiões. Bem como Paulinho de Almeida, Laerte, Dario e Válter Marciano e até Orlando, campeão mundial-1958.   
Sabará, em foto reproduzida de www.supervasco.com, brigando
 com a turma do Real Madrid, em 1957, também já está esquecido
Mas, se campeão do mundo é esquecido, o que não dizer de Ortunho e de Viana? Integraram os grupos vencedores dos Estaduais-1956/1958; dos Torneio Início-RJ-1958;  Rio-São Paulo-1958; Paris-1957 e Tereza Herrera-1957.
O primeiro, era um gauchão muito forte, um “armário”. Substituiu o lateral-esquerdo Coronel, em três pugnas do “SS”, pois mandava ver em qualquer setor defensivo.
  De sua parte, Viana,  com três substituições, também,  era reserva do capitão Bellini. Aos 22 anos, vangloriava-se de ter marcado e vencido o então maior atacante do mundo, Di Stefano, do Real Madrid, na final do torneio parisiense. A galeria dos esquecidos é grande. Confira em futuras matérias.

 

A BELA, BELÍSSIMA MUSA VASCAÍNA DO DIA

Belíssima imagem que o "Kike" viu e reproduz,  de www.almanaquedovasco.com.br, para a sua galera curtir um grande trabalho criativo do artista do site. Vascaíno é assim: amante do belo, como a história do Club de Regatas Vasco da Gama, que ensinou a este país que todos são iguais como peças de uma sociedade. Nada de cor da pele ou de conta bancária prevalecendo. Foi assim que o "Almirante" recusou a banir pretos e brancos pobres de sua equipe, inaugurando a democracia no então preconceituoso futebol brasileiro. O "Kike" gostaria de informar o nome do artistas que bolou  este trabalho, mas os amigos do site esqueceram de citar o seu nome. Se alguém souber, por favor, informe, para o devido crédito.   
 
Beautiful, wonderfull image that "Kike" saw and reproduces, from www.almanaquedovasco.com.br, for your galera to enjoy a great creative work of the artist of the site. Vascaíno is like this: lover of the beautiful, like the history of the Vasco da Gama Regattas Club, who taught this country that all are equal parts of a society. No skin color or prevailing bank account. That is why - alright - the "Admiral" refused to ban poor blacks and whites from his team, inaugurating democracy in the then-prejudiced Brazilian football. The "Kike" would like to inform the name of the artists who created this work, but the friends of the site forgot to mention his name. If anyone knows, please inform, for the due credit.